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Dólar toca maior patamar em três semanas com dados dos EUA, Draghi; bolsa despenca apesar de balanços, Caged

Postado por: TC Mover em 25/07/2019 às 13:45

O bom humor na abertura desta quinta-feira deu lugar a uma postura defensiva por parte do investidor brasileiro, que apertou o botão de venda nos mercados de câmbio, juros futuros e renda variável na esteira de dados e mensagens de política econômica menos empolgantes do que o esperado. Nem a sinalização do Banco Central Europeu de que está prestes a iniciar um ciclo de flexibilização de política monetária ou o otimismo quanto à reunião da semana que vem entre os Estados Unidos e a China foram suficientes para sustentar o apetite por risco visto no começo do pregão. Assim, o ambiente ficou mais nebuloso na véspera da divulgação dos dados de crescimento econômico dos EUA – que podem impactar o sentimento de mercado.

 

Apesar da clara mensagem do Banco Central Europeu de que o afrouxamento monetário está a caminho, a coletiva do presidente da autarquia, Mario Draghi, não foi tão contundente quanto à necessidade de reduzir os juros para reverter a desaceleração na economia europeia: mesmo dizendo que o cenário de atividade em constante piora justifique uma política mais leniente, ele vê como remota a chance de uma recessão e disse que espera uma aceleração na inflação perto do final do ano. Durante a fala de Draghi, dados da economia americana, bem acima do esperado, reavivaram entre os investidores a possibilidade de que o Federal Reserve demore a cortar a taxa Fed Funds na quarta-feira que vem.

 

Os números semanais de seguro-desemprego nos EUA vieram bem abaixo do consenso, enquanto os pedidos de equipamento na maior economia do mundo atingiram em junho sua maior alta em mais de um ano. O investidor depende da fraqueza dos dados para que o Fed chancele a tão almejada queda na Fed Funds, atualmente nos 2,50% ao ano. Lembre-se que o BC brasileiro também se reúne na quarta próxima e pode, como o consenso espera, cortar a Selic em até meio ponto percentual, a 6,00% ao ano. As bolsas em Nova Iorque viraram e passaram a cair, contaminando a B3, mesmo com sinais positivos vindos da divulgação dos números de emprego com carteira assinada de junho, do Caged, e do setor externo – que de novo trouxe dados de investimento estrangeiro alentadores.

 

O câmbio futuro na B3, que começou o dia em queda e em sintonia com o desempenho do dólar americano no exterior, virou e passou a subir na sequência. O dólar futuro se valorizava 0,4% ante o real, cotado a R$3,787 – maior patamar desde a primeira semana do mês. Os juros futuros mudaram de direção e dispararam, após terem tocado mínimas históricas no início do pregão. O DI para janeiro de 2021 saltou 3,5 pontos-base, para 5,45%. Já a bolsa afundou, não somente pela súbita alta na aversão ao risco, mas também porque o mercado não digeriu tranquilamente alguns resultados trimestrais, especialmente os de Bradesco, Energias do Brasil e Carrefour Brasil. O Ibovespa recuava 0,89%, pior queda em uma semana, para 103.210 pontos.

 

Em relação ao Bradesco, o lucro recorrente e a margem financeira ficaram levemente abaixo do consenso, enquanto foi constatada uma redução pequena no ritmo de crescimento de receita com serviços. Os comentários do presidente do banco, Octavio de Lazari, de que essa linha pode acabar o ano perto do piso do guidance, e o crédito crescer perto do médio da faixa esperada em meio a uma compressão de margens, deixou o investidor apreensivo. Várias corretoras, como XP e BTG Pactual, têm Bradesco PN como sua preferida: mesmo assim, o papel despencou 4,3%, pior queda desde 6 de fevereiro, a R$37,31.

 

Se as perspectivas mais negativas se confirmarem, outros bancos também poderiam mostrar resultados similares ao longo desta temporada, disseram membros do TC. “Ficaria surpreso se o Itaú não seguir na mesma batida,” disse o usuário André Almeida. As ações do setor puxavam o Ibovespa para baixo, dando a maior contribuição para a queda do índice e do sentimento no mercado em geral. O medo de muitos é que Itaú e Banco do Brasil apresentem resultados aceitáveis por conta de uma taxa efetiva de imposto menor ou uma melhora na margem financeira com tesouraria, e não por melhor desempenho operacional. Em um ambiente que a economia está fraca e o risco de inadimplência está crescendo na margem, seria melhor sair do segmento? A conferir.

 

Já a Ambev foi o destaque positivo do pregão. A maior fabricante de bebidas da América Latina divulgou resultados que bateram o consenso de mercado no segundo trimestre, refletindo fortes controles de despesas operacionais e financeiras em um cenário de desaceleração econômica na Argentina e no Brasil e de pressões de custos persistentes. O papel teve sua maior alta em 11 anos na manhã de hoje, ganho de mais de 8%, impulsionado por um relatório do Itaú BBA, que fez dupla elevação da recomendação da ação, passando de underperform, equivalente à venda, para outperform, ou compra. A dupla alta, movimento pouco comum entre os analistas e que também envolveu a elevação do preço-alvo do papel, refletiu os resultados e a perspectiva de queda na taxa básica de juros.

 

(Foto: Draghi – MarketWatch)

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