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Dólar vira ‘válvula de escape’ e dispara; barganhas fazem bolsa subir, apesar de cenário tenso

Postado por: TC Mover em 17/05/2019 às 11:41

O dólar tocou nova máxima intradia para o ano nesta sexta-feira e operava no maior patamar desde começo de outubro, em um sinal de que o investidor está demandando mais prêmio de risco para deter ativos brasileiros em meio a crescente tensão política no país e à indefinição sobre a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.

 

A onda compradora de ativos considerados mais seguros, como os títulos da dívida americana e o iene japonês, penaliza os mercados emergentes, como o Brasil, após a mídia estatal chinesa sugerir que o governo endureceu suas posições na disputa comercial e diplomática com os EUA. O gigante asiático estaria estudando amenizar o impacto das maiores tarifas americanas sobre os produtos chineses com estímulos econômicos – deixando o acordo mais de lado.

 

No fronte local, a tensão política se encontra exacerbada desde as manifestações de rua desta semana contra o contingenciamento de verbas para a educação e a crescente tensão entre o presidente Jair Bolsonaro e o Congresso. “O tiroteio entre Executivo e Legislativo continua retardando o processo de avaliação da reforma da Previdência, o que afasta a confiança e logicamente não anima os investidores a ampliarem posição em risco,” disse Pedro Galdi, analista da Mirae Asset Corretora.

 

BOLSA: O índice Bovespa subia 0,74% para 90.700 pontos, com o investidor aproveitando as quedas recentes nos preços das ações mais liquidas da bolsa para comprar alguns papéis. O impulso de hoje veio especificamente de ações ligadas ao setor de commodities e bancos. As ações PN e ON da Petrobras negociavam em alta, mesmo após Bolsonaro dizer que poderia reaver a política de preços da estatal, porém sem causar prejuízos à companhia. Suzano ON tinha sua maior alta desde 9 de maio, 4,2%, com a alta do dólar – a companhia tem receitas dolarizadas e custos em reais. Os papéis das siderúrgicas CSN e Usiminas subiam com expectativa de altas nos preços do aço em junho.

 

CÂMBIO: O dólar futuro negociado na B3 avançava 0,9% ante o real brasileiro para R$4,0790, após atingir máxima de R$4,0960 no meio da manhã. Além de seguir o desempenho da moeda americana no exterior e, localmente, a volta da tramitação da reforma da Previdência na Câmara, o investidor monitora com cuidado sinais de fraqueza no apoio político a Bolsonaro. Nos últimos dias, em visita aos EUA, tanto o presidente do senado, Davi Alcolumbre, como o da Câmara, Rodrigo Maia, voltaram a defender a celeridade da pauta em ambas as casas.

 

JUROS: A curva de juros avançava em bloco, com o contrato do DI para janeiro de 2020 subindo 2 pontos-base e o para janeiro de 2025 disparando 6 pontos-base, para 8,80% – a ponta longa da curva costuma ser mais sensível à aversão ao risco do exterior. A semana foi marcada pela alta nos prêmios de risco, diante da nebulosidade tanto no front internacional como no nacional.

 

EUA: As bolsas americanas abriram em forte queda, mas o tombo perdia intensidade após o governo americano adiar a imposição de sobretaxas sobre as importações de carros japoneses e europeus em mais seis meses. Os índices S&P 500 e Dow Jones Industrials recuavam 0,24% e 0,14%, respectivamente, seguindo as maiores tensões com a China. As ações de tecnologia negociadas nas bolsas americanas são o principal destaque de queda.

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