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Cenário aponta para payroll fraco e pregão volátil; dados, Powell e ruído na política devem testar juros, câmbio

Postado por: TC News em 04/10/2019 às 8:59

O mercado de trabalho nos Estados Unidos, por meses visto como o ponto mais sólido da maior economia do mundo, está mostrando sinais de fraqueza. Esse diagnóstico deve ser confirmado hoje, por volta das 09h30, com a divulgação do relatório oficial de emprego privado não-agrícola, conhecido como payroll. Economistas consultados pelo TC, esperam que os dados mostrem a menor criação de postos de trabalho em anos. Além da frouxa geração de vagas nas empresas pequenas, o payroll deve confirmar dinamismo menor nos serviços. O investidor sabe que, depois de três dias de números decepcionantes nos EUA, o dado de hoje não deve ser diferente: prevalece uma visão cética quanto ao cenário para os EUA nos próximos meses – de guerra comercial, recessão industrial, ruído geopolítico e disputa acirrada antes da eleição presidencial. Nosso último consenso colheu ma estimativa de queda na geração de vagas de trabalho no setor privado para 130 mil em setembro – a menor desde 2012, se você retirar da amostra eventos climáticos extremos e o impacto do shutdown do governo americano em 2013.

 

Os vaivéns nos dados americanos devem guiar o pregão aqui na B3, de novo. Ontem, a puxada no Dow Jones Industrials e no S&P500 levou a um forte fechamento da curva de juros futuros, que acabou dando suporte à bolsa e empurrando o dólar para seu menor patamar em mais de duas semanas. As chances de um Fed mais agressivamente dócil animou o mercado em Nova Iorque e, por consequência, em São Paulo. A aposta de mais um corte de meio ponto percentual na taxa básica Selic pelo Banco Central do Brasil em final de outubro está mais do que consolidada. Para alguns gestores, apesar de que a incerteza global deve manter a bolsa operando em intervalos acima dos 100 mil pontos e abaixo dos 104 mil pontos, correções para cima são cada vez mais factíveis por conta do quadro técnico – as quedas recentes em alguns papéis ignoraram os fundamentos. No entanto, fique alerta: uma leitura fraquíssima do payroll pode socar o mercado local, diz o gestor da TAG Investimentos, Dan Kawa. Nem os DIs em queda conseguem segurar a bolsa “na eventualidade de mais enfraquecimento” nos EUA.

 

Sexta-feira é um dia no qual as notícias políticas não tendem a gerar muito ruído – os parlamentares geralmente não se reúnem, já que viajam para suas regiões. No entanto, tem muitas manchetes às quais se deve estar atento hoje: segundo várias matérias de jornais, tanto Guedes quanto o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já admitem, nos bastidores, que a Reforma Tributária não concluirá a tramitação na Câmara neste ano. Para agilizar as coisas, Guedes deve enviar uma etapa criando um Imposto sobre Valor Agregado acoplada à proposta de tributo de estados e municípios, e uma segunda em que tratará da reforma do Imposto de Renda e da desoneração da folha de pagamento. Hoje, não teremos indicadores locais de importância. Entre os eventos, além do discurso de Powell, perto da hora do almoço, mais três diretores do Fed discursam. Guedes, sob pressão para acelerar a retomada da economia, se reúne com uma plêiade de lideranças empresariais hoje no Rio. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, se reúne com investidores e com a cúpula da B3.

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