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Exterior puxa alta do Ibovespa após China fortalecer o iuan; mercado fica dividido após ata do Copom

Postado por: TC Mover em 06/08/2019 às 14:40

Não é que o mercado esteja em festa, mas há um sentimento, ainda que frágil, de alívio nesta terça-feira. Os responsáveis por isso são os mesmos que ontem fizeram os índices acionários sangrar mundo afora: os chineses. Depois de forçar a desvalorização do iuan na segunda-feira, em um acirramento da guerra comercial com os Estados Unidos, o Banco Central do Povo da China fixou a taxa de câmbio oficial para o iuan em 6,9683 iuanes por dólar hoje, mais forte do que os 6,98 iuanes de ontem, demonstrando um pequeno recuo na disputa.

 

O mercado conseguiu respirar melhor e caminha para uma recuperação no início desta tarde. Entretanto, a cautela continua. Qualquer sinal de retomada global será abafado por quaisquer tensões comerciais entre americanos e chineses, como diz o Monitor Sintético da Guerra Comercial do UBS, que rastreia como os ativos sensíveis à disputa se posicionam dentro do que é visto como regiões de temor ou complacência de mercado. Apesar disso, ainda que o otimismo global tenha reduzido, está longe de seus níveis mais pessimistas, segundo o MSGC.

 

Com o aumento do pessimismo entre os investidores nos últimos dias, as ações europeias e os mercados emergentes, como as do Brasil, podem reagir mais negativamente do que, por exemplo, os papéis americanos – que são mais resilientes -, a curto e médio prazos, segundo o UBS. Na sessão de hoje, os principais índices dos Estados Unidos ensaiam uma recuperação. O índice Dow Jones Industrials sobe 0,44% por volta das 13h00, após ter tido o pior pregão do ano ontem. O índice S&P500 avança 0,53%. Os ativos na Europa operam de lado nesta terça.

 

Na manhã de hoje, a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, também ajudou a melhorar o otimismo do mercado, mas, após releitura de alguns investidores de grande porte, provoca alguma pressão no câmbio. O documento diz que a inflação está bem comportada, deixando a porta aberta para mais um corte de juros à frente. Sem se comprometer com um movimento contundente na taxa Selic, o Copom cedeu às pressões do mercado para flexibilizar a política monetária em um ambiente incerto como o atual, disse Sérgio Machado, gestor da SF2 Investimentos e membro experiente do TC. O dólar futuro operava cotado a R$3,980 no mesmo horário. Os juros futuros caem em bloco, com o DI para janeiro próximo a 5,535%, queda de 3,5 pontos-base.

 

Por isso, o dólar futuro, que começou o dia em queda, virou no meio da manhã e chegou a testar os R$3,9940 na máxima do dia. Para Machado, a indicação de que pode haver, ou há espaço, para mais uma redução na Selic traz uma pressão altista no câmbio, relacionada a possível saída de recursos. “Não caiu bem essa sinalização entre alguns participantes do mercado, que vão testar o BC até onde ele aguenta sem intervir“, disse. Por um lado, é preciso levar em conta que a reunião do Copom se deu antes do acirramento mais recente da guerra comercial EUA-China. Assim, a chance do Banco Central reagir a esse momento com alguma intervenção no câmbio, como uma oferta de linha com recompra, cresceu bastante desde ontem.

 

Respondendo ao relativo alívio no exterior, o Ibovespa sobe 1,39%, a 101.490 pontos. Entre as companhias que compõem o índice, os papéis PN do Itaú lideravam os ganhos, em pontos, com alta de 1,80%, a R$35,07, recuperando-se da queda de ontem pelo cenário externo desfavorável. Em porcentagem, quem lidera é a ação ON da Marfrig, com alta de 5,09%, a R$7,23, após fechar parceria com a ADM para desenvolver um hambúrguer vegetal. Em porcentagem, o maior recuo é da Ecorodovias ON, que cai 1,46%, a R$11,44. Também merecem destaque nesta manhã a Magazine Luiza ON, que avança 4,32% após o desdobramento das suas ações. IRB Brasil sobe 4,63% após a divulgação dos resultados do segundo trimestre e a compra de fatia em uma empresa de tecnologia britânica focada em seguros.

 

Quanto à agenda do dia, o investidor deve ficar atento ao retorno dos parlamentares em Brasília, após o recesso. Hoje à tarde, os deputados devem iniciar o segundo turno da votação da Reforma da Previdência. O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse na manhã de hoje que o governo espera que a votação seja encerrada até amanhã à noite na Câmara dos Deputados. Lorenzoni, que falou à imprensa após reunir-se com o presidente da Casa, Rodrigo Maia, várias vezes pecou por ser otimista demais em relação aos coronogramas de aprovação das pautas legislativas. A conferir. Para os resultados corporativos, teremos hoje, após o fechamento do mercado, a divulgação dos balanços de BB Seguridade, Arezzo, Valid, Sanepar, Engie Brasil, Raia Drogasil, Banco Pan, Iguatemi, Iochpe Maxiom e CSU Cardsystem.

 

(Foto: Xi Jinping – Westnews)

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