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Fim de mês volátil prenuncia pregão ameno; no radar, dados de EUA, PNAD, Argentina e Hong Kong

Postado por: TC Mover em 30/08/2019 às 9:05

Os ativos de risco mostram recuperação sólida nesta sexta-feira, último pregão de um dos meses mais voláteis nos últimos dois anos. As bolsas europeias e os futuros dos índices acionários americanos avançam, enquanto a aversão ao risco perde tração após o Japão reduzir as recompras regulares de títulos de cinco e dez anos. Os índices em Tóquio lideraram as altas na madrugada de hoje na Ásia, enquanto Hong Kong caiu por conta da prisão de três líderes proeminentes dos protestos que assombram a cidade há cerca de dois meses. A recuperação dos mercados globais se deve a, primeiro, o tom mais conciliador da China em relação à guerra comercial e, segundo, a um possível rebalanceamento das carteiras na esteira do rali da renda fixa nos Estados Unidos. Não se surpreenda se o apetite por risco voltar em setembro, como consequência desse fenômeno.

 

Mas isso não implica que as bolsas, ou os ativos de risco em geral, buscarão intervalos de negociação em níveis mais altos. Para gestores como Sérgio Machado, da SF2 Investimentos, o quadro econômico global continua preocupante, o que explica, em grande parte, essa fome por ativos mais seguros, como o iene ou os Treasuries americanos. Os fundos dedicados à renda fixa tiveram captação recorde acima dos US$150 bilhões nos últimos três meses, segundo o Bank of America. A bolsa no Brasil deve buscar negociar perto das máximas do ano, ou levemente abaixo delas, assim como o S&P500 ou o Dow Jones Industrials. Mas somente milagres levariam à retomada de recordes, disseram membros experientes do TC. E não perca de vista o fato de que as tensões geopolíticas, dominadas pela guerra China-EUA, também podem piorar em Hong Kong ou no Oriente Médio.

 

Agosto deixa algumas cicatrizes e uns tantos hematomas nas carteiras dos investidores, especialmente aqueles mais expostos a ativos de risco – como as ações. Mesmo com a recuperação desta semana no Ibovespa, que deve registrar a segunda alta semanal em dois meses, até ontem, todos os índices setoriais da bolsa, com exceção dos de consumo, indústria e utilidades, estavam no vermelho no mês. Nem pela liderança do dólar, que até ontem subia quase 9% no mês e era líder nas aplicações em agosto, ou do ouro, que subia 7,3%, assessores de investimento pararam de sugerir a seus clientes para entrar na bolsa, de acordo com relatos de membros da comunidade TC e de escritórios de agentes autônomos. No entanto, ninguém acha que a volatilidade vai amenizar. O Ibovespa perde 1,26% até agora – a pior queda mensal desde fevereiro. O CDI rende, desde o começo do mês até ontem, 0,52%.

 

Quais podem ser os catalizadores para setembro? Com o rebalanceamento do Ibovespa já definido – entram Notredame Intermédica ON e BTG Pactual no índice e a B3 ON ganha mais peso – o investidor quer notícias melhores. O avanço das Reformas da Previdência e Tributária no Congresso é uma realidade, assim como a discussão de pautas relevantes como a Lei das Teles e a Lei da Liberdade Econômica. Os parlamentares estão engajados, disse o analista político da IdealPolitik e membro experiente do TC, Leopoldo Vieira. Os balanços positivos do segundo trimestre, assim como a aposta em juros menores e em uma gestão menos tumultuada por parte do presidente Jair Bolsonaro alimentam o apetite por risco. Na contramão, cuidado com a guerra comercial, a desaceleração global, os desdobramentos da crise ambiental na Amazônia e a moratória da Argentina.

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