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Dia agitado em Brasília mostra governo preocupado com economia; exterior, Oi, leilões do BC no radar

Postado por: TC Mover em 28/08/2019 às 9:14

Os futuros dos índices acionários americanos sobem e as ações na Europa caem nesta quarta-feira, com o investidor ansioso quanto aos desdobramentos da guerra comercial sino-americana, cada vez mais imprevisível, e o plano do premiê britânico, Boris Johnson, de reiniciar as sessões do Parlamento somente duas semanas antes da saída do Reino Unido da União Europeia, programada para 31 de outubro. Prova de que que a procura por ativos seguros recua, porém relutantemente, os rendimentos dos Treasuries e o ouro operam estáveis, as commodities de energia e metálicas sobem e o medo, representado pelo índice de volatilidade VIX, não mostra grandes variações. O fechamento sem direção nas bolsas asiáticas resume o sentimento do pregão: procura cautelosa por oportunidades.

 

Os sinais de mercado continuam difíceis de ler, com a curva de juros dos Treasuries americanos aprofundando sua inversão – hoje a diferença entre o juro de dois e de dez anos aumentava para 4 pontos-base negativos. O ouro parece ter encontrado um suporte sólido. “Estes são todos sinais de um mercado pouco saudável e fragilizado”, disse Dan Kawa, sócio da TAG Investimentos. O sentimento em geral é de que a política monetária nas maiores economias carece da potência necessária para tirar o mundo do marasmo em que se encontra desde final do ano passado por conta da guerra comercial. Alguns observadores já alertam sobre a aparição de fenômenos que devem assombrar os mercados logo ali: os balanços dos bancos europeus, a bolha da dívida com juros negativos de quase US$15 trilhões, e a força do populismo de esquerda. Fique de olho.

 

Mas, aos poucos, o foco do investidor na B3 está ficando mais equilibrado, com os assuntos internos ganhando cada vez mais peso no balanço de riscos. O presidente Jair Bolsonaro e os comandantes da equipe econômica, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto terão um dia recheado de reuniões com parlamentares e empresários. Bolsonaro se reúne com o presidente da AT&T, Randall Stephenson, em meio a rumores de que a gigante americana estaria interessada em comprar a Oi. Guedes busca apoio do empresariado para seu plano de reavivar a economia em reunião com a Fiesp hoje. Campos Neto, centro da polêmica no mercado após seu discurso de ontem no Senado ter acelerado a intervenção do BC no mercado de câmbio, tem encontro com o presidente do Supremo Tribunal Federal. A conferir os resultados de tais reuniões.

 

Um ponto de atenção importante é a intervenção do BC no mercado de câmbio, que ontem teve matizes dramáticas após o dólar futuro mostrar a maior variação de cotações, da máxima à mínima do dia, desde final de março. Preocupado com a desvalorização do real, a terceira moeda que mais perdeu valor ante o dólar americano neste ano entre as principais divisas de mercados emergentes, o BC usou quase US$2 bilhões das reservas do país para conter a escalada do câmbio. Foi a primeira vez que o BC tentou essa estratégia desde fevereiro de 2009, em plena crise financeira do subprime. O anúncio, feito de forma abrupta, surpreendeu o mercado porque a estratégia que tinha sido anunciada na semana passada envolvia o fornecimento de até US$ 550 milhões em dólares à vista com oferta simultânea de contratos de swap reverso. Hoje teremos leilões conjugados, às 09h30, e de linha, ás 10h15.

 

O susto com a intervenção do BC no câmbio deixou o mercado com interrogações quanto aos próximos passos da política monetária – levando os juros a fechar em alta na tarde de ontem. “O BC mandou mensagens mistas,” disse Pedro Tuesta, economista-chefe para América Latina na Continuum Economics. “Como Campos Neto disse que o nível do dólar era irrelevante na medida que a liquidez estivesse ok, o que me parece que aconteceu é que ele, com esse discurso, gerou um problema de liquidez do nada.” A abordagem está repleta de problemas, por conta do cenário conturbado no exterior e os sinais desencontrados. Se o BC sair cortando juros tão rapidamente quanto parece querer, é de se esperar que mais capital saia do Brasil. “Você tem que aceitar custos”, aponta. Isso pode piorar em um evento de estresse mundo afora que force o investidor a zerar posições ou buscar hedge. Esta semana ocorre, ainda, a fixação da taxa Ptax, o que eleva a volatilidade do câmbio. Ibovespa, câmbio e juros, assim, devem refletir certa cautela hoje.

 

Mundo afora, um evento que deve atrair os holofotes hoje é a decisão do premiê britânico, Boris Johnson, de pedir à Rainha Elizabeth II a suspensão do Parlamento a partir da semana de 9 de setembro até 14 de outubro – uma medida que aumenta as probabilidades de uma saída abrupta do Reino Unido da União Europeia. A libra esterlina despencou com o anúncio. Johnson justificou a medida como uma forma de implementar a agenda do seu governo, que assumiu no mês passado com a difícil tarefa de executar a saída da UE. Johnson disse na TV que não está buscando uma eleição geral. O discurso da Rainha, agendado para 14 de outubro, marcaria a reabertura formal do Parlamento, limitando as negociações antes do prazo final para o Brexit, em 31 do mesmo mês. A oposição sinalizou na terça-feira que buscaria criar uma lei impedindo Johnson de buscar um Brexit abrupto.

 

Na quarta-feira, o mercado deve seguir de olho no Congresso. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado deve iniciar a leitura do parecer da Reforma da Previdência, caso haja acordo entre líderes. Também nesta quarta, o plenário da Casa pode começar a votar a PEC da cessão onerosa. Haverá ainda uma série de indicadores: o Banco Central informa dados de empréstimos bancários e taxa de inadimplência do mês de julho, em novo horário, por volta das 15h00, além do fluxo cambial semanal, no meio-dia. O Tesouro Nacional divulga, às 10h00, o relatório da dívida pública federal, também de julho. No exterior, os Estados Unidos divulgam números de pedidos de hipotecas de agosto. Mais cedo, foram divulgados os dados do índice de confiança do consumidor da Alemanha em setembro; no meio da manhã, serão publicados os números dos estoques de petróleo do Departamento de Energia dos Estados Unidos, com previsão de queda semanal de 2,11 milhões de barris de óleo.

 

No âmbito corporativo, as units do BTG Pactual apresentaram recuperação na última sessão, com alta de 17,37%, depois de cair mais de 18% na segunda-feira. O UBS elevou a recomendação da ação da B2W para compra, com preço-alvo de R$56. A ação ON da companhia fechou em alta de 0,66%. A Via Varejo ON foi a maior alta percentual do índice, com avanço de 5,71% — a companhia irá emitir R$1,5 bilhão em notas promissórias. As ações ON e PNB da Eletrobras tiveram as maiores quedas na sessão, de 2,53% e 3,42%, respectivamente. A Petrobras informou que detectou um vazamento de cerca de 5 metros cúbicos de resíduo de óleo na refinaria de Abreu e Lima. Parte do líquido atingiu um córrego, mas, segundo a estatal, o vazamento está controlado. A Lojas Marisa informou a aprovação da emissão de notas promissórias no montante de até R$175 milhões.

 

Finalmente, as ações da Oi podem reagir a duas notícias, ambas vindas do jornal O Globo. A primeira, citando fontes, disse que acionistas e conselho da quarta maior operadora de celular do país vêm trabalhando para costurar duas alternativas para o futuro da empresa; uma, a venda total da Oi para um novo investidor; a outra, o fatiamento das operações por região. Na lista de interessados estariam Vivo, Claro e Tim Brasil, a americana AT&T e empresas chinesas. A outra notícia, que saiu na coluna do jornalista Ancelmo Gois, também n’O Globo, disse que foi aprovado o financiamento que viabiliza a venda de 25% que a Oi tem no capital da angolana Unitel. A coluna não menciona o nome do devedor, mas supomos que seja a Sonagol, que buscava um empréstimo para garantir a operação. A venda dessa fatia deve gerar mais de R$3 bilhões para a Oi.

 

(Foto: Bolsonaro, Guedes e Campos Neto – Marcos Correa/Agência Brasil)

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