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Bolsas avançam na procura por barganhas, mas cautela persiste; Oi toca R$1 de novo: será exagero?

Postado por: TC Mover em 16/08/2019 às 13:37

As bolsas e outros ativos de risco, como as commodities, avançam nesta sexta-feira, mas isso não quer dizer que o investidor tenha sido tomado de um otimismo contundente. Os fundamentos não mudaram: a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e os sinais de recessão global, agravados por eventuais tensões geopolíticas, continuam na mente do investidor. Segundo alguns gestores, a alta de hoje em Nova Iorque, São Paulo e Londres é resultado de questões técnicas e de fluxo; depois de várias quedas nas bolsas aqui e em Nova Iorque, o investidor vai atrás de barganhas ou tenta rebalancear sua carteira para capturar retornos maiores com riscos maiores.

 

O índice Dow Jones subia mais de 250 pontos, ou 1%, no meio-dia de hoje, depois de ter vivido seu pior dia no ano na quarta-feira – quando desabou 800 pontos; o índice S&P500 subia na mesma magnitude, enquanto o Nasdaq Composite avançava mais – cerca de 1,3%. O Ibovespa abriu e se manteve em alta ao longo do pregão. Vale notar que a inversão da curva de juros dos Treasuries – um indicador antecedente de recessão – foi revertida hoje. Mas as incertezas seguem aí. No final desta manhã, foi noticiado pela revista Spiegel que a Alemanha se prepara para elevar estímulo fiscal, inclusive tendo em vista um déficit amplo, caso o pais caia em recessão.

 

Nesta semana, dados do PIB da Alemanha, a quarta maior economia do mundo, mostraram uma contração no segundo trimestre. Logo após a notícia da Spiegel, o juro dos Bunds alemães de dez anos virou e passou a cair 5 pontos-base, para -0,664%. Os rendimentos dos Treasuries de dois, cinco e dez anos também operam em níveis baixos, mostrando que a cautela ainda impera entre os investidores. Não se esqueça, ainda, da turbulência na Argentina, que afeta o Brasil. Perto do meio-dia, o Ibovespa avançava 0,58% a 99.632 pontos, com volume projetado de R$12,6 bilhões. O dólar oscilou fortemente, e no horário avançava 0,08% a R$4,00.

 

O Banco Central agiu de forma rápida nesta semana para providenciar liquidez com o anúncio da primeira venda de dólares à vista em dez anos. Os leilões acontecerão entre 21 de agosto e 29 de agosto – um dos eventos mais importante da semana que vem. Os DIs caíam em bloco, com o de vencimento para janeiro próximo apresentando recuo de 3,5 pontos-base, para 5,430%. No âmbito corporativo, o destaque desta sexta-feira é a Oi, que, segundo notícia do jornal O Estado de S. Paulo, pode passar por intervenção da Anatel. A ação ON da companhia chegou a cair 16,81%, cotada a menos de R$1, mas se recuperava levemente perto das 12h30, após o presidente da Anatel negar que uma intervenção esteja sendo cogitada.

 

Por que tanto pânico? O mercado tem medo da rápida queima de caixa na Oi. O motivo por trás da situação foi o pagamento da licença Fistel e o aumento de capital de giro por conta dos elevados investimentos no segundo trimestre. Isso era esperado? Sim. Para membros experientes do TC, o papel tem uma série de poderosos catalizadores, mas o investidor desconfia que eles possam se materializar: há uma demora irritante do Senado em votar a Lei das Teles, que desoneraria a operadora. O investidor também está impaciente com a venda de ativos e se recusa a ver os avanços da Oi na sua estratégia de fibra ótica residencial. Se o tombo de hoje no papel vai forçar o Senado a acelerar a aprovação da Lei das Teles, não se sabe, mas é possível. O próprio presidente Jair Bolsonaro saiu em defesa da companhia.

 

Entre os ganhos do Ibovespa, a B3 ON lidera após ter seu peso no índice elevado para o próximo rebalanceamento. A Hypera é a maior alta percentual, após o UBS elevar a ação para compra, com preço-avo de R$39. Via Varejo é a maior queda. Siga atento aos movimentos entre chineses e americanos e aos indicadores da saúde da economia global. A atividade no Congresso deve continuar intensa, com negociações para acelerar a aprovação de pautas econômicas. Na próxima semana, saberemos como o Fed digeriu o surto de volatilidade global desses últimos dias, com o discurso do presidente, Jerome Powell, na quinta-feira, no Simpósio Anual de Política Monetária de Jackson Hole, organizado pela autarquia.

 

(Foto: Angela Merkel/ Wikicommons)

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