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Esforço do governo para melhorar relação com a Câmara convence, mas mercado quer menos tuítes

Postado por: TC Mover em 25/03/2019 às 18:05

O ensaio de engenharia de relações públicas por parte do Palácio do Planalto, um pedido de desculpa não explícito e algumas declarações de fontes acalmaram o mercado brasileiro nesta segunda-feira, com o investidor cada vez mais receoso do empenho real do presidente Jair Bolsonaro em passar a reforma da Previdência. Durante a manhã, Bolsonaro prometeu focar única e exclusivamente na articulação para a passagem do projeto de mudança de regras de aposentadorias, a pedra angular da pauta econômica e o único caminho possível para evitar que o país quebre. O mercado, que mergulhou em perdas assim que o sino tocou na abertura das operações desta segunda-feira, reagiu positivamente – ninguém viu a movimentação de Bolsonaro como um recuo e sim como um gesto de boa vontade para reconstruir os laços com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, depois de um fim de semana de trocas de farpas entre líderes dos poderes Executivo e Legislativo.

 

Ao meio-dia, um tweet de Bolsonaro sugerindo que a mídia queria tornar seu governo ilegítimo, com fotos de Maia, despertou de novo os temores de que o presidente, ou seu filho Carlos, que supostamente administra suas contas nas redes sociais, tinham voltado a provocar o parlamentar. De novo, o mercado ficou no vermelho até que o ministro da Economia, Paulo Guedes, em discurso, veio transmitir tranquilidade quanto à reforma, disse que confia na proatividade do Congresso em relação à pauta e anunciou que a renegociação da cessão onerosa com a Petrobras é questão de dias. Quando Guedes fala, o mercado escuta e acredita. “As principais lideranças políticas vão superar eventuais problemas de comunicação. É natural com todo mundo. O presidente diz que ‘não quer dançar de rosto colado’, mas o par que está com ele tem que dizer: ‘tudo bem, mas temos que dançar junto’.” A alegoria até que funcionou. Mas mesmo com a alta de Petrobras, que teve sua primeira elevação em quatro pregões por conta da notícia da iminência da cessão, o índice fechou em queda de 0,08% aos 93.662 pontos, pressionado também pela desvalorização de Vale, na véspera da divulgação do relatório de produção e vendas no quarto trimestre. O volume do Ibovespa foi de R$11,85 bilhões, abaixo da média. O dólar futuro mergulhou 1,43% ante o real, maior recuo desde o fim de janeiro, para R$3,852. Os juros, que tinham subido de forma relevante na sexta-feira, recuaram moderadamente – mas seguem perto dos patamares de início do ano – uma amostra da cautela atual com a situação política.

 

A pequena melhora dos mercados acionários em Nova Iorque também repercutiu na B3. Os temores de uma recessão global levaram hoje os rendimentos dos Treasuries de dez anos a seu menor patamar desde dezembro de 2017: 2,39%. Em geral, a renda fixa se beneficia com percepções crescentes de uma recessão porque, em relação às perdas potenciais no mercado acionário, ela pode parecer um investimento seguro. A volatilidade, Brasil e mundo afora, continuará alta – procure operar com tranquilidade e preste atenção no noticiário. Amanhã alguns indicadores podem impactar o sentimento de mercado: aqui no Brasil, teremos a divulgação da prévia do IPCA de março, enquanto nos Estados Unidos teremos dados do setor imobiliário e dos estoques semanais de petróleo. A Vale, que hoje caiu na B3 por conta de série de suspensões e processos judiciais relacionados a Brumadinho, soltará sua prévia operacional do quarto trimestre antes da abertura de mercado. Fique de olho também na audiência de Guedes na CCJ da Câmara, no meio da manhã.

 

(Foto: B3/Divulgação)

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