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China conciliadora impulsiona ativos de risco; PIB no Brasil e EUA, Argentina devem agitar pregão

Postado por: TC Mover em 29/08/2019 às 8:44

Os ativos de risco abrem o dia em alta, com os futuros dos índices americanos, as bolsas europeias e as commodities operando no azul, no uníssono, pela primeira vez nesta semana. O motivo? Hoje, a China sinalizou que não deseja retaliar imediatamente o mais recente aumento de tarifas por parte dos Estados Unidos e insistiu na necessidade de discutir formas de desaquecer a guerra comercial entre as duas nações. Do outro lado do planeta, sempre tem alguém disposto a botar água no chope: os ganhos nas bolsas não são maiores porque o assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, disse à Fox News que é “improvável que aconteça alguma solução rápida” no caso do impasse comercial. O presidente americano Donald Trump reiterou que tudo entre a China e os EUA está “indo muito bem”, ontem no Twitter. Nada de novo nessa frente.

 

Hoje é dia de dados econômicos relevantes na França, nos EUA e no Brasil: os números das contas nacionais desses países são bastante esperados por investidores locais e globais, em busca de sinais de desaceleração, normalidade ou, no pior dos casos, recessão. Os dados da França se mostram um prenúncio do que podemos ver hoje: o consumo privado relativamente sólido permitiu que o PIB do país avançasse acima do consenso no segundo trimestre. O IBGE divulga, às 09h00, o PIB do segundo trimestre e o consenso aponta para alta de 0,18% entre abril e junho – dado que evitaria a recessão técnica na economia, após a queda de 0,2% no primeiro trimestre. É preciso lembrar que a base de comparação é baixa: o dado do ano passado foi afetado pela greve dos caminhoneiros. Em relação ao PIB dos EUA, o consenso do TC espera alta na leitura anualizada de 2,1%.

 

Mas, entre os ativos de risco, possivelmente as moedas dos países emergentes não devem ter um dia tão legal quanto, por exemplo, as commodities ou algumas bolsas. Encurralado com as baixíssimas chances de reeleição e encarando uma piora significativa nas métricas de crescimento e financeiras do país, o presidente argentino, Mauricio Macri, pediu aos credores que dessem ao país mais tempo para pagá-los. Ontem, a equipe econômica do país vizinho disse que vai forçar o investidor a prorrogar os vencimentos em papéis soberanos argentinos de curto prazo. O governo pedirá aos detentores de títulos externos que retirem seus vencimentos voluntariamente – ou seja, uma forma diplomática de anunciar um calote. Já ao Fundo Monetário Internacional, o pedido é de adiar o cronograma de pagamentos do empréstimo de US$ 56 bilhões, concedido há um ano.

 

Em 2001, a Argentina declarou o maior calote de dívida soberana da história: US$95 bilhões. Desde então, o país tem sofrido com interrupções frequentes no fluxo de financiamento externo, brigas com credores privados e, o pior, uma situação de mal-estar econômico refletido em posição fiscal deficitária, inflação crônica, desabastecimento de produtos, desinvestimento em ativos fixos – e por aí vai. Economistas, gestores e membros experientes do TC veem como improvável que a situação na Argentina gere uma fuga de potenciais investimentos do Brasil. O investidor está cada vez mais seletivo e sabe diferenciar países como Argentina de mercados que mostram políticas e posições financeiras mais previsíveis e estáveis, como Chile, Colômbia, Peru ou Brasil. Nesse sentido, a intervenção do Banco Central dessa semana no câmbio é vista como desejável.

 

(Foto: Mauricio Macri/ Marcelo Camargo-Agência Brasil)

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