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Exterior à espera do Fed; mercado avalia rumo do novo governo no Brasil

Postado por: TC Mover em 08/11/2018 às 9:09

O pregão de quinta-feira começou com números robustos da balança comercial da China em outubro e os mercados em tom de espera, mas não de cautela, em dia de decisão da taxa de juros por parte do Federal Reserve, que deve mantê-las inalteradas e só elevá-las mês que vem. O anúncio é às 17h00, horário de Brasília. Os futuros das bolsas americanas oscilavam na abertura, enquanto os índices acionários europeus caminham sem direção definida. A expectativa de um viés mais severo no comunicado do banco central americano de hoje mantém os rendimentos dos títulos da dívida americana perto dos maiores patamares no ano.

 

Já no Brasil, a coisa não está tão tranquila assim. A decisão de ontem do Senado de aprovar o aumento de salário dos ministros do Superior Tribunal Federal, provocando um efeito cascata em todo o Judiciário que vai custar aos contribuintes nada menos que R$1,5 bilhão ao ano, é destaque negativo e reflete os desafios que esperam o presidente eleito, Jair Bolsonaro, em relação a conter a fome do Estado brasileiro por recursos. Isso, combinado com a pouca determinação do Congresso em votar a reforma da Previdência, ou parte dela, antes do final do ano, deve ofuscar notícias positivas, como o acordo para votar o projeto de cessão onerosa, programado para 27 de novembro, e o das incorporadoras. Os temores com a capacidade de Bolsonaro de engajar os poderes Legislativo e Judiciário em um amplo movimento de corte de gastos crescem a cada dia – pisando no freio do rali pós-eleição. Para nosso contribuidor Ivan Kraiser, gestor da Garín Investimentos, isso explica o desempenho pífio na bolsa, no câmbio e nos juros ao longo deste mês.

 

Outro motivo que deve manter o mercado sob estresse é o fato de que os estrangeiros ainda continuam embolsando lucros, mesmo após terem tirado quase R$6 bilhões da B3 no mês anterior. Isso está aumentando a procura por proteção. Hoje há uma enxurrada de resultados do terceiro trimestre que serão divulgados, com destaque para BRF e Azul pela manhã. O Banco do Brasil soltou números em linha com o consenso, mas a redução do guidance para crescimento da margem financeira pode incomodar o investidor. Fique de olho nos anúncios do novo governo, a agenda legislativa e o noticiário em relação aos planos de Bolsonaro para a economia.

 

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Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

— O rali das bolsas americanas de ontem, que reagiram aos resultados em linha com o consenso das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, puxaram a maioria das bolsas asiáticas na madrugada desta quinta-feira, também contaminando a abertura dos índices na Europa.

 

— Somente a China fechou o pregão na Ásia em território negativo, seguindo dados da balança comercial de outubro que mostrou alta maior que o esperado para as importações.

 

— Na Europa, o fechamento positivo na Ásia e o rali americano da véspera ajudam a puxar os índices para cima, em dia de mais uma rodada de balanços importantes: hoje teremos as do banco francês Société Generale, o banco alemão Commerzbank, a Siemens e a seguradora italiana Generali.

 

— Os investidores também ficam de olho em relatórios do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia com perspectivas para a economia da região.

 

— Mais indicadores de produção forte de petróleo nos EUA fizeram com que os preços da commodity recuassem nesta madrugada. Alguns analistas já começam a ver preocupações de sobreoferta mundial, que poderia levar à Opep, a organização dos países produtores de petróleo, a retomar os cortes na produção.

 

Breve análise do último pregão no Brasil: Persiste muita indefinição em relação aos anúncios de consolidação fiscal e às reformas que o novo governo deve empreender. Isso fez o mercado desmontar posições compradoras e assumir um viés de maior cautela. Uma releitura do resultado das eleições de meio de mandatos nos EUA pode ter criado mais ruído na sessão de ontem.

 

Principais notícias corporativas do dia

 

— Segundo a imprensa local, o presidente eleito Jair Bolsonaro cogita manter o atual diretor-presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, no cargo. Esse parece ser o destaque corporativo do dia. Paulo Guedes, o futuro ministro da Fazenda de Bolsonaro, deve dar a última palavra. Já o ex-Vale Roberto Castello Branco deverá presidir o conselho de administração da estatal.

— Na sua teleconferência de resultados de ontem, a Petrobras afinou o foco da sua estratégia à espera da divulgação do plano plurianual da estatal, daqui a pouco menos de um mês. Redução de dívida, mais desinvestimentos, melhoria da eficiência e queda nos acidentes serão o norte estratégico da companhia para os próximos anos.

— A proposta dos distratos, aprovada ontem no Senado, deve ajudar a destravar valor das incorporadoras, principalmente, para aquelas atuantes nos segmentos de média e alta renda – onde os distratos têm maior incidência.

— Banco do Brasil, o segundo maior banco do país, divulgou nesta quinta-feira lucro líquido recorrente para o terceiro trimestre de R$3,4 bilhões, levemente acima do consenso de R$3,39 bilhões. O valor é 25,6% maior na base anual e 5% maior na base sequencial.

— Segundo o BB, a melhora no atendimento, o avanço da estratégia digital e novos produtos alavancaram o crescimento das rendas de tarifas, enquanto a melhor qualidade do crédito e controle das despesas administrativas ajudaram às margens.

— No entanto, o mercado pode reagir mal à decisão do BB de reduzir a meta de variação da margem financeira bruta, que passou de uma contração de até 5% para crescimento nulo, a uma queda entre 5% e 6,5% para este ano. Isso sinaliza que a pressão concorrencial e a demanda fraca por algumas linhas de crédito estão pesando na receita de juros e a atividade de crédito do banco estatal.

— Petrobras: O Senado aprovou urgência para o projeto da cessão onerosa.

— Ultrapar: A companhia apresentou crescimento da receita, mas queda no lucro líquido e EBITDA no terceiro trimestre.

— Cyrela: O acordo de acionistas da empresa foi extinto após morte de Rogério Zylbersztajn.

— MRV: O lucro da construtora no terceiro trimestre veio em linha com o consenso, mas o EBITDA ficou abaixo das expectativas.

— Tupy: Lucro líquido da Tupy bateu o consenso no terceiro trimestre.

— Carrefour Brasil: os resultados trimestrais do varejista bateram o consenso com impulso do segmento de atacarejo e menores despesas.

— Cosan: A companhia registrou queda no lucro líquido ajustado e no EBITDA ajustado no terceiro trimestre, além de mudar algumas das suas metas para o ano.

— Energias do Brasil: A elétrica adquiriu ações da Celesc e agora detém 23,56% do capital social da companhia.

— Via Varejo: A companhia informou que concluiu a migração para o Novo Mercado da B3 e começará a negociar as ações ON em 26 de novembro.

— Itaú: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais manteve uma autuação fiscal de R$1,2 bilhão ao banco. Ainda cabe recurso.

— Renova Energia: A elétrica espera anunciar venda do parque eólico Alto Sertão III ainda este ano.

— O crescimento e diversificação das companhias de saúde hospitalar e diagnósticos no Brasil deve levar o investidor a se tornar mais seletivo no segmento, disseram analistas do Credit Suisse, que começou a cobrir o setor mostrando cautela pela alta da inflação hospitalar.

— Hapvida: Recebeu recomendação outperform do Credit Suisse e preço-alvo de R$36.

— Odontoprev:  Recebeu recomendação outperform do Credit Suisse e alvo de R$17.

— Fleury: Os analistas do Credit Suisse estabeleceram preço-alvo de R$20 para a Fleury, com recomendação underperform.

— Qualicorp: Ganhou recomendação neutra do Credit Suisse e alvo de R$16.

— Locamerica: A Safra Corretora reiterou recomendação outperform da Locamerica por achar que a empresa está negociando com desconto exagerado em relação aos pares.

— Azul: A aérea divulga números do terceiro trimestre hoje.

— BRF: A companhia divulga números do terceiro trimestre hoje.

— Estácio: a companhia teve crescimento no lucro líquido do terceiro trimestre.

— CSN: O resultado da siderúrgica no terceiro trimestre bateu o consenso por ampla margem, graças a itens não recorrentes. O mercado está de olho nos anúncios da siderúrgica sobre vendas de ativos para desalavancar o balanço.

 

Agenda do dia


Indicadores nacionais

— 08h00: Indicador Antecedente de Emprego – FGV

— 08h00: Indicador Coincidente de Desemprego – FGV

— 08h00: IPC-S até 7 de novembro – FGV

 

Indicadores internacionais

— N.D.: Balança Comercial da China em outubro; consenso US$35 bilhões

— 05h00: Balança Comercial da Alemanha em setembro; consenso €18 bilhões

— 07h00: Boletim econômico do Banco Central Europeu

— 11h30: Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego dos EUA; consenso 214 mil

— 23h30: IPC da China de outubro; consenso 0,2% na base mensal

— 23h30: IPP da China de outubro; consenso 3,3% na base anual

 

Eventos

— N.D.: Ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, tem reuniões em Londres

— N.D.: Deputada federal Tereza Cristina, indicada ao Ministério da Agricultura por Bolsonaro, é recebida pela equipe de transição

— 09h00: Equipe econômica do governo de transição tem reuniões sobre privatizações

— 11h00: Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, tem reunião com José Barroso, ministro do Superior Tribunal Militar

— 12h30: Presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, fala em Dublin

— 14h30: Equipe econômica do governo de transição tem reuniões sobre ajuste fiscal

— 15h30: Reunião Apimec com EDP Energias do Brasil em São Paulo

— 15h00: Relatório WASDE – Departamento de agricultura dos EUA

— 17h00: Decisão da taxa de juros dos EUA; consenso manutenção em 2,0% a 2,25%

 

Resultados Corporativos

Antes da abertura: Azul, Banco do Brasil, BRF

Depois do fechamento: Copel, Iochpe-Maxion, Cyrela, Tecnisa, Burger King, Aliansce, B3, Notre Dame Intermédica, CVC, Gafisa, Energisa, EZTec, Tenda, Direcional, Kroton, Equatorial, Rumo

N.D.:, Sabesp, Natura

 

Teleconferências

— 09h30: Minerva, Estácio

— 10h00: Comgás, Movida, BRF

— 11h00: Carrefour Brasil, Ultrapar, Senior Solution, Triunfo Participações, Time For Fun, MRV, IMC

— 12h00: CSN

— 14h00: Cosan

— 15h00: Azul

— N.D.: Multiplus

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

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