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Exterior pesa novamente e derruba Ibovespa; terça terá indicadores da economia da China, EUA

Postado por: TC Mover em 12/08/2019 às 17:36

Como vem acontecendo há dias, quem prejudicou o desempenho do Ibovespa hoje foi o exterior, mais uma vez. O mau humor generalizado com as disputas comerciais entre Estados Unidos e China e com os sinais de desaceleração global, foi alimentado hoje pelo acirramento da tensão em Hong Kong e pela vitória de um candidato de esquerda nas prévias das eleições presidenciais na Argentina.

 

Este último acontecimento foi o que mais pesou no humor para o investidor local. A derrota do presidente Mauricio Macri, de orientação neoliberal, para o peronista Alberto Fenández – que tem Cristina Kirchner como vice – nas prévias das eleições presidenciais argentinas reacendeu os temores do investidor quanto à possibilidade da volta do populismo de esquerda.

 

Para o mercado financeiro argentino, foi uma tragédia, que já tem nome: “segunda-feira negra”.O peso se desvalorizou em 30% em relação ao dólar e chegou a ser cotado a 60 pesos por dólar, tendo fechado a 57 após intervenções do banco central. O índice acionário argentino, o Merval, fechou em queda de mais de 35%. Em Nova Iorque, as ADRs de companhias argentinas tiveram suas negociações suspensas após chegarem a cair até 61%. A taxa básica de juros foi elevada em 10 pontos percentuais, para 74,9%.

 

Para o Brasil, o tsunami por lá também acabou sendo danoso. Por quê? Porque a Argentina é nada menos que nosso terceiro maior parceiro comercial, atrás apenas de China e Estados Unidos. Mas esse peso vem caindo conforme nossos vizinhos se afundam na crise econômica: em 2018, o país respondeu por 7,32% de todas as exportações brasileiras no período janeiro a julho, ao passo que em 2019 essa fatia caiu para 4,60%. Nos primeiros sete meses deste ano, o tombo nas vendas de produtos brasileiros para a Argentina foi de 40% na comparação com o ano passado. O temor do investidor é que, com a volta de um candidato populista de esquerda, a economia argentina afunde ainda mais, prejudicando o Brasil. Na cena local, também não ajudou no apetite ao risco os dados do IBC-Br de hoje, que mostraram recuo de 0,13% da economia brasileira no segundo trimestre, na base sequencial e na série com ajuste sazonal.

 

Tudo isso se soma ao acirramento dos protestos em Hong Kong, que chegou a provocar o cancelamento de todos os voos por lá, e pesou especialmente no sentimento em Wall Street. Esse evento impacta diretamente os ativos de risco, pois supõe-se que a China, que mantém Hong Kong autônoma a contragosto, pode articular uma invasão do país para apoiar o governo da conselheira Carrie Lam. Os índices acionários norte-americanos também foram fortemente impactados pela queda nos rendimentos dos Treasuries, que acenderam, mais uma vez, o alerta sobre a desaceleração econômica. O Dow Jones Industrials fechou em queda de 1,49%, e o S&P500, de 1,23%.

 

Com esse cenário de forte aversão ao risco mundo afora, o Ibovespa fechou em queda de 2%, a 101.915 pontos, com volume negociado de R$11,66 bilhões, dentro das médias diárias do ano. Os papéis de frigoríficos brasileiros lideraram as altas ao longo do dia; como muitos têm plantas na Argentina, podem acabar se beneficiando de um peso mais fraco para exportar. Os papéis ON da JBS avançaram 5,76%, e os ON da Marfrig, 3,59%. O dólar futuro subia 0,99% nos minutos finais da sessão, cotado a R$3,987. A curva de juros subia em bloco, com o vencimento para janeiro próximo em 5,445%, alta de 0,5 pontos-base.

 

Entre as quedas, liderou, em pontos, a ação PN do Itaú Unibanco, que recuou 4,14%. Azul e Gol também tiveram desvalorizações expressivas; na sexta à noite a Agência de Aviação Civil, a Anac, havia divulgado que as quatro principais empresas aéreas com atuação no Brasil – Gol, Latam, Azul e Avianca Brasil – registraram prejuízo líquido combinado de R$ 397,3 milhões no primeiro trimestre, revertendo o lucro de R$211 milhões de um ano antes.

 

É importante seguir atento ao noticiário sobre a situação na Argentina e esperar por qualquer comentário da chapa vencedora ou perdedora – o que pode acalmar ou exaltar ainda mais os ânimos no mercado. No campo dos indicadores, a Alemanha e os Estados Unidos divulgam amanhã o IPC de julho. A China informa produção industrial anual, vendas no varejo e taxa de desemprego anual. Entre os resultados corporativos, BTG Pactual e Equatorial informam balanços antes da abertura dos mercados. Ainda hoje, depois do fechamento, pelo menos 15 outras companhias divulgam resultados, como Qualicorp, Hapvida, Randon, Magazine Luiza e Eletrobras.

 

No campo político local, o investidor deve atentar para o encaminhamento da Reforma da Previdência, que segue agora para o Senado. Para o membro experiente do TC e analista político da IdealPolitik, Leopoldo Vieira, os sinais que vêm do Senado são positivos: Davi Alcolumbre, presidente desta Casa, estima que a apreciação do texto vá até final de setembro, e acredita que ​os senadores não têm divergências relevantes em relação ao que os deputados aprovaram. Fique de olho também nas reformas Tributária e Administrativa.

 

(Foto: Casa Rosada/ Wikicommons)

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