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Em dia de feriado nos EUA, PMI da China anima Ásia; no radar, guerra comercial, Datafolha, Argentina

Postado por: TC Mover em 02/09/2019 às 8:41

Setembro começa com dados do PMI de manufatura Caixin na China acima de 50 – aliviando os temores de que a desaceleração da segunda maior economia do mundo estivesse fora de controle. A consequência lógica desse desdobramento foi uma alta nos preços do minério de ferro e dos contratos de aço nos mercados futuro e spot – fato que o investidor da Vale e das maiores siderúrgicas brasileiras pode comemorar.

 

Hoje deve ser um dia de liquidez reduzida por conta do feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos, que ontem implementou as sobretaxas sobre US$110 bilhões de importações chinesas. Os chineses responderam com a cobrança de tarifas adicionais sobre US$75 bilhões de produtos “made in USA”. Com reunião programada em algum momento deste mês, o investidor alimentava a esperança de uma reversão de última hora.

 

O certo é que, de acordo com o que ouvimos de gestores sediados em Hong Kong, Tóquio e Londres, a China deu de ombros quanto à decisão tarifária do presidente americano Donald Trump: o jornal nacionalista Global Times já alertou que o governo da China está pronto para enfrentar a turbulência econômica que, por sua vez, deve impactar mais os consumidores dos EUA do que a China. As bolsas em Xangai e em Shenzhen dispararam com o anúncio, na madrugada de hoje, do gabinete do presidente Xi Jinping prometendo aumentar o apoio econômico caso seja necessário. Ainda não há um sinal formal por parte das duas nações de que as conversas que mencionávamos lá em cima acontecerão. O temor, disse um dos gestores, é que o “olho por olho” da última rodada de retaliações piore, pois há poucas evidências de uma mudança de postura.

 

Assim, o início da semana é marcado por uma alta no ouro e no dólar, uma alta moderada nas ações europeias e estabilidade nos contratos futuros dos Treasuries americanos. Como mencionávamos, algumas commodities metálicas e minerais subiram na China, menos o cobre – que continua fraco, reflexo do ceticismo com a economia mundial. Os PMIs do hoje na Europa mostraram que há países, como o Reino Unido, que estão profundamente atolados em crise econômica e política, que piorou ainda mais nas últimas semanas. Fábricas em todos os cantos estão sofrendo com o aumento da hostilidade comercial global: na semana passada, vimos como as exportações tiveram contribuição negativa no PIB do segundo trimestre no Brasil. Para piorar, a Argentina decretou restrições à compra de dólar e impôs novos prazos para exportadores liquidarem operações.

 

Hoje também é dia de prestar atenção nos reflexos da última pesquisa de opinião do Instituto Datafolha, que aponta a forte erosão da popularidade do presidente Jair Bolsonaro em pouco menos de dois meses: a reprovação do mandatário subiu de 33% em julho para 38% em setembro. A aprovação de Bolsonaro também caiu, de 33% para 29%. Apesar da aprovação da Reforma da Previdência na Câmara, a radicalização no discurso do presidente – sugestões de que o pai do presidente da OAB havia sido morto por colegas de luta armada na ditadura, a indicação do filho Eduardo para a embaixada brasileira em Washington e as críticas aos governadores do Nordeste, a quem chamou de “paraíbas” – certamente não ajudou. O eleitorado também desaprova a estratégia do presidente quanto aos incêndios na Amazônia. A perda de apoio dele entre os mais ricos foi surpreendente.

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