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Investidor foca em ata do Fed e encaminhamento da Previdência para votação no plenário

Postado por: TC Mover em 08/07/2019 às 8:57

Depois de um final de semana onde os bastidores dominaram as manchetes, especialmente no relacionado ao andamento da Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, a semana deve começar auspiciosa para o investidor, que deve reagir aos sinais cada vez mais positivos de que haverá uma aprovação da matéria econômica mais importante em 16 anos antes do recesso parlamentar. Apesar de alguns gestores acharem que a aprovação da reforma está quase inteiramente embutida nos preços dos ativos locais, o consenso é que isso não deve impedir um desempenho positivo dos ativos domésticos daqui para frente. 

 

Com as conversas para votar a reforma na Câmara quase concluídas e os parlamentares cada vez mais convencidos dos dividendos políticos de apertar o “sim” no painel de votação, em dois turnos, antes do início do recesso parlamentar, em 18 de julho, o governo tenta facilitar o processo e se safar da armadilha – imposta pelo próprio presidente Jair Bolsonaro – de cede à pressão das carreiras de policiais e segurança pública para serem excluídos da Nova Previdência. Para o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, já há uma margem para obter 330 votos na Câmara sem risco de desidratação da economia fiscal de R$987 bilhões. Qual a expectativa dele para o início da votação? Amanhã.

 

Mas, o governo e as lideranças no Parlamento, encabeçadas pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, sabem que ainda é preciso acertar detalhes: o texto ainda contém partes polémicas, que alguns grupos poderosos devem tentar derrubar na votação no plenário. Lobbies como os dos professores e dos agentes de segurança pública federal querem exclusão ou diluição das suas cotas de sacrifício – como comentávamos acima. Muitos deputados cobram o pagamento de emendas prometidas pelo governo para iniciar a votação. O próprio papel de Bolsonaro, favorecendo os grupos que representou em 28 anos de carreira parlamentar, tornam-se um sério empecilho dias antes da votação. O mercado deve certamente reagir aos bastidores dessas negociações – fique atento. 

 

Mesmo assim, vários fatores adicionam tranquilidade ao mercado, que está confiante na aprovação da Nova Previdência com Bolsonaro – sem base parlamentar sólida e com o menor apoio popular desde a redemocratização. Por ser vista pelo eleitorado como uma necessidade, a reforma deu a Bolsonaro uma margem de negociação fisiológica que ele, inteligentemente, se recusou a usar. O pêndulo político no Congresso se estacionou à direita do centro. E a nova direita bolsonarista conquistou a governabilidade com o uso da agenda conservadora nos costumes, a demonização dos demais poderes, o uso da imagem do ministro da Justiça Sérgio Moro para se mostrar “diferente dos outros” e a adesão ao liberalismo econômico. 

 

Hoje, no plano político, deve repercutir de forma limitada pesquisa do Instituto Datafolha do mês de junho, que indica a consolidação de uma divisão política do país após seis meses do governo Bolsonaro: “o Brasil está rachado em três”, disse o jornal Folha de s. Paulo na chamada para a matéria. Será? Para 33%, Bolsonaro faz um trabalho ótimo ou bom; no mês de abril, eram 32%. Para 31% dos entrevistados, o governo faz um trabalho regular. Para 33%, o governo Bolsonaro é ruim ou péssimo. As variações são mínimas. A popularidade do presidente influiu no avanço da Previdência e da agenda econômica? Até o momento, não. Mais um mito desbancado ao longo destes seis meses de governo, atípicos e bagunçados como eles têm sido. 

 

No entanto, para que o mercado brasileiro consolide uma tendência de alta sustentável, obstáculos externos precisarão ser superados no curto prazo. Por um lado, a guerra comercial continua indefinida; por outro, a tensão geopolítica no Oriente Médio escala e desinfla, mantendo os preços do petróleo voláteis. Os mercados ainda precisam digerir o último dado do mercado de trabalho nos Estados Unidos e entender se eles vão reduzir o ímpeto do Federal Reserve para se engajar em um ciclo de corte de taxa de juros. A ata da última reunião de política monetária do colegiado, a ser divulgada na quarta-feira, será um importante pilar de sustentação para quem aposta em relaxamento nos juros – e para quem está posicionado para uma alta nos ativos de risco.

 

Os sinais de desaceleração global devem continuar. Hoje os números de produção industrial alemã mostram uma letargia no crescimento da maior economia da Zona do Euro. Hoje teremos dados da pesquisa semanal Focus, do Banco Central, que podem trazer uma estabilização nos ajustes das projeções para o crescimento do PIB brasileiro – após 18 quedas consecutivas. Também, na quarta, teremos dados de inflação no Brasil, que devem trazer deflação alimentar e mais espaço para o BC cortar a taxa Selic a partir deste trimestre, além de dados do PIB britânico. Inflação americana domina as manchetes na quinta-feira. Não se esqueça que na terça-feira teremos feriado em São Paulo e a B3 permanecerá fechada. 

 

Finalmente, um novo anúncio de reestruturação do Deutsche Bank, o maior banco alemão, foi destaque no final de semana. Ontem, o DB anunciou a eliminação de cerca de 18 mil empregos e a suspensão dos dividendos para 2019 e 2020. Por que esse episódio é importante? Além de apresentar um problema para a próxima presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, uma reestruturação do DB vem num momento em que a economia da Zona do Euro está nos frangalhos. Não deixe de ficar atento à repercussão da decisão do presidente turco Recep Tayyip Erdogan de trocar o presidente do Banco Central da Turquia – a lira turca despencou, refletindo a preocupação de que a autarquia reduzirá os juros mais do que o esperado para satisfazer o polêmico mandatário. 

 

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Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

Os mercados de renda variável recuavam e o ouro negociava perto do seu maior nível em pelo menos cinco anos, com o investidor redobrando a cautela em uma semana que deve trazer pistas sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos. Os contratos futuros para os três principais índices referência nos EUA apontavam para abertura em queda, em linha com o desempenho do índice pan-europeu Stoxx600, que sentiu os dados fracos de produção industrial na Alemanha, e dos principais indicadores acionários da Ásia – que refletiram a escalada das tensões entre o Japão e a Coréia do Sul em relação às exportações de bens de tecnologia. Refletindo uma moderada onda de aversão ao risco, o contrato futuro do ouro subiu pelo primeiro dia em três e o rendimento dos Treasuries americanos de dez anos de novo recuou perto dos 2%.

 

O dia pode ser de volatilidade nos mercados emergentes, repercutindo o tombo da lira turca e dos títulos soberanos do país após a decisão do presidente Recep Tayyip Erdogan de substituir o presidente do banco central do país. O investidor deve ficar atento ao longo da semana nos discursos de lideranças do Federal Reserve, em especial da sabatina do presidente da autarquia, Jerome Powell, no Congresso – na mesma semana que o BC americano divulga a ata da sua última reunião de juros. 

 

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Principais notícias corporativas

 

BR Properties: A BR Properties anunciou a venda de um imóvel no Rio de Janeiro a um fundo imobiliário por R$184,8 milhões.

 

 Petrobras I: A Petrobras informou a renúncia de Rafael Mendes Gomes ao cargo de diretor executivo de governança e conformidade por “razões pessoais”.

 

 Petrobras II: Acordo com o Cade obriga Petrobras a sair do gasoduto Brasil-Bolívia (Folha) 

 

 Triunfo: A Triunfo reduziu pedágios da Econorte em 25,77% em cumprimento a uma decisão judicial.

 

 Dommo Energia: A Dommo Energia registrou produção de 171.634 barris de óleo no mês de junho. 

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

08h00 IPC-S semanal (julho) – FGV

08h00 IGP-DI mensal (junho) – FGV

08h00 IGP-DI anual (junho) – FGV

08h25 Relatório Focus – Banco Central

15h00 Balança comercial semanal- MinEconomia

 

Indicadores internacionais

03h00 Alemanha – Produção industrial mensal (maio)

03h00 Alemanha – Balança comercial mensal (maio) 

05h30 UE – Confiança do consumidor mensal (julho) – Sentix

16h00 EUA – Crédito ao consumidor mensal (maio)

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

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