TC News
News

Em dia de realização, Ibovespa pode ter ajuste técnico com Previdência; Lei das Teles, Apple e Lava Jato no radar

Postado por: TC News em 10/09/2019 às 9:24

Os ativos de risco começam o dia em queda, com o investidor global fazendo uma pausa antes da enxurrada de decisões de juros desta e da próxima semana, e na ausência de fatos mais relevantes sobre o futuro da guerra comercial Estados Unidos-China. De novo, as bolsas na Ásia fecharam sem direção, enquanto as bolsas europeias e os futuros dos índices acionários americanos seguem o desenrolar da novela do Brexit, no Reino Unido. Os rendimentos dos títulos de dívida dos países mais ricos avançaram pelo primeiro pregão em três dias, claro sinal de cautela na ausência de catalisadores concretos. O petróleo toca o patamar mais alto em cinco semanas após o novo ministro da Energia da Arábia Saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman,  comprometer-se com a política de restrições de oferta vigente na Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo, a Opep.

 

Mundo afora, o investidor também se prepara para a divulgação de dados de inflação nos EUA, amanhã, e, na quinta-feira, a reunião do Banco Central Europeu. Entre quarta e quinta, além do BCE, os BCs da Malásia, Turquia e Polônia anunciam decisões de juros. Ontem, a China divulgou deflação nos preços ao produtor – que deprimiram as bolsas – e os dados de desemprego do Reino Unido mostraram leituras fracas. Assim, o cenário é de atividade mundial frouxa, com necessidade de estímulo monetário, disseram gestores. No entanto, são poucos os que acham que cortar juros adianta alguma coisa. Hoje, a Apple deve apresentar seus mais recentes modelos de iPhones e atualizações de modelos existentes, em meio à pressão competitiva crescente, aos desdobramentos da guerra comercial nos negócios da gigante de tecnologia e à desaceleração econômica global.

 

O tema do dia, mundo afora, deve ser o Brexit, que caminha rapidamente para mais um impasse. O premiê britânico Boris Johnson prometeu trabalhar duro para conseguir um acordo com a União Europeia, após seis derrotas consecutivas em diversas votações no Parlamento – que ontem foi suspenso a pedido de Johnson. Há grande incerteza quanto ao que possa acontecer ao longo das cinco semanas que o Parlamento estará fechado: Johnson está decidido a entregar uma proposta para sair da União Europeia no prazo estipulado, de 31 de outubro. Cada vez há menos esperança de que isso aconteça. De qualquer forma, ontem o presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, decidiu que não continuará depois dessa data – ele tem sido um facilitador dos opositores de Johnson, que se resistem a uma saída abrupta. A libra negocia estável ante o dólar hoje.

 

No plano local, o mercado deve reagir, não se sabe se muito bem ou muito mal, à notícia de que lideranças partidárias e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não chegaram a um acordo para acelerar a votação da Reforma da Previdência no plenário da Casa nesta semana. O texto só deve ser avaliado pelos senadores, em primeiro turno, na semana que vem. A data será decidida hoje, em reunião de líderes. A proposta corre o risco de ser contestada no Judiciário e até pode ter sua promulgação atrasada, de acordo com matéria do jornal O Globo, por conta de mudanças, feitas pelo relator Tasso Jereissati, no mérito do texto originalmente aprovado na Câmara. Preocupa bastante a mudança que permitiria a estados e municípios criar alíquotas extraordinárias dos servidores para cobrir os rombos dos seus regimes próprios. O mercado, certamente, não deve gostar muito dessas piruetas.

 

Entre os assuntos de hoje, a FGV divulgou a primeira prévia do índice IGP-M de setembro pela manhã, com forte deflação de 0,60% – o consenso era de queda de 0,16%. O Ministério da Economia irá divulgar as projeções de indicadores macroeconômicos, com estimativas de crescimento do PIB, inflação, taxa de juros e taxa de câmbio. É esperado, ainda, que a Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado aprove a chamada Lei das Teles, em um movimento que deve impactar positivamente as ações das operadoras Vivo e Oi. É possível, segundo reportagem do jornal Valor Econômico, que o projeto passe direto para o plenário da Casa e seja votado até amanhã. Fique de olho também no avanço, na Câmara, da modificação no texto original do projeto do foro privilegiado para ampliar a proteção a políticos. A velha política não para de agir.

 

Entre os destaques corporativos de ontem, a Vale ON liderou ganhos em pontos e fechou em alta de 3,10%, com a disparada do preço do minério de ferro na esteira de maiores importações da commodity e a maior demanda por aço na China. A Usiminas teve o maior ganho percentual, subindo 8,08%. O setor de proteínas mostrou bom desempenho pela manhã, após a China autorizar 25 plantas frigoríficas brasileiras para exportações. Porém, somente a Marfrig ON e a Minerva ON avançaram no final do pregão. A Cyrela ON teve a maior queda percentual do índice Bovespa, de 6,41%, seguida por B2W ON, que caiu 5,64%.

 

Hoje, as ações de empresas de comércio eletrônico, como B2W, Magazine Luiza e Via Varejo, podem reagir – e, provavelmente, ter mais um dia de prejuízos – ao anúncio da Amazon de lançar seu programa de assinatura Amazon Prime no país. A Amazon, que entrou no Brasil há sete anos e expandiu sua plataforma ao longo dos últimos dois, deve oferecer frete grátis ilimitado para cerca de 500 mil produtos dos 20 milhões que atualmente vende no país, de acordo com agências de notícias. Ontem, B2W, Magazine Luiza e Via Varejo caíram 5,6%, 5% e 5%, respectivamente, refletindo o fraco início da Semana do Brasil, equivalente ao Black Friday americano.

 

(Foto: Boris Johnson – Workers in Liberty-Mike Zubrowski)

TC News Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Experimente 7 dias grátis