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Congresso assombra investidor com Previdência, CPI da Vale; exterior volátil deve persistir até sexta

Postado por: TC Mover em 02/07/2019 às 18:13

Tanta calmaria no Congresso Nacional, sempre fonte de surpresas para o investidor, era anormal: em meio à incerteza quanto ao andamento da Reforma da Previdência, os deputados travaram a pauta para pressionar o governo do presidente Jair Bolsonaro, que corre contra o tempo para ver a reforma aprovada no plenário da Câmara antes do início do recesso parlamentar, em 18 de julho. O pomo da discórdia foi, dessa vez, a reinclusão de Estados e municípios no parecer do relator Samuel Moreira. Não houve acordo para o assunto, como era esperado, e, de novo, a comissão perdeu tempo precioso para votar a reforma e enviá-la ao plenário. O mercado perdeu a paciência e apertou o botão de venda.

 

Outro evento marcou o pregão desta terça-feira: a comissão parlamentar de inquérito que investiga a tragédia da Vale em Brumadinho sugeriu o indiciamento de 14 executivos da companhia, entre eles o diretor financeiro, Luciano Siani. Além disso, os parlamentares da comissão querem maiores royalties e o descomissionamento imediato das barragens a montante – missão quase impossível. A bolsa caiu 0,72%, a pior queda desde 25 de junho, e fechou a 100.605 pontos. Os juros futuros e o dólar corrigiram para cima – o câmbio só não subiu mais por conta do declínio da divisa americana no exterior. O dólar futuro fechou próximo da estabilidade, em alta de 0,05%, a R$3,854. O DI com vencimento para janeiro próximo fechou em queda de 0,5 ponto-base, a 5,975%. O papel da Vale, que chegou a cair quase 7% no meio da tarde, fechou em queda de 4,21%, cotado a R$51,39.

 

Assim, o sentimento do investidor se mantém sensível ao risco de atraso no cronograma da Nova Previdência. A expectativa era de que relatório de Moreira fosse lido hoje na comissão especial, mantendo vivas as esperanças de uma votação antes do recesso. A situação da Vale também alertou o investidor dos riscos que traz a queda de braço entre governo e Congresso, onde qualquer setor ou companhia podem ser vítimas da ira de cada lado. “Como esperado, a primeira versão do relatório de investigação sobre o acidente de Brumadinho teria uma natureza ‘punitiva’,” diz Thiago Lofiego, analista do Bradesco BBI. É provável que um Congresso tentando se redimir perante a população tente mostrar que será inflexível com o setor privado; mas, o investidor precisa entender que as chances de mudanças drásticas na legislação do setor de mineração são pouco prováveis.

 

No exterior, pesou hoje no sentimento a decisão dos Estados Unidos de propor sobretaxas sobre US$4 bilhões em importações vindas da União Europeia, em retaliação aos subsídios de aviões europeus. A situação mostra que as tensões comerciais ainda podem trazer dores de cabeça aos investidores, dias após o anúncio da trégua comercial entre os EUA e a China. A liquidez minguou a dois dias do feriado de Independência nos EUA, pois o investidor não está afim de ficar exposto a quaisquer dados ruins do mercado de emprego americano na sexta. Alguns eventos pouco comuns estressaram o investidor global: chamado intempestivo do vice-presidente americano à Casa Branca e rumores de reunião do comitê de segurança da União Europeia. Nesse contexto, os rendimentos dos Treasuries de dez anos voltaram a cair abaixo dos 2% – denotando forte aversão ao risco.

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