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Estudo encomendado pela CVM mostra que day-trade não é rentável

Postado por: TC Mover em 08/03/2019 às 9:27

Por: Conrado Mazzoni, editor TC News

 

Taxas de juros baixas abatendo a remuneração da renda fixa, melhora nas perspectivas para o Brasil após as eleições e aumento na oferta de educação financeira estão entre os fatores que pavimentam o crescimento da base de investidores pessoa física na bolsa, de acordo com especialistas. Neste último ponto, graças ao alcance da tecnologia, equipada por estratégias de marketing digital, tornou-se praxe encontrar na internet alguém vendendo uma “fórmula milagrosa para viver” de bolsa. Em alguns casos, a mágica consiste em day-trade, ou seja, a atividade de comprar e vender um ativo financeiro no mesmo dia.

 

O número de investidores pessoa física cadastrados na B3 chegou a 919.403 ao fim de fevereiro, um recorde histórico. Somente neste ano, pouco mais de 100 mil novos CPFs ingressaram no mercado. Ciente dessa expansão, a Comissão de Valores Mobiliários encomendou um estudo à FGV para responder justamente à pergunta: “É possível viver de day-trading?”. A resposta é “não”, segundo Fernando Chague e Bruno Giovannetti, autores da análise.

 

Eles concluem que de um rol de 19.696 pessoas que começaram a fazer day-trade em mini índice – contrato do mercado de BM&F – entre 2013 e 2015, um total de 1.558 persistiu por mais de 300 pregões, com 91% tendo prejuízo e apenas 13 pessoas conseguindo lucro médio diário acima de R$300.

 

Considerando-se apenas as pessoas que persistiram fazendo day-trade por mais de 300 pregões, a pesquisa mostra que a chance de se ganhar uma renda acima de R$ 300 por dia é de 0,96% para quem opera mini índice e de 1,76% para quem opera mini dólar. Se 91% desses investidores na pesquisa acabaram com prejuízo, alguém ganhou na outra ponta do contrato – geralmente os investidores institucionais. Além disso, os dados também trazem evidência de que o desempenho do day-trader tende a piorar com o tempo. E olha que os incautos são gente que “sabe fazer conta” – segundo o estudo, as principais profissões dos novos day-traders são administrador, engenheiro e analista de sistemas.

 

A reação ao estudo nas redes sociais e na comunidade TC foi variada. Para alguns especialistas em educação financeira, como o economista Samy Dana, o artigo “vai a ideia propagada por especialistas de corretoras de que day-traders melhorariam com a experiência e que, portanto, deveriam persistir”. Já para o contribuidor TC Rafael Ferri, o estudo não é conclusivo porque o período de estudo compreendeu dois anos muito ruins para o mercado de capitais local.

 

(Foto: A essência do day-trade – Cleber Rocha)

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