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Ibovespa pega carona no exterior e sobe, mas cautela limita ganhos; câmbio continua volátil

Postado por: TC Mover em 27/08/2019 às 13:40

A bolsa brasileira sobe hoje, desde a abertura do pregão, acompanhando o movimento inicial dos principais índices acionários nos Estados Unidos e na Europa – apesar de o PIB da Alemanha ter confirmado a contração de 0,1% no segundo trimestre. Os investidores seguem de olho nas idas e vindas da guerra comercial EUA-China, que ontem teve um relativo alívio após o presidente americano Donald Trump suavizar o tom em relação aos chineses na reunião do G7. Hoje, o ministro do Exterior da China declarou que as sobretaxas não são construtivas, e o país asiático também anunciou medidas destinadas a aumentar o consumo, incluindo a possível remoção de restrições de compra de carros.

 

Por outro lado, nesta madrugada houve a maior desvalorização do iuan chinês desde 6 de agosto: a moeda tocou os 7,1613 iuanes por dólar na manhã desta terça-feira, queda de 0,14%. Os temores com a falta de progresso na resolução da disputa comercial entre a China e os EUA fazem o investidor apostar que o Banco Central do Povo da China provavelmente permitirá uma depreciação gradual do iuan, disseram analistas e gestores. Assim, a divisa chinesa caminha para seu pior mês desde 1994, com recuo de mais de 4,1%. E o Irã se nega a negociar com os EUA em nome de algum alívio nas sanções econômicas atreladas ao desmonte do programa nuclear da nação islâmica.

 

Ou seja, a bagunça geopolítica e os fundamentos quanto a uma recessão global continuam presentes, o que faz com que o investidor não deixe a prudência totalmente de lado. Por isso, o ouro avançava nesta manhã, apesar de uma queda nos Treasuries de dez anos. As commodities metálicas e minerais mais atreladas à atividade econômica global, como o cobre e o minério de ferro, recuavam hoje – mais sinais de que a confiança continua frágil. Os ativos podem ter um comportamento errático ao longo desta terça-feira. Com essa instabilidade, os índices Dow Jones e S&P500 viraram para o negativo por volta de 12h30. Mesmo assim, o Ibovespa manteve alta, subindo 1,14%, a 97.526 pontos, perto de 12:30, com volume projetado de R$12,6 bilhões, dentro das médias diárias do ano.

 

O dólar oscilou bastante, mas avançava no meio do dia, alcançando R$4,182, maior máxima intradia desde 26 de setembro de 2018. Segundo operadores, investidores comprados em dólar aproveitam o pregão de hoje para antecipar a fixação da Ptax em um nível maior – o último pregão do mês é na sexta-feira. O motivo? A incerteza com a guerra comercial. Os juros operavam mistos, com os de vencimentos mais próximos caindo. Nesta manhã, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reiterou que há espaço para ajuste adicional na taxa Selic, dependendo da agenda de reformas de natureza fiscal, durante sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Ele ponderou, no entanto, que permanecem os riscos relacionados a uma recessão global.

 

Entre os destaques corporativos, Petrobras PN e Itaú PN lideram o avanço do Ibovespa em pontos, com altas de 3,55% e 1,93%, respectivamente. A petroleira tem ganhos após matéria da Reuters dizer que as maiores petroleiras e tradings de combustíveis do mundo estão interessadas em comprar as oito refinarias que a estatal quer vender. Entre as quedas, as ações ordinárias da JBS recuam 1,73%. A unit do BTG Pactual sobe 13%, após despencar mais de 18% na sessão de ontem com o vazamento de denúncia anônima de lavagem de dinheiro – o banco nega operações ilícitas que foram mencionadas pelo site O Antagonista. Hoje o banco reiterou a continuidade do plano de recompra de ações.

 

No plano local, o investidor deve ficar atento a qualquer desdobramento quanto às notícias de que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, corre o risco de ser indiciado após um relatório da Polícia Federal sobre supostos repasses da Odebrecht. Também é importante seguir atento ao comportamento do governo brasileiro quanto aos incêndios na Amazônia. Segundo Dan Kawa, CIO da TAG Investimentos, “o mercado está começando a perder um pouco de paciência” com a retórica do Planalto. Vale dizer que hoje, Trump tuitou a favor de Bolsonaro, dizendo que o presidente brasileiro “está trabalhando duro nos incêndios na Amazônia”, e que o Brasil tem apoio total dos EUA. De acordo com o membro experiente do TC e analista político da IdealPolitik, Leopoldo Vieira, uma aliança com os americanos ​afastaria o risco de o Brasil sofrer condenações mais firmes e práticas​ na questão da Amazônia.

 

Na seara das reformas, hoje o senador Tasso Jereissati entregou o parecer da Reforma da Previdência aos presidentes do Senado e da Comissão de Constituição e Justiça – segundo Jereissati, a economia com a atual proposta deve ser maior que a aprovada na Câmara, com impacto de R$1,3 trilhão. A leitura do documento deve começar amanhã. Na agenda desta tarde, o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, fala na CPI do banco na Câmara, às 14h30. Bolsonaro e Guedes se reúnem ainda hoje, junto com o presidente do Banco Central e o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni – importante acompanhar possíveis falas após o encontro. Continue, como sempre, atento aos desdobramentos da disputa EUA-China.

 

(Foto: Roberto Campos Neto – Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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