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Ibovespa sobe, em linha com mercados externos; câmbio sobe com força do dólar americano mundo afora

Postado por: TC Mover em 19/08/2019 às 13:56

O pregão desta segunda-feira começou no azul para o Ibovespa, que retomou o patamar dos 100 mil pontos, acompanhando as bolsas norte-americanas e o tom mais otimista em geral que vem do exterior. Esse relativo bom humor parece estar ligado a um menor temor de recessão nos Estados Unidos e a um certo arrefecimento na guerra comercial. No final de semana, autoridades dos EUA se esforçaram em transmitir a mensagem de que a economia vai bem: o conselheiro econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, disse que os consumidores estão trabalhando, seus salários estão aumentando e eles estão gastando e economizando. Hoje, o rendimento dos Treasuries se elevou, demonstrando menor aversão ao risco e os vencimentos mais longos da curva de juros americana empinaram.

 

Em relação à disputa com a China, Kudlow disse que emissários dos dois países podem conversar nos próximos dias. Hoje, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, disse que o governo norte-americano vai permitir que a Huawei compre suprimentos de companhias norte-americanas. A licença será prorrogada por 90 dias; originalmente, o prazo expiraria hoje. Tudo isso não representa, contudo, avanços no diálogo entre os dois países. Ontem mesmo, Donald Trump falou que não está pronto para um acordo com a China, isso depois de tuitar que as conversas andam bem. E a questão de Hong Kong pode ser um fator complicador, à medida em que os EUA pressionam para que Pequim tome alguma atitude diante dos protestos. A expectativa é que Trump arraste as conversas até as eleições, a despeito de problemas que isso possa causar a empresários americanos.

 

Os mercados também vivem a expectativa de possíveis sinais sobre as políticas monetárias dos bancos centrais mundo afora. No meio desta semana, serão divulgadas atas do Federal Reserve e do Banco Central Europeu. Na sexta, o presidente do Fed, Jerome Powell, discursará na reunião de Jackson Hole. O investidor atenta para os estímulos mundo afora. No final de semana foi a vez da China: o país asiático apresentou uma reforma nos juros para reduzir os custos de empréstimo para empresas. O Banco do Povo da China comunicou que vai implementar melhorias no mecanismo usado para estabelecer a principal taxa de empréstimo a partir deste mês, em uma medida para reduzir a taxa de juros real a empresas.

 

O Ibovespa opera em alta de 0,40%, a 100.207 pontos, com volume projetado de R$10,1 bilhões, abaixo das médias diárias do ano. O dólar futuro, que abriu em queda, passou a subir acompanhando o movimento da moeda no exterior, especialmente em relação a outras divisas de países emergentes. Às 12h00, subia 0,62%, a R$4,036. Apesar da menor aversão ao risco, a alta do dólar pode estar respondendo a uma expectativa de que a economia norte americana esteja mais fortalecida em relação a outras. Vale lembrar que na quarta começa a venda de dólares à vista por parte do Banco Central. Os juros operavam mistos, com o DI para janeiro próximo recuando 5 pontos-base, enquanto os mais longos avançavam. O relatório Focus de hoje mostrou que o mercado mantém a previsão de Selic em 5% no final deste ano e em 5,50% em 2020.

 

Entre as companhias do Ibovespa, a B3 ON é o papel que mais pesa na ponta das altas, com avanço de 2,9%; na sexta-feira, a ação foi incluída como quinta entre as cinco mais pesadas do Ibovespa. Entre os demais destaques, a BR Distribuidora ON tem o maior ganho percentual, com avanço de 4,03%, a R$28,90, após anunciar, na sexta-feira, que iniciou a venda da Stratura Asfaltos, antiga Ipiranga Asfaltos. Na ponta oposta, Qualicorp é a maior queda em variação ao recuar 1,85%, de R$26,99; a companhia aprovou, em Assembleia Extraordinária, a redução do capital social no montante de R$980 milhões.

 

Para o mercado local, lembre-se que hoje é dia de vencimento de opções sobre ações e cotas de ETFs. No noticiário, fique atento a comentários de membros do governo brasileiro sobre a possível transferência do Coaf para o Banco Central, o que deve resultar na saída do atual presidente do órgão, Roberto Leonel, indicado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro. Leonel se tornou alvo da insatisfação do presidente Jair Bolsonaro recentemente pelo caso envolvendo um ex-assessor e seu filho, o senador Flávio Bolsonaro. Também pode causar alguma tempestade local a ingerência de Bolsonaro na escolha do superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Lá fora, siga de olho nos tuítes de Trump e eventuais falas de outras autoridades norte-americanas sobre as negociações com a China.

 

(Foto: Guarda da China/ Wikicommons)

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