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Desaceleração chinesa preocupa e ativos de risco caem; fique de olho na greve geral, dados nos EUA

Postado por: TC Mover em 14/06/2019 às 8:23

Bolsas, commodities de energia e metálicas e outros ativos de risco operavam nesta sexta-feira em queda, em um clássico movimento de aversão a risco após a enxurrada de dados fracos de atividade econômica na China desta madrugada. A produção industrial e o investimento em ativos fixos na segunda maior economia do planeta mostraram desempenho pior do que o consenso esperava, mas foram em parte compensados por uma alta forte nas vendas no varejo e estabilidade na taxa de desemprego em maio.

 

No entanto, o mercado avalia que a situação global não está legal: a divergência entre os preços do ouro – em alta – e do cobre – em baixa – está no maior patamar visto em pelos menos quatro anos. Quando esse spread abre muito, é sinal de fragilidade estrutural. Com a incerteza provocada pela escalada das tensões comerciais entre os Estados Unidos e seus principais parceiros comerciais, especialmente a China, além da piora nos sinais de uma geopolítica mais complicada no Oriente Médio, que deve ter um impacto nos fluxos e nos preços do petróleo, é de se esperar mais volatilidade. Bolsas caem, preços dos títulos de dívida soberana avançam, petróleo flutua fortemente e o temor dos investidores – medido pelo índice VIX de volatilidade – continua em alta.

 

Assim o exterior deve ser fonte de ruído no pregão de hoje na B3. Hoje cedo, teremos dados do varejo e da indústria americana – que podem corroborar ainda mais o cenário de pouso moderado da maior economia do planeta e aumentar as apostas por um corte na taxa-alvo do Federal Reserve na semana que vem. Cada vez mais economistas e gestores acreditam que tanto a economia chinesa quanto a mundial passam por um estágio avançado do ciclo econômico – ou seja, estão a caminho de um processo inevitável de desaceleração – e que, no caso da China especificamente, a alavancagem excessiva deixe a atuação da equipe econômica do país mais difícil para contornar a situação.

 

Por aqui, teremos a publicação da prévia mensal do PIB brasileiro, o índice IBC-Br, calculado pelo Banco Central, que deve trazer dados fracos para o mês de abril e, igual que em outros lugares do mundo, reavivar as teses de quem quer corte de juros já. Os números de inflação trazidos pelo IGP-10 também podem dar mais um gás nessa tese: o comitê de política monetária do BC brasileiro se reúne entre terça-feira e quarta-feira que vem. Pelo momento, o consenso mostra que a maioria dos economistas espera manutenção da taxa básica de juros Selic na mínima histórica em 6,50% ao ano – mas o investidor espera algum relaxamento no indicador a partir do quarto trimestre caso a Reforma da Previdência seja aprovada no Congresso.

 

Na política local, as notícia que podem repercutir hoje são a greve geral, contra a reforma da Previdência, em defesa da educação e por mais empregos, demissão, ontem, do ministro-chefe da Secretária Geral da Presidência, Carlos Santos Cruz, visto como um moderado dentro de um governo com múltiplas tendências ideológicas. Enquanto à greve, ela deve criar transtornos ao cidadão comum, mas pouco dano a Bolsonaro. Em relação à demissão ficou claro que as intrigas, vindas do campo da “nova direita” capitaneado pelos filhos do presidente Jair Bolsonaro, não vão cessar no curto prazo. Elas preocupam por criar instabilidade na relação do governo com os outros poderes. Bolsonaro, lembrem-se, não governa sozinho.   

 

No âmbito corporativo, fique de olho no leilão de venda, na B3, da fatia de pouco mais de 36% que a GPA tem na Via Varejo para um consórcio de investidores liderado pelo empresário Michael Klein, por volta das 10h30. Espera-se que aconteça sem maior contratempo. Além disso, os acionistas da Netshoes debatem se aceitam a oferta de compra de controle da companhia pela Magazine Luiza; na madrugada, o conselho da Netshoes respondeu com um “não, obrigado” à proposta da Centauro, que elevou sua oferta de compra da varejista eletrônica de vestuário para US$127 milhões.

 

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Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

 

As bolsas europeias recuam e os futuros dos índices acionários apontam para uma abertura em queda nesta sexta-feira, após dados econômicos na China abaixo do consenso dispararem mais alertas sobre a desaceleração global e o risco do prolongamento da guerra comercial. Os preços dos títulos de dívida soberana das maiores economias subiram, puxando as taxas de juros desses instrumentos para baixo e reforçando as apostas de um movimento global entre os bancos centrais para reduzir o custo do dinheiro e estimular o crescimento. Mas isso não impediu que as bolsas mostrassem desempenho misto em Ásia ou que caíssem na Europa. Após a produção industrial e o investimento em ativos fixos de maio mostrarem desempenho abaixo do consenso na China, todos os olhos agora se voltam para os dados de varejo nos EUA para inferir se há chances de cortes nos juros antes do final de julho.

 

Bolsas: O índice Stoxx600 recuava cedo na sexta, com a maioria dos setores no vermelho, contaminando o sentimento e puxando os futuros do S&P500 e do Dow Jones Industrials para baixo. Os contratos futuros do Nasdaq também recuavam com o corte no guidance de receita da Broadcom por conta da guerra comercial. As ações chinesas caíram, enquanto o índice Nikkei da bolsa de Tóquio subiu. Corroborando a cautela, a volatilidade subiu, com o índice VIX avançando quase 3% hoje.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Principais notícias corporativas

 

 

Petrobras: A Petrobras concluiu a venda da rede de gasodutos TAG ao grupo formado pela Engie com o fundo canadense CDPQ por R$33,5 bilhões, sendo aproximadamente R$2 bilhões destinados ao BNDES, para quitar dívidas.

 

Engie: A Engie informou que a diretoria da TAG terá Gustavo Henrique Labanca Novo como diretor-presidente e Marc Claassen como diretor financeiro interino.

 

Netshoes: A Centauro elevou a oferta pela Netshoes para US$4,10 por ação. O conselho de administração da companhia reitera para acionistas aceitarem a oferta de compra pela Magazine Luiza.

 

Comgás: A Cosan passou a deter 98,5% da Comgás após aquisição de ações em oferta pública.

 

Juros: Corte da taxa Selic antes do final do ano torna-se cenário predominante no mercado (Valor)

 

 

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

08h00 IGP-10 mensal (junho) – FGV

08h30 IBC-Br mensal (abril) – Banco Central

08h30 IBC-Br anual (abril) – Banco Central

 

Indicadores internacionais

01h30 Japão – Produção industrial mensal (abril)

03h00 Alemanha – Índice de preços no atacado mensal (maio)

09h30 EUA – Núcleo de vendas no varejo mensal (maio)

09h30 EUA – Vendas no varejo mensal (maio)

10h15 EUA – Capacidade instalada da indústria mensal (maio)

10h15 EUA – Produção industrial mensal (maio)

10h15 EUA – Vendas da indústria mensal (maio)

11h00 EUA – Estoques das empresas mensal (abril)

11h00 EUA – Prévia da confiança do consumidor (junho)

11h00 EUA – Prévia do Índice Michigan de percepção do consumidor (junho)

14h00 EUA – Contagem de sondas – Baker Hughes

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

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