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Exterior ameno, cenário positivo com inflação, balanços e estímulos impulsionam bolsa; dólar recua

Postado por: TC Mover em 22/07/2019 às 14:50

O investidor volta às compras hoje, com foco em bancos, estatais, ações de tecnologia e de adquirência, refletindo as expectativas mundo afora de mais relaxamento monetário nas maiores economias do mundo, assim como os anúncios do governo quanto às medidas de estímulo para reavivar a economia doméstica. Como era de se esperar, os mercados focam nas tentativas do governo de reduzir o preço do gás, liberar parcialmente os saques de contas ativas e inativas do FGTS e evitar uma nova paralisação dos caminhoneiros – que no ano passado pisou no freio do crescimento da economia. Nesse quesito, a imprensa registrou que o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, comunicou à categoria a suspensão da nova tabela de frete divulgada semana passada, fortemente criticada por lideranças do setor de transportes.

 

A semana promete, em termos de divulgações corporativas, dados econômicos e eventos relevantes. O investidor está de olho na divulgação do IPCA-15 de julho, amanhã, para ajustar ou reforçar as apostas no corte da taxa básica de juros Selic na semana que vem. A temporada de balanços do segundo trimestre começou hoje com a divulgação da prévia operacional da Vale, que trouxe forte queda na produção e vendas de minério de ferro, e ainda vai ter como destaques os resultados do Santander Brasil, Cielo, Ambev, Bradesco, Usiminas e Vivo. Os números de arrecadação e de emprego formal de junho também devem chegar nesta semana. No exterior, a espera é pela decisão de juros do Banco Central Europeu na quinta e pelo resultado do PIB dos Estados Unidos na sexta. Fique de olho, ainda, em duas coisas: a primeira, a retomada das reuniões entre americanos e chineses sobre a guerra comercial; a segunda, a antessala da reunião de juros do Federal Reserve da semana que vem.

 

Nesse aspecto, foi interessante que o mercado reagiu de forma moderada ao tuíte do presidente dos EUA, Donald Trump, de hoje, atacando o Fed por demorar tanto em cortar as taxas de juros no país. As bolsas mantiveram as altas mostradas pelos contratos futuros no pré-mercado, enquanto o rendimento dos Treasuries de dez anos aprofundou as quedas, para mais de 2 pontos-base. O dólar operava estável, com leve viés de alta, ante pares e algumas moedas emergentes. A libra esterlina negociava perto das mínimas do dia diante da possibilidade da renúncia de vários ministros britânicos em meio à chance de Boris Johnson ser nomeado líder do Partido Conservador – tornando-se, automaticamente, primeiro ministro do país. A eleição deve acontecer amanhã.

 

O avanço moderado de bolsas americanas e europeias, assim como a alta do petróleo, refletindo a escalada da tensão geopolítica no Oriente Médio, impulsionam o Ibovespa, que, por volta das 11h15, sobe 0,38%, a 103.850 pontos. O volume projetado para o pregão é de R$9,5 bilhões, bem abaixo das médias diárias do ano. Já os mercados de câmbio e juros futuros negociam em queda, e vem perdendo força na medida que passa o dia. O dólar futuro opera em queda de 0,12%, cotado a R$ 3,7450, enquanto o contrato do DI com vencimento em janeiro próximo toca os 5,66%, e o de janeiro de 2021 recua para os 5,50% – mínima histórica.

 

No âmbito corporativo, a notícia é a prévia de produção da Vale, que levou o recibo de ações da Vale negociado em Nova Iorque a registrar sua pior queda em quase três semanas nesta segunda-feira. A companhia informou que a produção no segundo trimestre caiu quase 34% no segundo trimestre, na esteira da tragédia de Brumadinho – que paralisou as mais importantes minas do Sistema Sul e Minas da companhia. Já as vendas caíram 15,5% entre abril e junho na base anual. A mineradora também disse que o custo caixa C1, uma forma de medir o valor unitário de extração de minério por tonelada, deve ter aumentado no trimestre por conta da mudança na logística e chuvas no Sistema Norte, que dificultaram o transporte e embarque do minério na região. Se o investidor estava ansioso para operar o papel da Vale baseado nos fundamentos e não nas notícias relacionadas à tragédia de Brumandinho, o choque de realidade chegou.

 

(Foto: Tarcísio Gomes de Freitas/ Marcelo Camargo – Agência Brasil)

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