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Dólar, juros sobem após Guedes cancelar visita na CCJ; parlamentares atacam pontos da reforma

Postado por: TC Mover em 26/03/2019 às 14:26

O câmbio e os juros futuros passaram a subir no final da manhã desta terça-feira após o ministro da Economia, Paulo Guedes, cancelar sua ida à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara em meio a um turbilhão político e após vários parlamentares influentes anunciarem que boicotarão alguns pontos importantes da reforma da Previdência.

 

Enquanto isso, a bolsa reduziu a alta, sustentada por ganhos das ações de Petrobras e Vale. O adiamento da ida de Guedes à CCJ da Câmara mantém o clima de incertezas sobre a articulação política para a reforma após a troca de farpas entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e de dúvidas sobre o comprometimento do primeiro pelo projeto. Hoje, parlamentares conduzidos pelo líder da maioria no Congresso, Aguinaldo Ribeiro, do PP, disseram que vetarão mudanças no benefício contínuo e a aposentadoria rural, assim como não permitirão que os dispositivos para mudar o sistema sejam retirados da Constituição.

 

“Estão se organizando para forçar o governo Bolsonaro a negociar com o Congresso,” disse um gestor sediado em Nova Iorque. “Os sinais são de queda de braço longa, mas não acho que a reforma vai fracassar”, disse.

 

No mercado de câmbio, o dólar futuro avançava 0,62% frente ao real, cotado a R$3,876 por volta das 11h50. Já os juros futuros subiam em bloco, com o contrato para janeiro de 2020 se elevando em 1,5 ponto-base para 6,465%. Até a notícia de cancelamento da ida de Guedes à CCJ, os juros caíam e o dólar futuro oscilava perto da estabilidade.

 

O índice Bovespa subia 0,46% a 94.094 pontos, com destaque para blue chips, as ações mais líquidas do Ibovespa, como Petrobras, Vale e bancos. A estatal petrolífera anunciou mudança na política de reajuste de preços do diesel e segue na expectativa pelo acordo de cessão onerosa. Já a mineradora divulgou que a produção de minério de ferro cresceu 4,9% no quarto trimestre e que o desastre de Brumadinho impactou a produção anualizada em 93 milhões de toneladas – o que deve dar suporte aos preços.

 

Desde cedo, investidores monitoravam a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom. Segundo o documento, o BC conclui que haverá uma aceleração na inflação ao longo do segundo trimestre e que tanto o ritmo de recuperação da economia como a sustentabilidade da taxa de juros no menor patamar histórico dependerão da aprovação de reformas estruturais – especificamente a da Previdência.

 

Lá fora, dados confiança do consumidor e de construção de moradias, nos Estados Unidos, vieram abaixo do esperado, mas, por ora, prevalecia certo alívio nas preocupações sobre a desaceleração global, com investidores aproveitando para comprar ações excessivamente penalizadas nos últimos dias.

 

(Foto: Paulo Guedes/Agência Brasil)

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