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Com alento externo menor, mercado local deve reforçar foco na Previdência; Maia ‘conciliador’ pode alavancar otimismo

Postado por: TC Mover em 02/04/2019 às 8:51

Com os mercados globais mostrando uma consolidação após vários dias de alta ininterrupta, o pregão desta terça-feira no Brasil pode mostrar fôlego limitado. O destaque mundo afora fica por conta da pressão na libra esterlina, que de novo suporta o peso da indecisão do Parlamento britânico quanto ao processo do Brexit, e o subsequente contágio no euro, que opera na casa dos 1,12 euros por dólar pela primeira vez em um mês. Os futuros das bolsas americanas operam sem rumo definido. Já o futuro do minério de ferro disparava pelo segundo dia em Dalian, após a concorrente da Vale, BHP Billiton, alertar sobre o impacto de até 8 milhões de toneladas na produção com a chegada de um ciclone na Austrália.

 

O sentimento positivo imperante no primeiro trimestre persiste no segundo, em parte pela aposta do investidor global quanto às políticas monetárias mais frouxas no mundo desenvolvido. Mesmo assim, muitos riscos permanecem: a rápida desaceleração na Europa, o confuso divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia e a espera por uma solução à guerra comercial. Neste ponto, a cautela do mercado deve persistir até o reinício das conversas entre os Estados Unidos e a China, com a visita do vice-premiê chinês Liu He a Washington D.C., nesta semana.

 

O noticiário da reforma da Previdência começa a ganhar corpo com as negociações entre lideranças partidárias em relação ao texto que deverá ser estudado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara na semana que vem. Hoje, a Folha de S. Paulo disse que há articulação de mudanças no texto na CCJ antes da apresentação do relatório. Ontem, o presidente da Casa, Rodrigo Maia, disse a investidores em evento realizado pelo banco Goldman Sachs que a necessidade de uma reforma da Previdência é quase um consenso no Congresso, mas alguns pontos da proposta ainda devem ser discutidos entre os parlamentares. O tom mais conciliador de Maia deve manter um otimismo cauteloso com o projeto, mas não com o calendário de tramitação – que está começando a mostrar atrasos desnecessários.

 

Na agenda econômica, teremos números da produção industrial de fevereiro, em meio à queda forte nas estimativas de crescimento econômico para 2019. Nos EUA, há pedidos de bens duráveis para fevereiro e, à noite, o PMI de serviços Caixin na China – que pode trazer evidências mais contundentes de uma estabilização na economia do gigante asiático. O presidente Jair Bolsonaro continua a visita oficial a Israel, enquanto a Petrobras encerra hoje o prazo final para a entrega de ofertas pela TAG.

 

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Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

A maioria dos mercados mundo afora operava sem rumo definido, porém com viés de baixa, após dificuldades na definição da saída do Reino Unido da União Europeia ofuscavam o impacto positivo de dados industriais nos Estados Unidos e da China da véspera. Os dados, que ajudaram a diluir a cautela dos investidores com uma possível desaceleração mais contundente da economia global durante este ano, no entanto, não conseguem alavancar o sentimento de mercado em relação aos riscos geopolíticos crescentes na Europa, Ásia e os EUA.

 

Bolsas: O índice Xangai Composto avançou 0,20% nesta madrugada, após tocar na segunda-feira o maior patamar desde maio de 2018. O índice Hang Seng de Hong Kong também avançou, enquanto o índice Nikkei, em Tóquio, apresentou queda de 0,02%. Na Europa, as bolsas operavam perto da estabilidade com a incerteza que ronda o Brexit – o Reino Unido tem até o dia 12 de abril para chegar a um acordo antes uma saída abrupta da UE. Nos Estados Unidos, o futuro das bolsas indicava abertura em leve queda, com o S&P500 futuro caindo 0,05% no pré-market.

 

Renda fixa: O rendimento dos títulos da dívida americana de dez anos passou a cair dois pontos-base para 2,475% após o ajuste forte para cima de ontem na esteira dos indicadores industriais mais robustos nos EUA e a China. Apesar dos números apontarem para um menor risco do Federal Reserve fazer um corte na taxa básica de juros do país ainda este ano, o mercado continua a precificar a queda.

 

Moedas: O dólar americano tinha leve alta de 0,05% em relação aos pares, à espera de novos dados que corroborem a tese de que a economia americana deve desacelerar pouco em 2019. O apetite por risco que imperou no mercado ontem foi mitigado e as moedas pares do real brasileiro, como o rand sul-africano e o rublo russo, caíam 0,28% e 0,40%, respectivamente. O euro e a libra esterlina também caíam ante o dólar, com quedas de 0,11% e 0,40%.

 

Commodities: O minério voltou a disparar, 3,7% para 662,50 iuanes a tonelada, com o impacto de um ciclone da Austrália na operação da BHP Billiton e os subsequentes problemas da Vale após desastre em uma mina no Brasil. O futuro do petróleo Brent avançava 0,35% para US$69,25, próximo ao maior patamar do ano, com otimismo pelo crescimento da China este ano.


Principais notícias corporativas

 

Qualicorp: Contrato para retenção de CEO foi lesivo para Qualicorp, acusa a CVM (Valor)

 

Stone: Nova oferta de ações da Stone deve render US$ 852 milhões (Valor)

 

Petrobras: Petrobras quer privatizações sem aval de acionistas (Globo)

 

Construtoras: Governo atrasa repasses, e construtoras do MCMV ameaçam demitir 50 mil (Folha)

 

BRF: A Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da BRF de BBB- para BB, com perspectiva estável, citando desempenho operacional ruim e ritmo de desalavancagem mais lento que o previsto.

 

Guararapes: A Guararapes anunciou que a Secretaria da Receita Federal atendeu pedido de habilitação de crédito tributário da controlada Lojas Riachuelo no valor de R$1,173 bilhão.

 

Rumo: O conselho da Rumo decidiu em assembleia ontem destituir do cargo de CEO Julio Fontana Neto e eleger João Alberto Fernandez de Abreu em substituição.

 

BR Distribuidora: A BR Distribuidora comunicou que recebeu mais R$127,6 milhões da Eletrobras, conforme acordo de acerto de dívidas. No total até agora, a empresa já recebeu cerca de R$2,044 bilhões.

 

Vale: A Vale informou que são falsas as informações veiculadas na mídia sobre a tributação de suas operações no exterior.

 

Multiplus: A B3 informou que as ações da Multiplus deixarão de ser listadas no Novo Mercado a partir desta terça-feira, após a OPA, oferta pública de aquisição de ações, conduzida por sua controladora TAM na véspera para cancelamento de registro da empresa.

 

Dasa: A Dasa informou que concluiu a incorporação da subsidiária integral MOB Laboratório de Análises Clínicas

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

08h00 IPC-S Capitais (abril) – FGV

09h00 Produção industrial mensal (fevereiro) – IBGE

09h00 Produção industrial anual (fevereiro) – IBGE

 

Indicadores internacionais

05h30 Reino Unido – PMI de construção (março); consenso 50

06h00 UE – IPP mensal (fevereiro); consenso 0,10%

06h00 UE – IPP anual (fevereiro); consenso 3,10%

06h00 UE – Taxa de desemprego (fevereiro); consenso 7,80%

09h30 EUA – Pedidos de bens duráveis mensal (fevereiro); consenso -1,30%

09h30 EUA – Núcleo de pedidos de bens duráveis mensal (fevereiro); consenso 0,20%

09h55 EUA – Índice Redbook mensal

17h30 EUA – Estoques de petróleo bruto semanal – API

22h45 China – PMI de serviços (março) – Caixin

 

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