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Decisões do Fed e do Copom dominam pregão e sentimento é de juros menores à frente; olho com Moro na CCJ e Congresso

Postado por: TC Mover em 19/06/2019 às 8:42

Tanto o Federal Reserve como o Banco Central do Brasil devem manter suas taxas-alvo de juros hoje e, por sua vez, sinalizar cortes para as próximas reuniões de política monetária. Essa é a visão quase unânime dos economistas e gestores que foram consultados pela TC News sobre os dois eventos mais relevantes desta semana para o investidor local. O pano de fundo para ambas as decisões tem em comum o peso do momento político em ambos os países: no caso dos Estados Unidos, a aberta animadversão que o presidente Donald Trump sente pelo Fed, que culpa pela desaceleração econômica em curso. No caso do Brasil, o fato que o BC deve só agir nos juros quando tiver uma certeza relevante de que a Reforma da Previdência vai passar.

 

Marília Fontes, analista e sócia fundadora da Nord Research, disse em entrevista à TC News que a diretoria do BC, liderada por Roberto Campos Neto, tem que mudar o discurso sobre a taxa Selic, não só pela economia estar estagnada, mas porque é muito provável que a Câmara aprove a reforma em julho. “Como achamos que o BC está um pouco atrasado e só está segurando a redução da Selic por conta da reforma, ele teria que mudar o discurso agora, para na próxima reunião poder cortar. A Selic não poderia cair sem antes mudar o discurso,” disse. A Selic deve ficar em 6,50%, mas o foco do investidor estará, logicamente, no tom da linguagem da decisão – que deve sair depois das 18h00.

 

Nos EUA, o Fed, especialmente seu presidente Jerome Powell, devem sentir a pressão para flexibilizar vindo de Trump e de milhões de investidores apostando pesado em cortes. Ontem, a Bloomberg News disse que, em fevereiro, Trump pensou em remover Powell do comando do Fed – fato inédito na história do governo americano. Hoje os mercados acionários na Europa e futuros das bolsas em Nova Iorque operam quase estáveis à espera da decisão. Impera a cautela no momento. O anúncio será às 15h00 e, meia hora depois, haverá uma coletiva com Powell: ele dificilmente vai fugir dos questionamentos sobre a tentativa de Trump de demiti-lo ou do peso da pressão política na decisão de hoje.

 

Fique atento é a sessão na Comissão de Constituição e Justiça do Senado onde o ministro da Justiça, Sérgio Moro, comparecerá para prestar esclarecimentos sobre a suposta troca de mensagens com o procurador Deltan Dallagnol, quando era o juiz da Operação Lava Jato. Ontem, o site que divulgou as conversas, The Intercept Brasil, soltou mais diálogos, obtidos com a ajuda de um hacker. Moro bateu nessa tecla ontem em um programa de TV. O ministro não tem grande base de fãs no Senado, o que nos faz suspeitar que a audiência será tensa. Sua presença também acontece após a derrota do Decreto das Armas, projeto-chave do presidente Jair Bolsonaro, e que Moro protocolou: o plenário do Senado o derrubou e devolveu para a Câmara.

 

Além das decisões de juros no Brasil e nos EUA, teremos uma agenda econômica cheia mundo afora: preços ao produtor na Alemanha, saldo da conta corrente no balanço de pagamentos da União Europeia e inflação no varejo e no atacado no Reino Unido – que veio um pouco abaixo do consenso. Espera-se que o governo argentino divulgue os números de crescimento econômico no primeiro trimestre. Também fique de olho no segundo dia de debates sobre a Nova Previdência na comissão especial da Câmara dos Deputados – ontem o relator do texto se mostrou aberto a fazer mudanças positivas no substitutivo da matéria. E também teremos números de fluxo cambial para a semana e o mês.

 

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Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

 

As bolsas europeias operavam no vermelho e os futuros dos índices acionários americanos apontavam para uma abertura em leve queda, à espera da decisão de política monetária do Federal Reserve e dos comentários do seu presidente sobre o cenário para a economia e os juros norte-americanos. Entre os investidores existe a expectativa de que o Fed, da mesma maneira que alguns dos maiores bancos centrais do mundo, sinalize uma mudança no viés da política monetária para um viés mais dócil. Com os temores de uma guerra comercial prolongada e os sinais de arrefecimento do crescimento global cada vez mais latentes, os mercados já precificam que o Fed deva cortar sua taxa-alvo até três vezes antes do final do ano. Apesar das projeções, disse um gestor sediado em Londres que o “risco de frustração cresce” com a proximidade da decisão do Fed, assim como com a reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, dos Estados Unidos e da China, respectivamente, na semana que vem no Japão – e que pode trazer alguma saída, ou não, à disputa comercial entre os países.

 

Bolsas: Os contratos futuros para os três principais índices referência em Nova Iorque recuavam pouco menos de 0,1%, enquanto um recuo nas ações do setor de incorporação puxava o índice pan-europeu Stoxx600 para baixo 0,15%. O desempenho no pregão europeu destoava fortemente do que foi visto na madrugada de hoje na Ásia, onde as bolsas dispararam, impulsionadas pela notícia da reunião Trump-Xi. O dia, no entanto, não mostra uma alta significativa na aversão ao risco, o que sinaliza que o sentimento pode mudar para melhor ao longo do pregão: o índice VIX, indicador preferido para medir a volatilidade no mercado de ações, recuava mais de 1% para baixo dos 15, perto de menor patamar em quase um mês.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Principais notícias corporativas

 

Tarpon: A B3 informou que as ações da Tarpon não serão mais negociadas no Novo Mercado a partir desta quarta-feira.

 

Copel: A Copel recebeu a autorização para operação de subestação que compõe o lote E do leilão de trasmissão 005; com isso, iniciou operação do empreendimento três meses antes do previsto pela Aneel.

 

Neoenergia: A Neoenergia informou que irá fixar preço por ação da oferta secundária em 27 de junho.

 

Localiza: A Localiza aprovou programa de recompra de até 50 milhões de ações e pagamento de juros sobre capital próprio de R$75,5 milhões.

 

Natura: Natura obtém na Justiça direito à exclusão da base de cálculo de impostos 60% dos gastos com P&D (Valor)

 

Banco Inter: Brasil Brokers e Banco Inter têm novo modelo para venda de imóvel usado (Valor)

 

 

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

05h00 IPC semanal – Fipe

12h30 BC – Fluxo cambial semanal

18h00 BC – Decisão da taxa básica de juros Selic

 

Indicadores internacionais

03h00 Alemanha – IPP mensal (maio)

03h00 Alemanha – IPP anual (maio)

05h00 UE – Transações correntes mensal (abril)

05h30 Reino Unido – Núcleo do IPP mensal (maio)

05h30 Reino Unido – Núcleo do IPP anual (maio)

05h30 Reino Unido – IPC mensal (maio)

05h30 Reino Unido – IPC anual (maio)

08h00 EUA – Pedidos de hipotecas semanal – MBA

11h30 EUA – Estoques de petróleo bruto

15h00 EUA – Decisão da taxa-alvo de juros Fed Fund

16h00 Argentina – crescimento do PIB anual (1T)

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

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