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Cai a ficha: presidente ‘ingovernável’ e guerra comercial devem reforçar onda de aversão ao risco

Postado por: TC Mover em 17/05/2019 às 8:52

O pregão desta sexta-feira deve confirmar a forte onda de aversão ao risco que impacta os mercados globais desde o final de abril – mesmo com uma agenda de divulgações e eventos fraquíssima. Em meio a um noticiário pesado, que inclui declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre a Petrobras, rumores de que a China está cada vez mais desinteressada em retomar as negociações comerciais com os Estados Unidos e a iminente queda da premiê britânica Theresa May, o investidor deve se posicionar mais defensivamente, olhando para o curto prazo com muita cautela e para o longo prazo com oportunidade.

 

As bolsas na Europa seguem o fechamento dos mercados asiáticos no vermelho, levando os futuros dos índices acionários americanos consigo, após a mídia oficial da China sugerir que o governo do presidente Xi Jinping está endurecendo posições na disputa comercial com os EUA. A mídia estatal chinesa parece sinalizar uma linha mais dura na disputa comercial.

Na opinião do chefe da mesa proprietária de um banco estrangeiro, é preciso se cuidar com o maior risco que vem do exterior: a escalada na retórica agressiva entre os EUA e a China, assim como a implementação de medidas para neutralizar as retaliações mútuas – como desvalorizar o iuan, por exemplo – oferecem um sinal negativo para os ativos de risco em geral. Para Pedro Tuesta, economista-chefe para América Latina na Continuum Economics, o investidor terá, sim, de se acostumar com uma longa guerra comercial, mas, no caso do Brasil, ainda mais com a capacidade do governo em criar problemas para si mesmo.

 

Ontem, nos EUA, Bolsonaro voltou a bater boca com jornalistas, reacendendo uma rixa que está minando sua popularidade. Aí vem a quebra dos sigilos bancário e fiscal do seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, que, segundo uma imprensa sedenta por manchetes explosivas contra o governo, deve ter desdobramentos em outras apurações no entorno do presidente: um braço potencial inclui a primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Com a relação com o Congresso aos frangalhos e sem sinais de que Bolsonaro deseja repará-la e, como diz Tuesta, com “um presidente mais ingovernável que o próprio país”, não resta ao investidor nada a não ser ficar de lado, ou sair: o estrangeiro já tirou R$3,25 bilhões da bolsa no ano. Deterioração política, atividade econômica enfraquecida e a turbulência global levaram a bolsa a sofrer ontem sua quinta queda em seis pregões, e a fechar no menor patamar do ano.

 

Fique de olho no impacto da fala de Bolsonaro sobre a revisão da política de preços dos combustíveis da Petrobras, sem gerar prejuízos à companhia. A Vale também é destaque, com o alerta de possível queda de uma barragem, assim como as siderúrgicas, que vão implementar reajustes de preços em junho. Já a agenda econômica não tem grandes destaques no Brasil: o índice de inflação em São Paulo desacelerou na segunda quadrissemana do mês. Há a expectativa da publicação dos números do registro de emprego Caged para hoje, mas ainda sem confirmação por parte do ministério da Economia. A inflação ao consumidor na Zona do Euro subiu, mas sem risco para a estabilidade da taxa de juros na região. Nos EUA, os indicadores antecedentes de abril e a prévia de maio da confiança do consumidor serão divulgados no meio da manhã.

 

Finalmente, na semana que vem o investidor deve ter pistas mais claras se o Congresso vai se empenhar em passar a reforma da Previdência, “apesar do governo”, como colocou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, em Nova Iorque nesta semana. Com o governo perdido em disputas sobre a guerra cultural contra a esquerda e os problemas do filho do presidente, parece cada vez mais claro que serão Maia e o Congresso, obviamente, quem levarão os louros pela eventual aprovação da pauta – e de outras iniciativas para ressuscitar a economia. O mercado agradece a quem fizer.

 

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Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

 

Os índices acionários globais operam em queda nesta sexta-feira, refletindo os temores do investidor com o agravamento da disputa comercial entre os Estados Unidos e a China, que endureceu seu discurso e parece decidido a pausar a busca por uma solução.

 

Bolsas: Os índices asiáticos fecharam em forte queda, com destaque para o Xangai Composto, que despencou 2,48%; já o índice Shenzhen Composto, de ações de menor valor de mercado, desabou 3,15%, num sinal dos temores com a escalada da disputa EUA-China. Os futuros dos índices americanos S&P500 e Dow Jones recuavam 0,40% e 0,37%, respectivamente, por volta das 07h40. Com a aversão ao risco subindo, o índice VIX – que mede a volatilidade dos ativos financeiros – subia 6% a 16,20.

 

 

 

 

 

Principais notícias corporativas

 

Carrefour Brasil: O Carrefour Brasil divulgou a nomeação de Marco Oliveira como diretor de operações do Atacadão.

 

Vale I: A Vale informou que avalia de forma preventiva eventuais impactos de vibrações em mina em Barão de Cocais.

 

Vale II: Vale diz que não há elementos que apontem gatilho para ruptura de barragem em MG (Reuters)

 

Totvs: A Totvs aprovou aumento do limite de capital para R$2,5 bilhões, atendendo condição para oferta primária.

 

Alupar: A Alupar recebeu aprovação da Aneel para aquisição de 49% de participação na Transmissora Matogrossense de Energia e na Amazônia – Eletronorte Transmissora de Energia.

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

05h00 IPC mensal (maio) – Fipe

08h00 IPC-S capitais mensal (maio) – FGV

 

Indicadores internacionais

03h00 Alemanha – Índice de preços por atacado anual (abril)

03h00 Alemanha – Índice de preços por atacado mensal (abril)

06h00 UE – Núcleo IPC mensal (abril)

06h00 UE – Núcleo IPC anual (abril)

06h00 UE – IPC anual (abril)

06h00 UE – IPC mensal (abril)

11h00 EUA – Prévia do Índice Michigan de percepção do consumidor (maio)

14h00 EUA – Contagem de sondas Baker Hughes

14h00 EUA – Contagem total de sondas Baker Hughes

 

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