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Ibovespa opera volátil; mercado monitora guerra comercial e Nova Previdência

Postado por: TC Mover em 30/09/2019 às 13:04

A bolsa brasileira opera com forte oscilação nesta manhã, descolando-se de Nova Iorque, onde o mercado avança, impulsionado pela menor tensão comercial entre Estados Unidos e China, depois que um porta-voz do Tesouro americano desmentiu que o governo estivesse estudando impor limitações a empresas chinesas para listagem em Wall Street. Lá fora, dados da China também corroboram o clima de bom humor. O PMI Caixin de manufatura teve leitura de 51,4 para setembro, a mais alta desde fevereiro do ano passado, e superior ao consenso de 50,2. Mesmo com um tuíte belicoso do presidente americano Donald Trump em relação à China, as bolas nova-iorquinas subiam. O S&P500, aliás, caminha para entrar no quarto trimestre com seu maior ganho acumulado no ano em mais de duas décadas, segundo o The Wall Street Journal. Tanto o índice Dow Jones Industrials, quanto o S&P500 avançavam perto de 12h00.

 

O bom humor externo não foi o bastante, no entanto, para fazer com que o Ibovespa firmasse alta. Por aqui, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reiterou que, após apreciação na Comissão de Constituição e Justiça, a Reforma da Previdência segue amanhã para o plenário do Senado, onde deve ser votado em primeiro turno; o segundo turno está previsto para a segunda quinzena de outubro. Segundo o diretor da Mirae Corretora, Pablo Spyer, o investidor está cauteloso, de olho na rapidez da aprovação da Nova Previdência. Além disso, contribui para a volatidade do pregão a formação da taxa Ptax hoje. O investidor monitora também a articulação em Brasília. Ontem, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo soltaram matérias sugerindo perda de influência do ministro da Economia, Paulo Guedes, dentro do governo. Segundo a Folha, o presidente Jair Bolsonaro tem feito consultas sobre assuntos econômicos com um grupo constituído pelos ministros Onyx Lorenzoni, Tarcísio Freitas e Augusto Heleno.

 

Por outro lado, Guedes se aproximou de Alcolumbre e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ambos desafetos de Bolsonaro. Lembremos que, apesar de a Reforma da Previdência estar em fase avançada de tramitação, Guedes tem outras batalhas grandes pela frente, como a Reforma Tributária. O presidente da República se reúne com Guedes às 14h00. No front externo é bom se manter atento às questões geopolíticas. No final de semana, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed Bin Salman, disse ao programa americano “60 Minutes”, da CBS, que uma guerra entre seu país e o Irã levaria a um colapso da economia global e deve ser evitada. Os EUA tampouco querem guerra. O príncipe disse que os preços do petróleo subiriam para níveis “que ainda não vimos” e que o mundo precisa tomar ações firmes para segurar o Irã. De seu lado, o Irã disse nesta segunda-feira, segundo a ABC, que o ataque às instalações da Saudi Aramco neste mês foi um ato de “defesa legítima” dos rebeldes houthis, aliados de Teerã no Iêmen. O governo iraniano segue negando envolvimento no incidente.

 

Nesse contexto, o Ibovespa caía 0,30%, a 104.759 pontos, por volta de 12h20 – tendo chegar a operar no azul em alguns momentos -, com volume projetado de R$17,3 bilhões. O dólar futuro avançava 0,20%, a R$4,176, com a alta da moeda americana no exterior. Os juros caem em bloco, com o DI com vencimento em janeiro próximo recuando 0,5 ponto-base. O relatório Focus do Banco Central desta segunda mostrou redução na projeção da Selic em 2019, de 5,00% para 4,75%. A Localiza ON tem a maior alta percentual e em pontos do índice Bovespa na sessão de hoje, avançando 2,20%, apesar de um projeto de lei em tramitação que cria critérios mais duros para a revenda de veículos por parte das locadoras. Segundo relatório da XP de hoje, o PL está sendo discutido na Comissão de Desenvolvimento do Congresso Nacional, com tendência de um parecer favorável, e pode impactar a velocidade de venda de veículos usados nas locadoras de carros. Itaú Unibanco e Bradesco PN têm os maiores pesos negativos do índice, recuando 0,87% e 0,99%.

 

A ANP informou que a rodada de excedente da cessão onerosa tem total de 14 empresas habilitadas, incluindo a Petrobras, BP Energy, ExxonMobil, Shell e Total. As ações ON e PN da petroleira estatal caem 0,43% e 0,40%, respectivamente. A queda dos preços do petróleo também pesa na companhia. Um relatório do BTG Pactual divulgado na manhã de hoje diz que a queima de caixa acelerada da Oi é a principal preocupação dos acionistas minoritários. A ação ON da companhia cai 2,06%, a R$0,95. Segundo o banco, esse quadro de ceticismo só será revertido se a Oi vender o mais rápido possível ativos não essenciais que ajudem a levantar capital para continuar com o ambicioso plano de investimentos da operadora. Para a tarde de hoje, o Banco Central informa dados fiscais de resultado primário, resultado nominal e relação dívida/PIB de agosto. Os números seriam divulgados pela manhã, mas a autarquia adiou para as 14h00. No exterior, o Japão informa o PMI manufatura de agosto à noite. O investidor também se prepara para o possível início da votação da Previdência amanhã, na CCJ do Senado pela manhã e, provavelmente, em seguida, no Plenário, em primeiro turno. Fique de olho nos desdobramentos da guerra comercial, do impeachment de Trump e no encaminhamento de pautas em Brasília.

 

(Foto: Davi Alcolumbre/ Wikicommons)

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