TC Mover
Mover

Humor azeda em Nova Iorque e aborta recuperação na B3; leilão do BC não impede salto do dólar

Postado por: TC Mover em 22/08/2019 às 14:29

O temor de uma desaceleração econômica global cada vez pior e mais profunda, leva a uma procura maior por proteção e impacta o desempenho das bolsas em Nova Iorque, gerando, por sua vez, uma postura mais defensiva entre os investidores no Brasil. Perto do meio-dia desta quinta-feira, o índice Bovespa reverteu parte dos ganhos da véspera, refletindo, em parte, a maior aversão global ao risco, a segunda inversão da curva de juros nos Estados Unidos em dois dias e a decepção com o pacote magérrimo de privatizações que foi anunciado ontem pelo governo do presidente Jair Bolsonaro.

 

O mercado sente o peso da expectativa em relação ao início do evento mais importante da semana, o simpósio de banqueiros centrais em Jackson Hole, nos Estados Unidos. Quaisquer discursos dos presidentes dos maiores BCs do planeta irá repercutir, especialmente o do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, programado para amanhã. Para analistas da Coinvalores, a fala de Powell, que hoje sofreu mais ataques por parte do presidente americano Donald Trump, “certamente irá trazer volatilidade, com o mercado atento a qualquer sinalização a respeito da condução da taxa de juros.”

 

A edição do Jackson Hole deste ano é a mais esperada em anos. Isso porque o simpósio chega em um momento em que o mercado está sedento por pistas de como Powell sinalizará o rumo das próximas decisões de política monetária do Fed em meio a um conturbado cenário global – onde as relações comerciais estão sendo postas à risco. Os índices Dow Jones e S&P500 recuam 0,10% e 0,37% por volta das 12h30, enquanto o rendimento do Treasury note de dez anos operava a 1,593%, abaixo do de dois anos – fenômeno conhecido como inversão da curva e que prenuncia recessões no médio prazo.

 

Quem achava que o quadro técnico local havia melhorado ontem, não somente pela volta de uma agenda positiva quanto às reformas e medidas de liberalização econômica, mas também pelo humor menos azedo do investidor global, errou: era muito cedo para cravar isso. A ata da reunião de juros do Banco Central Europeu, assim como os dados pouco conclusivos dos PMIs na Europa e nos EUA, e mais uma rodada de saída do estrangeiro na B3, puxam o Ibovespa 0,66% para baixo, liderado por bancos e varejistas.

 

Algumas das altas de ontem na B3 estão sendo devolvidas, especialmente aquelas relacionadas às estatais: os papéis PN da Petrobras, que ontem saltaram quase 6%, hoje caem 0,71%. Uma Petrobras totalmente privatizada dobraria o valor das ações da petroleira, mas o interrogante é se o Congresso topará se engajar no plano, disseram analistas do Bradesco BBI. Eletrobras ON sobe 1%, após forte alta de 12,4% na véspera. A recente queda nas cotações do minério mantém os papéis ON da Vale pressionados, apesar de estarem negociando a um múltiplo muito atrativo de 4 vezes EV/EBITDA, disseram analistas da XP.

 

A prévia de inflação de agosto, o IPCA-15, que veio abaixo do consenso, impactou brevemente os DIs, que tocaram mínimas históricas nos vencimentos para janeiro de 2020 e 2021. A postura mais defensiva do investidor levou os juros a embutirem mais prêmio ao longo da curva. Em relação ao câmbio, o alívio do leilão conjugado de venda de dólares à vista e de swaps reversos também foi curto: após colocar somente 36% dos recursos à vista ontem, o Banco Central colocou hoje todos os US$550 milhões à vista e os 11 mil swaps reversos em oferta. Mesmo assim, a pressão levou a alta de 0,67% no dólar futuro, cotado a R$4,0560.

 

Ainda hoje, é importante acompanhar a agenda do exterior, como a divulgação do índice de atividade econômica da Argentina de junho, que pode afetar os mercados emergentes. À noite, o Japão informa dados de IPC mensal e anual de julho. Enquanto isso, os investidores já se preparam para a fala de Powell em Jackson Hole, amanhã às 11h00, horário de Brasília. No plano local, os investidores aguardam notícias que podem surgir da reunião extraordinária da Anatel sobre a compra da Warner pela AT&T, assim como de possíveis anúncios por parte de Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes, em evento às 16h00.

 

(Foto: Jackson Hole, Wyoming – Teller Report)

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Experimente 7 dias grátis