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China corta taxas, mas vírus assombra mercados; no radar, tensão política, IPCA, Petrobras e Vale

Postado por: TC Mover em 20/02/2020 às 9:12

O Banco Central do Povo da China cumpriu com o esperado e cortou suas taxas Prime de um e cinco anos em linha com o consenso, e também em consonância com a diretriz do presidente Xi Jinping de reviver uma economia fortemente impactada pelos estragos do coronavírus. Contudo, o inesperado crescimento dos casos confirmados e das mortes em países como Coreia do Sul e Japão ressuscitou os temores de que quarentenas ou medidas extremas de contenção da doença nesses países sejam implementadas – lembremos que essas nações são grandes exportadoras de bens industriais e de tecnologia de ponta. Algumas horas antes, Nova Iorque tinha fechado de novo nas máximas históricas, citando o recuo no número de infecções na China. Assim, as bolsas europeias puxam os futuros dos índices americanos para baixo e a volatilidade sobe conforme a aversão ao risco ganha tração: o VIX avança quase 2,5%, o iene se fortalece ante o dólar e os rendimentos dos Treasuries recuam.

 

Com esse pano de fundo um tanto sombrio, o exterior deve contaminar o local – que deve sentir o peso da tensão política, da falta de intervenção do Banco Central no câmbio e do balanço da Petrobras, que, na nossa opinião, veio melhor do que os números sugerem. O evento do dia na economia é a divulgação da prévia mensal de inflação, com o IPCA-15 projetado em 0,23% na base mensal e 4,23% na anual; já, no lado corporativo, o mercado fica à espera da publicação do balanço da Vale, após o fechamento. De acordo com economistas consultados pela TC Mover, o IPCA-15 de hoje deve ser o menor para um mês de fevereiro desde a implementação do Plano Real, reflexo da queda nos custos das proteínas animais e da retomada econômica lenta. Cada vez mais economistas levam as perspectivas para o crescimento do PIB abaixo de 2%. Assim, a inflação medida pela prévia deve ter acelerado 0,23% em fevereiro na base mensal, ante 0,71% em janeiro. Na leitura anual, o IPCA-15 deve marcar 4,23%.

 

Ontem, além da Petrobras, outras seis companhias divulgaram seus balanços do quarto trimestre após o fechamento do pregão. A RD teve lucro líquido de R$143,27 milhões no período, pouco aquém do consenso TC, que era de R$160 milhões, mas crescendo 18% na comparação com a base anual. A maior rede de farmácias do Brasil reportou despesas com vendas diminuindo de 18,8% da receita bruta no último trimestre de 2018 para 18,3% em 2019, vendas mesmas lojas subindo 9,2% e o lançamento de 248 lojas em 2019. O grupo de laboratórios Fleury teve alta de 12% no lucro na base anual, alcançando R$65,2 milhões, e EBITDA e receita também crescendo. A companhia anunciou que distribuirá R$197,795 milhões em dividendos, a R$0,62428363855 por ação ordinária. Já a Marfrig reverteu o prejuízo do último trimestre de 2018, de R$1,6 bilhão, e veio com lucro de R$27 milhões, com EBITDA saltando 70,5% e o custo dos produtos vendidos pela companhia aumentando 18,9%, por conta do movimento da China, que criou maior demanda pela carne bovina.

 

(Por: Guillermo Parra-Bernal, Ana Carolina Siedschlag, Bárbara Leite e Vitor Azevedo || Foto: Banco do Povo da China/WikiCommons)

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