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Choque de realidade com juros negativos assombra mercados globais; Ibovespa despenca, dólar sobe

Postado por: TC Mover em 07/08/2019 às 12:18

As preocupações com as perspectivas para a economia global tomaram conta das mesas de operações no Brasil e mundo afora nesta quarta-feira. Além das decisões dos bancos centrais da Nova Zelândia, Tailândia e Índia de cortarem os juros básicos mais do que o esperado, pesam no sentimento o colapso dos rendimentos dos títulos soberanos na Europa – já são mais de dez países que cobram juros negativos dos detentores de dívida – assim como a tendência de desvalorização do iuan e os riscos de que a desaceleração econômica no Velho Continente e nos Estados Unidos tenham sido subestimados.


Em Nova Iorque, os índices-referência Dow Jones, S&P500 e Nasdaq Composite operavam em baixa
de 1,3%, 1,01% e 1,5% na primeira hora do pregão. No Brasil, o Ibovespa abriu em forte queda e mostrava recuo de mais de 1% perto das 11h45. O índice pan-europeu Stoxx600 recuava 0,25%. O mais preocupante, para alguns gestores como Sérgio Machado da SF2 Investimentos, não é a queda nas bolsas, mas a corrida por ativos seguros – que, segundo estrategistas, pode levar os rendimentos dos Treasuries para território negativo. Segundo Pimco, essa se tornou uma possibilidade real.


O rendimento do Treasury note de dez ano, usado como referência para taxas hipotecárias e empréstimos
para automóveis nos EUA, tocou 1,595%, o menor patamar desde agosto de 2016. O de 30 anos chegou perto de 2,12% – a mínima histórica alcançada pouco mais de três anos atrás. Hoje mais cedo, as taxas dos Bunds alemães e dos Guilds britânicos atingiram mínimas em todos os vencimentos da curva, com destaque para o Bund yield de dez anos: taxa negativa de -0,605%. O Bund de 30 anos atingiu -0,137%. – veja a inversão de juros dramática!


Assim, a volatilidade impera em Wall Street e na B3, que está mais grudada ao Twitter do presidente
americano Donald Trump do que ao noticiário local. A queda no Ibovespa se acentuou após Trump atacar o Federal Reserve de novo – dessa vez por conta dos cortes de juros na Ásia e na Oceania, e sair os dados de fluxo estrangeiro de 5 de agosto: saída de R$2,1 bilhôes, a pior desde janeiro. As manchetes locais positivas impedem um recuou pior: a Câmara vota os destaques da Reforma da Previdência hoje de manhã; governo e Congresso avançam na elaboração de uma proposta conjunta para a Reforma Tributária e para acelerar a votação da Lei das Teles. Os balanços trimestrais de ontem e hoje foram satisfatórios.


O câmbio continua pressionado, não somente pelo avanço do dólar americano no exterior, mas
pelos temores quanto à piora na guerra comercial EUA-China e quanto à desaceleração econômica global. O dólar futuro negociava a R$3,9860, alta de 0,50%. Os juros futuros derretiam, com o DI para janeiro próximo a 5,51%, após testar a mínima histórica de 5,48% mais cedo. O motivo? As vendas no varejo de junho vieram abaixo do consenso, apontando para recessão no comércio no segundo trimestre. O petróleo desabou mais de 4% após os dados de estoques americanos terem mostrado crescimento muito acima do consenso na semana passada.


No âmbito corporativo, a Gerdau registrou recuo de quase 50% no lucro líquido
do segundo trimestre em relação ao ano passado, e cortou as projeções de capex para o ano. O papel PN da companhia cai 2%. Mesmo assim, o BTG Pactual disse que os múltiplos são atrativos, e que a vê como um caso interessante pelos próximos dois a três anos. BB Seguridade teve lucro líquido acima do consenso e elevou a meta de variação do lucro ajustado para 8%-13% no ano. A ação ON da companhia subia 1,79% após o Credit Suisse elevar o preço-alvo para R$40. A RD disparava 6,8% após reportar EBITDA acima do consenso. No entanto, o Bradesco BBI vê incompatibilidade entre o múltiplo do papel e o retorno observado.


Para esta quarta-feira, o investidor deve estar atento ao discurso do presidente do Federal Reserve de Chicago
, Charles Evans, às 13h00. Entre os indicadores, o Banco Central informa fluxo cambial semanal às 12h30, e os Estados Unidos divulgam dados de crédito ao consumidor mensal de junho. A temporada de balanços também segue firme: depois do fechamento de hoje, companhias como Braskem, SulAmérica e Notredame Intermédica informam resultados. É importante, também, considerar as divulgações da quinta-feira, que terá dados de inflação de julho medidos pelo IPCA, além do IGP-DI e IPC-S semanal.


(Gráfico: Treasury Yield de dez anos – Seeking Alpha)

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