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Crítica de Guedes à diluição da Previdência eleva ceticismo; reforma e reuniões do Copom, Fed podem ampliar cautela

Postado por: TC Mover em 14/06/2019 às 18:08

As idas e vindas quanto à Nova Previdência fizeram a bolsa brasileira encerrar em queda pela primeira semana em quatro, com um pregão, nesta sexta-feira, no qual pesaram as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, criticando o substitutivo do projeto apresentado na Comissão Especial da Câmara, na quinta-feira, por diluir a proposta original. A fala de Guedes, em um dia no qual não se esperavam muitas notícias a respeito da Previdência, fez o mercado cair na real e assumir uma postura mais defensiva, que pode se manter na semana que vem, quando a proposta será debatida na comissão.

 

Nas contas de Guedes, a nova proposta não trará economia fiscal de R$913 bilhões em dez anos, conforme o relatório inicial da comissão calculou, mas ainda menor, de R$860 bilhões – 30% inferior ao que projetava o plano do governo, de R$1,24 trilhão. Ele criticou também a proposição de aumentar a contribuição social sobre o lucro líquido, a CSLL, para os bancos e de mudar o repasse do PIS/PASEP para o BNDES. No meio da tarde, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deu uma entrevista coletiva na qual rebateu as declarações de Guedes, e afirmou que o ministro “não está sendo justo”, além de reforçar que o projeto será blindado de “usina de crises” do governo. O presidente da Câmara reiterou que está mantido o cronograma de aprovação do projeto, que deverá ficar com uma economia entre R$850 bilhões e R$900 bilhões. A comissão deve votar o parecer do relator por volta de 25 de junho.

 

O exterior não ajudou a bolsa brasileira no encerramento da semana, com dados fracos de atividade econômica na China e nos Estados Unidos, tensões no Oriente Médio e a fala do presidente americano, Donald Trump, acusando a China de manipular o iuan para se manter competitiva. Diante desse contexto, o Ibovespa fechou a sexta-feira com recuo de 0,74% a 98.040 pontos. O dólar avançou 1,19% e fechou a R$3,899. Na semana, o índice acumula alta de 0,22%; o dólar subiu 0,41%, após três semanas de quedas. Os juros, que pela manhã recuaram influenciados pelos números fracos do IBC-Br de abril, tido como uma prévia do PIB brasileiro, e da queda na inflação medida pelo IGP-10, de junho, passaram a avançar na esteira das declarações de Guedes, e assumiram um comportamento mais volátil à tarde. Os DIs com vencimento para janeiro próximo fecharam em queda de 5,5 pontos base. No noticiário corporativo, o destaque foi a saída do GPA do capital da Via Varejo. Com a venda das ações que detinha, o supermercadista levantou cerca de R$2,3 bilhões.

 

Na próxima semana, o investidor deve ficar atento nos debates sobre a reforma na comissão. Mais ajustes podem ocorrer no projeto, mexendo com o humor do mercado, a depender dos impactos de possíveis mudanças no teor do projeto. No entanto, os eventos mais importantes estarão relacionados aos juros. Por aqui, teremos na quarta-feira a reunião do comitê de política monetária do Banco Central, o Copom. O mercado espera uma mudança no discurso da autarquia que aponte para um corte na taxa Selic nos próximos meses. Nos EUA, o Federal Reserve também divulga sua decisão de política monetária na quarta-feira. As apostas por um corte em julho continuam crescendo, porém, o mais provável seja que, se vier, a redução aconteça mais perto de setembro. A atividade econômica e inflação fracas sustentam essa visão. Em todo caso, espere um investidor mais prudente.

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