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Discurso de Powell marca pregão decisivo para mercados globais; fogo na Amazônia fica no radar

Postado por: TC Mover em 23/08/2019 às 8:59

Com a volatilidade e a incerteza escalando nos mercados, a disputa comercial ameaçando virar uma guerra cambial e a atividade desacelerando rapidamente no mundo inteiro, a edição deste ano do Simpósio de Bancos Centrais, promovido pelo Federal Reserve em Jackson Hole, deve atrair as atenções dos investidores hoje e ao longo do fim de semana. Após anos de irrelevância, a edição deste ano promete: investidores, economistas e até o presidente americano Donald Trump devem ouvir o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, programado para as 11h00, horário de Brasília. O que ele deve falar? 

 

O mercado quer ouvir de Powell o que levou o Fed, no mês passado, a cortar a taxa-alvo de juros pela primeira vez desde 2008, assim como sua opinião sobre a economia mundial e a guerra comercial. Os ativos de risco vêm ladeira abaixo desde 31 de julho, quando ele disse que a redução foi um “ajuste intermediário” e não o início de um ciclo de cortes. A procura por proteção puxou os rendimentos dos Treasuries para as mínimas de três anos, forçou à inversão da curva da dívida americana e fez Trump arremeter os ataques contra Powell, seu maior desafeto, por ter sido tímido demais com a taxa Fed Funds. 

 

O investidor na B3 ontem sentiu o peso da expectativa em relação ao evento, levando a um recuo na bolsa e a uma alta no dólar futuro e na curva dos juros. Hoje não deve ser diferente caso a sinalização de Powell seja negativa ou ambígua. O mercado local também deve reagir a duas notícias no campo político: a primeira, que se formou maioria no Supremo Tribunal Federal contra a redução de jornada de trabalho de servidores públicos, acompanhada de corte de salários, em situações de estouro do limite determinado pela Lei de Responsabilidade Fiscal para gastos com pessoal. 

 

A segunda, as queimadas que atingem a Amazônia ganharam uma repercussão tão grande na Europa que devem virar tema da reunião do G7, em Biarritz, na França, neste fim de semana. O estopim? As críticas do presidente Jair Bolsonaro a entidades ambientalistas. Apesar de dados da Nasa mostrarem que as queimadas nesta época de seca estão na média dos últimos 15 anos, a situação chamou a atenção de líderes mundiais, que alertaram para a necessidade de proteger a floresta. Dadas as proporções que o assunto tomou mundo afora e nas redes sociais, com forte impacto na imagem de Bolsonaro, o governo se viu obrigado a montar um gabinete de crise, formado por diversos ministros, para lidar com a situação, de acordo com edição extra do Diário Oficial. 

 

Além do discurso de Powell em Jackson Hole, as sete maiores potências mundiais se encontram na reunião do G7, na França, do dia 24 ao dia 26 de agosto. O risco é que não haja consenso em temas como protecionismo, as sanções contra o Irã pelo programa nuclear do país islâmico, ou proteção ao meio ambiente, disseram analistas. No plano local, a FGV divulgou dados de inflação medidos pelo IPC-S de agosto: inflação de 0,22% no período. Também deve repercutir a divulgação de pesquisa Veja/FSB que mostra Bolsonaro liderando tranquilamente nas pesquisas, se for reeleito. Mas o eleitorado alertou na pesquisa: as falas polêmicas do presidente atrapalham o governo – e muito. 

 

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Principais notícias corporativas

 

Na última sessão, as ações preferenciais de Itaú e Bradesco lideraram o recuo do índice Bovespa, com quedas de 1,58% e 1,30%, respectivamente. Segundo notícia do portal UOL, citando delação do ex-ministro Antônio Palocci, os ex-executivos do Bradesco Octavio de Barros e Júlio Siqueira solicitaram informações confidenciais vindas do Banco Central, em troca de doações para a campanha da ex-presidente Dilma Rousseff. 

 

Hoje, em conexão com a delação de Palocci, a Polícia Federal deflagrou nova fase da Operação Lava Jato, dessa vez para “esclarecer a existência de corrupção envolvendo instituição financeira nacional e estatal petrolífera na exploração do pré-sal e em projeto de desinvestimento de ativos no continente africano”, disse a PF em comunicado. 

 

Segundo coluna do jornal O Globo, a operação da PF, chamada de Pentiti, ou “Arrependidos” em italiano, cumpre mandados de busca e apreensão de documentos na casa do banqueiro André Esteves, no Rio de Janeiro, e nas sedes paulista e carioca do BTG Pactual. De acordo com o jornal Valor Econômico, acionistas e credores da Oi estariam em conversações para viabilizar uma operação de financiamento que não envolva novo aumento de capital. A melhor opção seria emitir dívida com garantia lastreada em ativos ou em recebíveis.

 

A oferta subsequente de ações do Banco do Brasil, que está prevista para ocorrer até o início de outubro, poderá atingir um volume total de R$8 bilhões, disse o Valor. Os vendedores seriam o fundo FI-FGTS, da Caixa Econômica, e a União. A intenção, segundo o jornal, também é reduzir o montante de ações que estão na tesouraria do próprio banco. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a varejista holandesa C&A iniciou a contratação de bancos para levar à frente o pedido para realizar uma oferta pública inicial de ações na B3. Ontem, as ações da concorrente Lojas Renner despencaram com a notícia.

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

08h00 IPC-S semanal (agosto) – FGV

10h30 Divulgação do Caged mensal (julho) – MinEconomia

 

Indicadores internacionais

11h00 EUA – Vendas de casas novas mensal (julho)

14h00 EUA – Contagem de sondas Baker Hughes

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

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