TC Mover
Mover

Copom corta Selic mais do que o esperado

Postado por: TC Mover em 31/07/2019 às 19:01

Copom corta Selic mais do que o esperado e deve aliviar impacto de decisão do Fed, que fez ativos de risco desabarem

 

O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil, o Copom, atendeu à expectativa do mercado e cortou a taxa básica de juros Selic em 50 pontos-base, para 6,00%, nova mínima histórica. O corte foi maior do que o consenso colhido pelo TC: dez de 14 economistas e gestores consultados esperavam uma redução de 25 pontos, enquanto os demais esperavam redução de meio ponto percentual. Na avaliação do comitê, “a evolução do cenário básico e, em especial, do balanço de riscos prescreve ajuste no grau de estímulo monetário“, destacando que essa avaliação “não restringe sua próxima decisão“. No entanto, o Copom reiterou que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da “evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.”

 

Como a decisão foi divulgada apenas após o fechamento do mercado, seus efeitos só serão sentidos amanhã. Para alguns gestores e membros experientes do TC, o início mais agressivo de ciclo de cortes no Brasil, que está longe de ser uma bala de prata para os problemas que a economia brasileira enfrenta, deve aliviar um pouco o mal-estar causado pela sinalização do Federal Reserve de que a redução na taxa básica de juros americana feita hoje, de 25 pontos-base, era um ajuste do meio do ciclo, e não necessariamente garante o início de um longo ciclo de reduções. A Fed Funds foi reduzida para o intervalo entre 2,00% e 2,25%, a primeira redução desde 2008. O presidente da autarquia, Jerome Powell, indicou que esse primeiro corte deve ajudar a sustentar a atual expansão da economia americana, que ainda está sólida.

 

Foi o bastante para derrubar as bolsas em Nova Iorque e no Brasil, levando o Ibovespa à mínima do dia, ao mesmo tempo em que o dólar reverteu queda. A curva de juros passou a avançar com força, com os DIs com vencimento em 2021 registrando alta de 7 pontos-base. No fim desta quarta, o índice Bovespa fechou em queda de 1,09%, a 101.812 pontos. O dólar futuro encerrou o pregão com alta de 0,55%, a R$3,821. O DI para janeiro próximo avançou 10 pontos-base. Em Wall Street, o índice Dow Jones teve a pior sessão desde maio, e fechou em queda de 1,23%, enquanto o S&P500 caiu 1,09%. O rendimento dos Treasuries de dez anos teve queda de 5,1 pontos-base, a 2,010%. Pesou também, diga-se, o fato de a decisão do FOMC não ter sido unânime. Esther George e Eric Rosengren votaram pela manutenção da Fed Funds, o que “indica o grau de incerteza quanto ao cenário prospectivo” para a política monetária nos EUA, disse Camila Abdelmalack, economista da CM Capital.

 

Hoje, ainda é importante estar atento aos resultados corporativos, principalmente da Vale e da BR Distribuidora. Para quinta-feira, além da teleconferência sobre os resultados da mineradora pela manhã, a Gol divulga o balanço antes da abertura e a Petrobras, depois do fechamento, além de Localiza, Paranapanema e outras. Na agenda de indicadores locais, a FGV divulga a inflação medida pelo IPC-S de julho, o IBGE informa a produção industrial mensal e anual em junho e o Ministério da Economia registra balança comercial. Lá fora, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos publicam PMI Industrial de julho. Além disso, será conhecido o número de pedidos iniciais por seguro-desemprego nos EUA.

 

(Foto: Jerome Powell/ Reuters)

Mover Pro

Informação, análises e ideias de investimentos 24/7

Experimente 7 dias grátis