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Conheça Jane Fraser, primeira mulher a presidir um dos maiores bancos de Wall Street

Postado por: TC Mover em 10/09/2020 às 16:46

Arte: TC Mover/Foto: Bloomberg

O Citigroup escolheu a escocesa Jane Fraser como sua nova presidente-executiva, colocando pela primeira vez uma mulher no comando de um dos bancos mais tradicionais de Wall Street – e do mundo. Ela deve substituir Michael Corbat, que estava na posição há oito anos e conduziu a revisão e uma drástica redução dos negócios do Citi ao redor do mundo.

Fraser, uma das mais importantes executivas na era Corbat, ingressou no Citi em 2004 e, desde então, ascendeu para se tornar chefe das operações de varejo bancário, liderar a saída do banco das operações de varejo na América Latina, incluindo o Brasil, e, depois, da sua operação de clientes de alta renda. Sua promoção, no ano passado, para presidente operacional do Citi, veio após seu nome ser cotado para assumir o comando de bancos rivais, incluindo o Wells Fargo.

A ascensão de Fraser ao topo de um banco criado há 22 anos a partir da fusão do Travellers com o Citicorp quebra um dos maiores tabus da tradição corporativa nos Estados Unidos – a noção de que uma mulher poderia comandar empresas do setor real, como a montadora GM ou a empresa de tecnologia IBM, mas não um banco. Em uma audiência do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, em abril, um parlamentar pediu a Corbat e seis de seus colegas que levantassem a mão se algum deles acreditasse que seria sucedido por uma mulher ou pessoa negra: nenhum o fez.

O Citigroup, que saiu do Brasil em meados da década passada como parte de um plano de reestruturação global, é atualmente o maior emissor de cartões de crédito do mundo. Fraser liderou essa saída, dado que o negócio de emprestar dinheiro e vender serviços financeiros para clientes de alta renda na América Latina se tornou pouco rentável, devido ao tamanho e abrangência dos bancos locais. O Itaú Unibanco comprou essas operações.

Como presidente-executiva do banco novaiorquino, Fraser deverá lidar com o impacto da alta do desemprego nos Estados Unidos e em alguns dos países onde o banco opera, por conta do impacto da crise da pandemia do coronavírus. Problemas como inadimplência, demanda fraca por serviços financeiros e reestruturações de dívida devem se aprofundar à medida que os programas governamentais de auxílio pela pandemia forem extintos lentamente.

“A forma como nossa equipe se reuniu durante esta pandemia mostra do que é feito o Citi”, disse Fraser. “Estou animada para me juntar aos meus colegas para escrever os próximos capítulos da história deste banco”.

Filhos e carreira, maior desafio

Antes de chegar à liderança do Citigroup, Jane Fraser passou por diversas empresas renomadas. Ela nasceu em St Andrews, Escócia e fez mestrado em economia na Universidade de Cambridge, de onde saiu para trabalhar como analista de fusões e aquisições na Goldman Sachs, para depois se mudar para Madrid, onde trabalhou na corretora Asesores Bursátiles.

Sem saber do destino que a aguardava, ela escreveu, na McKinsey, o livro “Race for the World: Strategies to Build a Great Global Firm”, ou “Corrida pelo Mundo: Estratégias para Construir uma Grande Empresa Global”.

No Citigroup, ela foi contratada como estrategista chefe para clientes na operação de alta renda, e depois na de investimentos e bancos globais. Em 2007, ela foi promovida a chefe global de estratégia de fusões e aquisições, para depois se tornar chefe da operação de alta renda. Na atualidade, ela toca a operação de varejo global do Citi – que lida com crédito e serviços financeiros para as pessoas físicas.

Apenas 15% das mulheres se tornam executivas

De acordo com o Relatório de Disparidade de Gênero do Fórum Econômico Mundial, “o talento feminino continua sendo um dos recursos de negócios mais subutilizados”. Em setores como o financeiro, isso é especialmente claro. O estudo mostra que à medida que o nível da carreira aumenta, a representação feminina diminui.

Embora 46% dos funcionários de serviços financeiros sejam mulheres, no nível executivo, elas representam apenas 15%. As mulheres que chegam ao topo das suas organizações no setor financeiro têm alguns princípios em comum, segundo o relatório:

  • a disparidade de gênero nas finanças é um desafio e uma oportunidade, ao mesmo tempo;
  • finanças é mais do que apenas dinheiro – é fazer a diferença; 
  • o aprendizado na área é constante;
  • as mulheres estão no centro da inovação no futuro das finanças.

Estudos conduzidos pela Harvard Business School pintam um quadro difícil para as mulheres no setor: entre os cargos seniores em fundos de capital de risco e de private equity, as mulheres detinham apenas 9% e 6% dos cargos, respectivamente. Entre os fundos de hedge, as mulheres ocupavam apenas 11% dos cargos de alta administração.

Outras mulheres em finanças



Fraser não aparecia no ranking das mulheres mais poderosas em Wall Street na edição da revista American Banker do ano passado. Mary Callahan Erdoes, a diretora-geral de gestão de recursos e fortunas do JPMorgan aparecia em primeiro lugar, seguida pela bilionária herdeira da gestora Fidelity, Abigail Johnson – conhecida por ser agressiva na luta por clientes. Erdoes é vista como potencial sucessora, porém, com poucas chances, de suceder o atual presidente-executivo do JPMorgan, Jamie Dimon, considerado o banqueiro mais poderoso do mundo.

Outras mulheres de sucesso em finanças incluem Blythe Masters, considerada como a inventora da indústria de derivativos de crédito e que teve uma longa carreira no JPMorgan. Ela agora está dedicada ao desenvolvimento de soluções para crédito e mercados de capitais usando a tecnologia do blockchain. Na Espanha, Ana Botin assumiu a presidência mundial do Santander após a morte do pai.

No Brasil, algumas executivas de destaque na indústria incluem Andrea Pinheiro, vice-presidente de operações do banco de investimento BR Partners; Luciana Ribeiro, nova chefe da área de gestão de recursos do BV; Maria Silvia Bastos Marques, presidente do Goldman Sachs no país; Sylvia Coutinho, presidente-executiva do UBS no Brasil; Denise Pavarina, que foi responsável pela Asset do Bradesco, presidente da Anbima e, hoje, atua como Diretora no BNDES; e Cristina Junqueira, cofundadora e vice-presidente do Nubank.

Mesmo nas diretorias dos grandes bancos brasileiros, o número de mulheres é reduzido. No Banco do Brasil, dos 26 diretores-executivos cinco são mulheres. No Bradesco, duas entre 18 e, no Itaú, três mulheres entre 19 diretores. No Santander Brasil, que tem 40 diretores, seis são mulheres.

Texto escrito por Ana Carolina Amaral e Letícia Matsuura.

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