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Em semana encurtada por feriado, investidor ausculta risco político crescente, crise no BNDES e decisões de juros do Fed, Copom

Postado por: TC Mover em 17/06/2019 às 8:52

A semana passada terminou com as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, criticando o substitutivo do projeto de Reforma da Previdência apresentado na Comissão Especial da Câmara por diluir a proposta original. As reclamações logo se transformaram em troca de farpas entre Guedes e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia – deixando claro, para o investidor, que, na segunda-feira, seria necessário assumir uma postura mais defensiva quanto ao projeto, que será debatido na comissão a partir desta semana.

 

O que o investidor não esperava era que o presidente Jair Bolsonaro aprontasse na véspera de uma semana cheia de eventos relevantes: a retomada do debate da reforma, os desdobramentos do caso “Vaza Jato” e a decisão do comitê de política monetária do Banco Central. Fiel à crença de que crise internas são sempre convenientes, Bolsonaro atacou Joaquim Levy, que ocupava a presidência do BNDES, por ter nomeado um executivo que participou no governo do PT para a diretoria de mercado de capitais do banco. Além de ser completamente fora do protocolo, a fala levou ao pedido de demissão de Levy. Riscos de ingerência na área econômica? A conferir.

 

O que acontecer daqui para frente com o banco pode ser importante para o investidor. Os financiamentos anuais do BNDES caíram quase 60% nos últimos três ou quatro anos. Cada vez mais pessoas dentro do governo defendem a extinção do banco – o que implicaria uma venda massiva de títulos detidos pelo BNDESPar, braço de participações do BNDES. Fique de olho nos possíveis substitutos de Levy – a lista na imprensa é longa: os secretários do Ministério da Economia Salim Mattar e Carlos da Costa; a superintendente da Susep, Solange Paiva Vieira, muito próxima a Guedes; e o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, que no momento preside o conselho do banco estatal. Crise desnecessária.

 

Os mercados globais hoje operam sem tendência definida, porém carregando o peso de uma economia global fraca que impacta diretamente a demanda por ativos de risco. Há dias alertamos sobre o viés generalizado de pressão sobre ações, derivativos e commodities ao redor do mundo: os metais não preciosos mostrando recuos expressivos, assim como o petróleo e do minério de ferro hoje na China; a curva de juros nos países desenvolvidos corrigindo para baixo de forma significativa; e, finalmente, a alta dos metais preciosos. O mercado local, em consequência, deve mostrar um comportamento cauteloso – não somente por conta do cenário político local, mas também pelo ambiente internacional conturbado com guerras comerciais, populismo em alta e geopolítica agressiva na Ásia.

 

Ao longo desta semana, e mesmo com o feriado da quinta, o investidor precisa ficar atento nos debates sobre a reforma na comissão. Mais ajustes podem ocorrer no projeto, mexendo com o humor do mercado. Mesmo assim, os eventos mais relevantes estarão relacionados aos juros: por aqui, teremos na quarta-feira a reunião do comitê de política monetária do Banco Central, o Copom. O mercado espera uma mudança no discurso da autarquia que aponte para um corte na taxa básica de juros Selic nos próximos meses. Nos EUA, o Federal Reserve também divulga sua decisão de política monetária no mesmo dia. As apostas por um corte em julho continuam crescendo, porém, o mais provável seja que, se vier, a redução aconteça mais perto de setembro. A atividade econômica e inflação fracas sustentam essa visão.

 

Hoje teremos vencimento de opções sobre ações na B3 – um fator que deve adicionar volatilidade no pregão. Também estarão na agenda diversas divulgações de indicadores, como custo de mão de obra e índice de atividade industrial Empire State nos EUA e o índice de preços ao consumidor na União Europeia. Também será divulgada a pesquisa Focus, do BC, onde é possível que as projeções de crescimento do PIB para o ano voltem a recuar – desta vez, pela 16ª semana consecutiva. Bolsonaro e Guedes devem se reunir – quiçá o tema Levy/BNDES seja abordado e resolvido de uma boa vez.

 

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Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

 

As bolsas europeias e os futuros dos índices americanos operavam relativamente estáveis, porém sem viés definido nesta segunda-feira, com investidores atentos às reuniões de política monetária e às mensagens dos bancos centrais dos Estados Unidos, do Japão e do Reino Unido em relação à saúde da economia global. O comitê de política monetária do Federal Reserve começa sua reunião amanhã para debater a situação da taxa básica de juros na maior economia do mundo – uma decisão será anunciada na quarta-feira à tarde. Há uma chance de 80% de corte na taxa-alvo em julho. Na quinta-feira, espera-se a declaração de política monetária do Banco Central do Japão e do comitê de política monetária do Reino Unido.

 

Bolsas: Os futuros dos índices Dow Jones Industrials e S&P500 subiam 0,01% e 0,03%, respectivamente, acompanhando o movimento do índice pan-europeu Stoxx600, que subia 0,01%, indicando clima de cautela nas principais praças financeiras do mundo. O Xangai Composto fechou em leve alta de 0,20%, reagindo à decisão do governo de Hong Kong de suspender a votação da lei de extradição, que causou grandes manifestações na China nos últimos dias. O índice VIX, que mede a volatilidade nos mercados, subia 2,42%, indicando maior aversão ao mercado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Principais notícias corporativas

 

 

Banco do Brasil: Helio Magalhães assume conselho do BB com desafios da eficiência à tecnologia da informação (Estado)

 

GPA: A GPA informou ter vendido toda sua participação na Via Varejo por um valor total de R$2,3 bilhões, a R$4,90 por ação.

 

Via Varejo I: A Via Varejo disse não ter informações, ainda, sobre os adquirentes das ações vendidas pela GPA.

 

Via Varejo II: Michael Klein quer, agora, elevar sua participação na Via Varejo; ele disse em fato relevante que pode adquirir mais de R$200 milhões em ações da varejista no mercado nas próximas semanas.  (Valor)

 

BTG Pactual: O BTG Pactual, maior banco de investimentos independente da América Latina, aderiu ao Nível II de governança corporativa na B3.

 

Magazine Luiza: A Magazine Luiza informou que concluiu definitivamente a aquisição da totalidade das ações da Netshoes.

 

Petrobras: Petrobras retoma venda de ativos em fertilizantes após queda de liminar (Reuters)

 

Centauro: A Centauro informou que, devido à venda para a Magazine Luiza, todas as propostas e tratativas com a Netshoes expiraram.

 

 

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

08h00 IPC-S semanal (junho) – FGV

08h25 Relatório Focus – Banco Central

15h00 Balança comercial semanal – MinEconomia

 

Indicadores internacionais

06h00 UE – Variação dos salários anual (1T)

06h00 UE – Custo da mão de obra anual (1T)

09h30 EUA – Índice Empire State de atividade industrial mensal (junho)

11h00 EUA – Índice NAHB de mercado imobiliário mensal (junho)

17h00 EUA – Fluxo líquido de capital mensal (abril)

17h00 EUA – Transações líquidas de longo prazo mensal (abril)

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

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