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Fase I e varejo dividem atenções em dia movimentado com balanços nos EUA; no radar, Livro Bege e câmbio

Postado por: TC Mover em 15/01/2020 às 9:15

A trégua comercial marcada pela assinatura da Fase I do acordo comercial entre os Estados Unidos e a China, marcada para às 13h30, horário de Brasília, pode ser de natureza temporária por conta das profundas divisões entre as duas maiores economias do mundo sobre questões estruturais – que vão desde os subsídios chineses às suas estatais até o domínio tecnológico. Para evitar que a China tire vantagem do acordo parcial, o presidente americano Donald Trump sinalizou que deve manter as sobretaxas e outras restrições até as negociações avançarem em temas mais espinhosos. Talvez por isso os mercados operem um tanto cautelosos à espera do evento, com os futuros dos índices americanos registrando leves quedas, o ouro subindo e o dólar americano mantendo os ganhos de ontem ante seus pares e divisas de países emergentes. No Brasil, o evento do dia é a divulgação das vendas no varejo de novembro, que podem referendar as chances de corte da taxa básica de juros Selic se vierem muito fracas; ontem, os dados de serviços elevaram para 47% a chance de corte da taxa no primeiro trimestre.

 

Apesar do alvoroço criado em dias recentes pela assinatura iminente da Fase I do entre os EUA e a China, há pontos que inquietam os investidores. Por um lado, alguns países sentem o custo da decisão chinesa de ceder à pressão americana, já que o país asiático usa o comércio com eles para compensar o impacto das sobretaxas de Trump. Também há empresas e economistas preocupados com o futuro da cadeia de suprimentos global. Outro ponto é como será efetivado o acordo, que puniria Pequim se descumprir promessas relacionadas à sua moeda, à propriedade intelectual e às práticas comerciais. Em relação ao primeiro ponto, por exemplo, as exportações chinesas mostraram grande capacidade de diversificação no ano passado, ou seja, chegaram a mais destinos diferentes, como forma de mitigar o impacto da agressividade tarifária dos EUA. Dados publicados ontem mostraram que as exportações para os EUA caíram 12,5%, mas os embarques totais aumentaram pouco menos de 1%. Mesmo que o superávit comercial da China com os EUA tenha caído 8,5%, o total aumentou mais de 20%, para US$422 bilhões. Assim, a China chega menos machucada para o início das conversas da Fase II.

 

Em dias recentes, alguns membros experientes do TC, como o trader Rafael Ferri, têm alertado sobre uma possível onda de ruído regulatório impactando os bancos comerciais brasileiros. Se isso tem levado à queda recentes dos papéis do setor, não sabemos com certeza. Mas é claro que o governo quer mexer no arcabouço regulatório da indústria. Agora, a Câmara quer regras mais duras sobre o cheque especial como forma de obrigar os bancos a oferecerem tipos alternativos de crédito aos correntistas. O texto está sendo construído sob supervisão do presidente da Casa, Rodrigo Maia. Esse projeto deve ser apresentado em fevereiro pelo deputado Raul Henry, do MDB. A proposta prevê que os bancos terão que informar os clientes com antecedência sobre a alteração de limites e devem oferecer alternativas mais vantajosas para o correntista em termos de taxa de juros e à cobrança de taxas financeiras, caso o saldo devedor do cheque especial permaneça por mais de 30 dias.

 

(Por Guillermo Parra-Bernal, com colaboração de Ana Siesdchlag e Vitor Azevedo | Foto: Trump e Xi – Casa Branca)

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