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Falta de aproximação entre poderes pressiona mercado, que despenca

Postado por: TC Mover em 25/03/2019 às 9:41

Os mercados futuros de câmbio, juros e renda variável abriram com forte viés de perdas nesta segunda-feira, refletindo a disputa entre o presidente Jair Bolsonaro e a Câmara quanto à reforma da Previdência e à articulação política, assim como sinais cada vez mais contundentes de que as maiores economias do mundo estão a caminho de uma recessão.

 

Os atritos entre Bolsonaro e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, estremeceram renda fixa e variável hoje, deixando-os vulneráveis aos vaivéns da política, onde os calendários de tramitação ou debate correm a ritmos diferentes dos que o mercado tolera. No caso da reforma, pedra angular da agenda econômica, uma tramitação mais demorada e atrapalhada tem traders e investidores se posicionando de forma defensiva.

 

De igual forma, o tombo que tomou conta dos mercados globais na sexta-feira continua a ditar o humor deste início de semana, com as ações asiáticas e europeias recuando e os futuros dos índices acionários americanos apontando para uma abertura em queda. Tanto o petróleo quanto o minério de ferro caem pelo terceiro dia seguido; o índice de volatilidade disparou e opera perto da máxima em um mês; e os fundos de índices de ações de países emergentes estão com tendência baixista, negociando perto das mínimas de últimos mês.

 

“Continuo bastante cauteloso e preocupado com o cenário internacional. Não acredito que o mercado irá embarcar, em linha reta, em uma tendência negativa. Mas me parece cada vez mais claro que estamos no estágio final do ciclo econômico e isso demanda posições externas mais defensivas,” disse Dan Kawa, diretor de investimentos do fundo TAG, no Rio de Janeiro. “No Brasil, não vimos uma mudança de postura ou aproximação entre o Executivo e o Legislativo. A situação continua bastante tensa e incerta.”

 

O índice futuro do Bovespa abriu em queda de 1,66%, tocando os 92,200 pontos a pior leitura desde a primeira semana de janeiro. O dólar futuro se fortaleceu 0,64% ante o real no início dos negócios, chegando a tocar os R$3,9380 às 09h05 – maior patamar desde final de dezembro. Os juros futuros corrigiram para cima de forma violenta, tanto nas pontas curtas quanto as longas. O DI com vencimento em janeiro de 2025 disparou até 20 pontos-base, enquanto o DI para janeiro próximo ultrapassou os 6,50%, o que significa que o mercado já começou a precificar, mesmo que de leve, uma alta da taxa básica de juros antes do final do ano.

 

Fique de olho hoje com as reuniões entre Bolsonaro e vários dos seus ministros para contornar a grave crise em torno da reforma, aprofundada por tuítes e declarações pouco amistosas entre os poderes Executivo e Legislativo. Também preste atenção nos discursos de hoje de autoridades do Federal Reserve, que podem confirmar o viés de docilidade da autarquia e de sérios problemas na economia global.

 

(Foto: Bolsonaro e Rodrigo Maia/ Antonio Cruz-Agência Brasil)

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