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Exterior melhora com apostas de juro menor; mercado deve repercutir dados, discursos e resultado de votações no Congresso

Postado por: TC Mover em 04/06/2019 às 9:10

Tanto no Brasil como no exterior, o investidor aposta que cada vez mais bancos centrais deverão se render à necessidade de cortar a taxa básica de juros para evitar uma recessão global. Hoje a vez foi da Austrália, cujo banco central reduziu a taxa -alvo para a mínima histórica de 1,25% ao ano. Os números de desemprego e inflação na Zona do Euro de mais cedo confirmaram que a atividade econômica no bloco continua deprimida e que, na ausência de pressões inflacionarias, o melhor é manter uma política monetária frouxa. Adicione a esses temores as tensões da guerra comercial e você terá, no caso dos Estados Unidos, a inversão da curva de juros – que não é mais que o alerta mais poderoso de uma recessão: segundo os contratos futuros, as taxas dos Treasuries já projetam até três cortes do juro antes de dezembro – cinco meses atrás o panorama era completamente diferente, disse o gestor do fundo Alaska Black, Henrique Bredda.

 

É nesse pano de fundo, de preocupações intensas e confusão geopolítica, que teremos um dia cheio de eventos, dados e discursos que permitirão ao investidor ter uma ideia melhor do cenário para as próximas semanas. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, deve discursar hoje sobre política monetária e lançar alguma pista a mais sobre a evolução do balanço de riscos para a inflação e o emprego da autarquia. Aqui teremos números de produção industrial de abril, que podem confirmar a extensão da desaceleração vista ao longo do primeiro trimestre. Algumas vozes mais solitárias esperam alguma recuperação – grande parte por conta da alta do dólar, que pode ter impulsionado as exportações. Mesmo assim, essas suspeitas de atividade mais morna são as que levam o investidor local a precificar quase 100% de certeza que a Selic, nossa taxa básica de juros, será reduzida em pelo menos 25 pontos-básicas entre outubro e dezembro.

 

Hoje, os futuros dos índices acionários nos EUA sobem, o que aponta a uma reversão parcial das perdas da véspera causadas pelo tombo nas ações de tecnologia. O preço dos Treasuries caia pela primeira vez em uma semana, enquanto o dólar subia – sinal de um mercado confuso, porém ainda cauteloso com o panorama para a economia mundial. Notícias de investigações antitruste nas maiores empresas de tecnologia dos EUA rachou ainda mais o sentimento frágil do investidor global, que também reagiu mal aos dados de atividade manufatureira americana e as reduções de projeções de lucros corporativos por parte de analistas do Bank of America e do Citigroup.

 

Hoje, no Brasil, todo esse panorama de fragilidade deve ajudar a manter as apostas de uma Selic menor, ajudadas com a queda do dólar e um ambiente político cada vez menos confuso. O otimismo do investidor se centra nas ações e palavras dos presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia, que agem nos bastidores para aprovar matérias de interesse da economia e para acelerar a aprovação da Reforma da Previdência, quem sabe, para algum momento entre final de junho e início de julho. O mercado, assim, está esperançoso com a possibilidade de que o relatório final da reforma na Comissão Especial seja apresentado nesta quinta-feira.

 

A aprovação, ontem à noite, no Senado, da MP 871, que combate os fraudes no INSS e representa economia de R$10 bilhões para os cofres públicos, foi o primeiro grande passo a caminho de aprovar a reforma – e o mercado deve reagir positivamente a esse evento. O pedido de crédito suplementar de R$248 bilhões deve ser votado daqui a quarta-feira, o que dará cumprimento à Regra de Ouro do Orçamento – a proibição de emitir dívida para pagar despesas correntes. Há luz no final do túnel para iniciativas como o projeto do Saneamento e das tratativas para incluir Estados e municípios na repartição dos recursos provenientes do leilão de sobras do pré-sal.

 

Fique de olho nas reuniões de Bolsonaro com Maia, que deve receber do presidente um projeto para mudar os termos de renovação da CNH, e com seu conselho de governo. No lado corporativo, o destaque vem para a decisão da holandesa LyondellBasell, que encerrou discussões com a Odebrecht sobre a potencial de aquisição da fatia que a última detém na Braskem. O desfecho era altamente esperado pelo investidor: a pouca confiança em que haveria negócio fez as ações da maior petroquímica da América Latina derreter mais de 20% no último trimestre. Teremos a oferta pública de aquisição da Comgas hoje, assim como reuniões das diretorias da Aneel e do Conselho de Política Energética.

 

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Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

As bolsas europeias e os futuros dos índices acionários americanos sobem com a crescente aposta entre os investidores de que o Federal Reserve será forçado a cortar a taxa-alvo de juros nos Estados Unidos para evitar uma recessão. O rendimento dos Treasuries de dez anos, que opera em direção oposta ao preço dos títulos, subia pela primeira vez em uma semana e revertia tendência recente que o levou a tocar recentemente o menor patamar em mais de 21 meses. Essa tendência sinalizava que os investidores esperam que a economia americana, castigada pela guerra comercial com a China e outros países, assim como pela fadiga no consumo das famílias e o investimento, entre em recessão nos próximos 12 a 18 meses.

 

Bolsas: O índice pan-europeu Stoxx600 subia 0,35% por volta das 07h45, em linha com o desempenho dos futuros dos índices Dow Jones Industrials e S&P500, nos EUA, que subiam 0,40% e 0,41%, respectivamente, no mesmo horário. As bolsas americanas apontam para uma abertura em alta após o tombo de ontem, causado por notícias de que o Departamento de Justiça abriu um inquérito contra as maiores empresas de tecnologia do país. O índice Xangai Composto fechou em queda de 0,96%, refletindo a cautela de investidores com as crescentes diferenças comerciais entre os EUA e a China.

 

Principais notícias corporativas

 

Braskem: A holandesa LyondellBasell encerrou discussões com a Odebrecht sobre a potencial de aquisição da fatia que a última detém na Braskem. Em fato relevante, a Braskem disse que sua gestão continuará na procura de oportunidades que “tenham o potencial de agregar valor à Braskem e, consequentemente, a todos os seus acionistas”. Em comunicado separado, a LyondellBasell disse que, após uma análise cuidadosa, a decisão tanto da companhia quanto da Odebrecht foi a de “não prosseguir com a transação”, o que deve permitir à gigante holandesa continuar com seu programa de recompra de ações.

 

Telecomunicações: Teles vão ao Cade contra compra da Nextel pela Claro (Valor)

 

Netshoes: Netshoes convocou assembleia em 14 de junho para debater sobre oferta de compra da companhia pela Magazine Luiza.

 

Linx: A Linx anunciou lançamento de novas ofertas, Conta Digital Linx e QR Code TEF, para reforçar a presença da companhia em meios de pagamentos.

 

BRF: A BRF informou a conclusão da venda de 100% das ações em sociedades na Europa e Tailândia à Tyson, por US$377 milhões.

 

Frigoríficos: Ministério de Agricultura suspende os embarques de carne bovina à China; ações de frigoríficos despencam (Valor)

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

05h00 IPC mensal (maio) – Fipe

08h00 IPC-S Capitais semanal (maio) – FGV

09h00 Produção industrial anual (abril) – IBGE

09h00 Produção industrial mensal (abril) – IBGE

 

Indicadores internacionais

06h00 UE – Prévia do núcleo IPC anual (maio)

06h00 UE – Prévia do IPC anual (maio)

06h00 UE – Taxa de desemprego mensal (abril)

11h00 EUA – Encomendas à indústria mensal (abril)

18h30 EUA – Estoques de petróleo bruto semanal API

22h45 China – PMI do setor de serviços Caixin mensal (maio)

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

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