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Ibovespa descola do exterior e cai em dia de exercício de opções; amanhã tem discurso do Fed e IPP da Alemanha

Postado por: TC Mover em 19/08/2019 às 17:54

O dia começou bem para o Ibovespa, que subia acompanhando o movimento dos índicesacionários norte-americanos, reflexo de um menor temor de recessão nos Estados Unidos e de algum sinal de arrefecimento da guerra comercial EUA-China. À tarde, no entanto, a bolsa brasileira sofreu uma pressão vendedora com o exercício de opções, e acabou fechando em queda. Segundo o analista de renda variável da H. Commcor, foi esse motivo técnico que acabou fazendo o índice virar, apesar de um clima melhor mundo afora: “A maioria das opções foi de puts, foram R$7 bilhões, muita gente foi obrigada a comprar mais caro e acabou vendendo”.

 

Os fundamentos do mercado continuam os mesmos: guerra comercial, conflito em Hong Kong– aliás, hoje, Facebook e Twitter acusaram a China de fazer uma campanha de desinformaçãocontra os manifestantes -, sinais de desaceleração global, instabilidade política na Argentina. O relativo bom humor de hoje, que fez os índices Dow Jones Industrials e S&P500 fecharem em alta, refletiu questões pontuais, como as afirmações, no final de semana, de Larry Kudlow, conselheiro econômico da Casa Branca, de que a economia norte-americana vai bem e de que emissários dos EUA e da China devem sentar para conversar em breve. Além disso, o governo norte-americano prorrogou por mais 90 dias a licença da chinesa Huawei para comprar suprimentos de companhias dos Estados Unidos. O investidor também comemorou os anúncios de possíveis estímulos na China e na Alemanha.

 

Um dos motores do apetite por risco nesta segunda-feira foi a alta generalizada nos juros dos títulos da dívida dos países desenvolvidos. Nos EUA, os Treasury yields de dez anos se aproximavam de 1,60%; na Alemanha, rumores de que o governo vai abandonar o credo de não usar o gasto público para ressuscitar o crescimento puxou os rendimentos dos Bunds para cima, perto dos -0,65%. A confirmação de que governo americano está sondando os investidores para oferecer títulos de 50 e 100 anos aceleraram o desacatamento da curva, forçando os juros dos vencimentos mais longos para cima. O otimismo se firma com a expectativa de que as atas das decisões de juros nos EUA e na Europa e o simpósio de Jackson Hole sacramentarão as apostas de mais estímulo monetário. Falando em estímulo, hoje, Eric Rosengreen, diretor do Fed de Boston, disse à Bloomberg TV que votou contra o corte de juros em julho porque a economia americana “vai muito bem”.

 

Afinal, será que o gasto público reavivaria as economias mais ricas? O Brasil tentou fazer isso entre 2011 e 2014 e se deu mal. E o plano do Tesouro americano de se endividar por um século inteiro? Há um falso senso de segurança em relação a títulos de 100 anos e as experiências recentes – Áustria e Argentina – corroboram os riscos da estratégia. Ajudaria um pouco de estabilidade? Muito. Por exemplo, hoje o presidente americano Donald Trump voltou a atacar o Federal Reserve e pediu um corte de 1 ponto percentual na taxa Fed Funds. Se ele pressionasse menos, o mercado de juros não estaria tão volátil.

 

Apesar do maior apetite por risco, o dólar se fortalecia ante moedas emergentes neste começo de semana. O real foi a segunda moeda dessa cesta que mais perdeu valor, atrás apenas da lira turca. Segundo o membro experiente do TC Pedro Albuquerque, a desconfiança do investidor em relação aos emergentes é reflexo, em parte, da instabilidade na Argentina. Neste final de semana, o ministro da Fazenda renunciou, e o candidato à presidência Alberto Fernández, à frente da corrida de acordo com as prévias, falou em renegociar a dívida com o FMI, despertando temores de moratória.

Os ADRs de companhias argentinas caíram mais de 7% em Nova Iorque. Mas, importa dizer, o movimento do dólar não estava totalmente claro para o mercado; muita gente experiente ficou sem entender o que estressou tanto a moeda.

 

Nesse cenário, o Ibovespa fechou em queda de 0,34%, a 99.468 pontos, com volume negociado de R$12,05 bilhões. O dólar futuro avançava 1,61% no final da sessão, negociado a R$4,075. Os juros avançavam em bloco, com o DI para janeiro próximo em alta de 2,5 pontos-base.

 

No âmbito corporativo, os bancos lideraram o recuo do Ibovespa, com a queda de 1,44% de Bradesco PN com o maior peso. Já a B3 teve a maior alta percentual do índice nesta segunda-feira, avançando 2,25%, após a ação ter sido incluída como quinta entre as cinco mais pesadas do Ibovespa. A Petrobras fechou o dia no azul, com alta de 1,36% na ação ON, após notícia da Reuters, citando fontes, dizer que a estatal recebeu três ofertas “muito boas” pela Liquigás. Já as ações da Oi seguem negociadas próximas de R$1 na esteira das perdas pelo caixa fraco. O maior acionista da companhia, a gestora GoldenTree, sugeriu a saída do diretor-presidente, Eurico Teles, em carta enviada ao conselho, segundo notícia do Valor.

 

Amanhã, alguma sinalização de política monetária pode aparecer com o discurso do diretor do Fed Randal Quarles, às 19h00. Fique atento também aos indicadores que serão divulgados: a Alemanha divulga o IPP de julho e os Estados Unidos informam dados de estoques de petróleo semanal. Siga de olho nos tuítes de Trump e eventuais falas de outras autoridades norte-americanas sobre as negociações com a China.

 

No plano local, é importante ficar atento a comentários de membros do governo sobre a possível transferência do Coaf para o Banco Central. Também pode causar alguma tempestade local a ingerência de Bolsonaro na escolha do superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Também fique de olho no Senado: amanhã começa a série de audiências públicas sobre a Reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça. O primeiro dia terá a presença do secretário especial da Previdência, Rogério Marinho.

 

(Foto: Donald Trump – Joyce N. Boghosian/ Official Whte House Photo)

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