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Escalada de tensões EUA-China faz Ibovespa desabar e dólar disparar; ouro atinge maior valor em seis anos

Postado por: TC Mover em 05/08/2019 às 13:27

Não poderia ser diferente: como indicavam as bolsas globais, o Ibovespa abriu em queda e mergulhou até o patamar dos 100 mil pontos na manhã desta segunda-feira, enquanto o dólar disparou, atingindo os R$3,95 – coisa que não acontecia desde 3 de junho -, tudo reflexo do acirramento da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. O nível de tensão entre as duas maiores economias do mundo aumentou depois que a China desvalorizou o iuan, hoje, fazendo a moeda romper os 7 por dólar no mercado offshore, nível que não era atingido desde a crise financeira de 2008.

 

A queda vem após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado, na quarta-feira passada, sobretaxas de 10% sobre US$300 bilhões de importações chinesas a partir de setembro – isso em meio às conversas que aconteciam entre os dois países para tentar um acordo. Um iuan mais fraco aprofunda os desequilíbrios comerciais entre a China e países desenvolvidos, emergentes, produtores de commodities agrícolas e os mais pobres e, exporta deflação ao resto do mundo. O que é isso? Basicamente é pressão para que os bancos centrais de outros países reduxam suas taxas de juros. A resposta de Trump à desvalorização do iuan não tardou: hoje mesmo ele chamou a China de “manipuladora de moedas” e aproveitou para alfinetar o Federal Reserve.

 

Em sua conta no Twitter, ele disse que “a China deixou cair o valor de sua moeda para perto de uma baixa histórica. Isso tem um nome: ‘manipulação da moeda’. Você está ouvindo, Federal Reserve? Esta é uma violação importante que enfraquecerá a China ao longo do tempo”. A China também negou as acusações de Trump de que não estaria honrando seu compromisso de comprar produtos agrícolas americanos. Hoje, a emissora estatal chinesa afirmou que as acusações “não têm fundamento”, citando uma autoridade da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China.

 

Com esse cenário adverso para os ativos de risco, o investidor saiu em busca de defesas. Os preços do ouro saltaram mais de 1% e atingiram seu maior nível em mais de seis anos nesta segunda, enquanto o iene disparou. O índice VIX, que mede a volatilidade nos mercados, teve alta de 26% e alcançou o maior patamar desde o início deste ano. Em Nova Iorque, as bolsas operam no vermelho desde a abertura: o índice Dow Jones Industrials recuou mais de 500 pontos e tinha queda de 2% por volta do meio-dia, enquanto o S&P500 caía 2,08%.

 

O Ibovespa caía 1,90%, a 100.724 pontos por volta de 11h30, com volume projetado de R$14,5 bilhões, acima das médias diárias do ano. O dólar avançava 1,31%, a R$3,945. A curva de juros operava em alta, com o DI com vencimento para janeiro próximo avançando 10 pontos-base, a 5,550%, apesar de o mercado ter cortado a projeção da Selic para o final deste ano, de 5,50% para 5,25%, conforme o boletim Focus do Banco Central. O desempenho negativo do índice da Bovespa é liderado pelas ações ON da Vale, que caem 3,80%, a R$46, menor nível desde maio, com a queda no preço do minério de ferro na China, e das ações PN da Petrobras, que devolvem os ganhos da sexta-feira e desabam 2,60%, cotadas a R$25,84. O único papel do Ibovespa que registrava alta era a ação ON da Weg, que avançava 0,04% cotada a R$23,75.

 

O setor financeiro também sofre nesta segunda-feira, as ações PN do Itaú e do Bradesco caem 1%, movimento reforçado pela nota da agência de risco, Moody’s, alegando que a taxa Selic a 6% é um fator negativo para a nota de crédito dos bancos. Além de estar atento a tudo que diz Trump, o investidor deve ficar de olho em Brasília. Hoje os parlamentares voltam do recesso, e a Reforma da Previdência e Tributária retornam à agenda. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, marcou para amanhã o início da votação em segundo turno da Nova Previdência no plenário da Casa. Com a volta dos parlamentares ao trabalho, também poderá ser medida a temperatura no Congresso após a série de declarações intempestivas do presidente Jair Bolsonaro; segundo pesquisa Datafolha, um terço dos brasileiros concorda com suas declarações extremadas. Coincidentemente, é o mesmo percentual que considera seu governo ótimo ou bom.

 

(Foto: Banco do Povo da China/ Nikkei Asian Review).

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