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Dólar sobe para R$3,84 e bolsa cai com aversão ao risco

Postado por: TC Mover em 06/03/2019 às 18:52

O dólar fechou no maior patamar desde 28 de dezembro e a bolsa caiu, chegando a descer abaixo dos 94 mil pontos na mínima desta quarta-feira, na volta do feriado prolongado de Carnaval. Sem novidades acerca da construção política para a reforma da Previdência no Congresso, nem evidências concretas sobre um desfecho das negociações comerciais entre Estados Unidos e China, os mercados tendem a ressentir da falta de catalisadores nos próximos dias, o que leva analistas a prever volatilidade e recomendar cautela em março.

A aversão ao risco provocou alta firme do dólar em todo o mundo, com o real figurando entre as maiores perdas contra a moeda americana. Novos ruídos envolvendo um tuíte do presidente Jair Bolsonaro sobre o Carnaval geraram polêmica em redes sociais, provocando certo desconforto entre investidores, receosos quanto aos sinais de inexperiência do novo governo na articulação da base política.

Aliás, com retirada de R$845 milhões no último dia do mês, os investidores estrangeiros fecharam fevereiro acumulado saldo negativo de R$1,09 bilhão no ano na B3. O dólar futuro fechou em alta de 1,73% a R$3,846, e os juros futuros subiram em bloco, com o contrato para janeiro de 2020 avançando 1,5 ponto-base a 6,480%.

O índice Bovespa encerrou o pregão mais curto – iniciado às 13h00 – em queda de 0,41% a 94.217 pontos, seguindo de perto os mercados internacionais. O índice S&P500 recuou 0,65% em sessão negativa também em praças financeiras importantes na Europa.

O anúncio de nova rodada de estímulos econômicos por parte do governo chinês não conseguiu animar investidores, focados no desenrolar da disputa tarifária entre Pequim e Washington. Em tempos de incertezas a respeito da saúde da economia global – a OCDE reduziu a projeção para o crescimento global neste ano, de 3,5% para 3,3% –, os números abaixo do esperado da geração de vagas de emprego no setor privado dos EUA também incomodaram.

O Livro Bege do Federal Reserve, espécie de sumário do panorama atual da atividade nos EUA, revelou que a paralisação parcial do governo e a desaceleração global pesaram sobre a economia americana neste início de ano. Neste contexto, o investidor ficará de olho amanhã na divulgação do PIB da Zona do Euro no quarto trimestre e nas perspectivas econômicas do Banco Central Europeu, que atualiza a política monetária da região na quinta-feira.

Na contramão da bolsa, as ações da CSN dispararam 9,39%, encerrando cotadas a R$15,15, maior nível desde junho de 2011. A siderúrgica divulgou uma projeção de EBITDA – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização – ajustado de R$7,5 bilhões em 2019, além de ter circulado na comunidade TC a informação de que contratou o Citi para venda de US$1 bilhão de minério de ferro, um movimento que pode ajudar na estratégia de redução do endividamento da empresa.

Na mesma ponta, as ações da Vale absorveram o impacto do afastamento temporário da diretoria, com substituição do CEO Fabio Schvartsman pelo diretor-executivo Eduardo Bartolomeo, e subiram 2,80%. Ambas as empresas também reagiram ao otimismo dos analistas com o cenário para os preços do minério de ferro. Para o Citigroup, a commodity pode chegar a tocar os US$100 a tonelada se um engarrafamento de oferta se apresentar perto do meio do ano; já o Morgan Stanley elevou a projeção do preço à vista em 30% para US$81 a tonelada pelo aperto na oferta de curto prazo.

(Foto: B3/Divulgação)

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