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Bolsa volta aos 95 mil com queda de Ambev, Petrobras, cautela com reforma

Postado por: TC Mover em 28/02/2019 às 18:27

A bolsa acumulou baixa de 1,86% em fevereiro, descendo para a faixa dos 95 mil pontos, ao término de um mês que confirmou a volatilidade pelo início dos trabalhos no Congresso, coincidindo com recente piora do humor global. Por aqui, o mercado monitora o risco de desidratação da proposta do governo para a reforma da Previdência ao longo do rito processual, temendo a lentidão na tramitação, cujo início ficou para depois do Carnaval, e os ruídos sobre a articulação política que ainda não inspira total confiança. Lá fora, a incerteza sobre o desfecho da guerra tarifária entre Estados Unidos e China impõe uma interrogação nas perspectivas para a saúde da economia mundial diante de indicadores econômicos mais fracos. Em princípio, o cessar-fogo dessa disputa acabaria amanhã, mas por ora os EUA abandonaram o plano de sobretaxar produtos chineses com o fim da trégua, em razão do progresso nas negociações. Por ora. Sob tal cenário entre o melhor e o possível na reforma e no diálogo EUA-China, a expectativa é que os gestores prossigam em março adotando posições mais defensivas até maior clareza à frente. Também em reflexo disso, o dólar futuro subiu 2,79% no mês, encerrando a última sessão cotado a R$3,760 na B3.

 

O tombo do índice Bovespa nesta quinta-feira acompanhou o desânimo em Nova Iorque em contaminação pela aversão ao risco após o término abrupto da reunião entre o presidente Donald Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-Un, sem um acordo sobre a desnuclearização da península asiática. O receio dos desdobramentos disso inclusive nas relações entre EUA e China dividiu as atenções com os dados do PIB dos EUA, que cresceu 2,6% nos últimos quatro meses de 2018, acima do esperado de avanço de 2,2%. O S&P500 fechou em baixa de 0,28%. A tendência negativa ganhou contornos maiores no Ibovespa, que despencou 1,77%%, em meio às preocupações renovadas sobre o teor do ajuste das contas públicas a partir da reforma da Previdência. O presidente Jair Bolsonaro admitiu a jornalistas que pode reduzir a idade mínima de aposentadoria para mulheres. Para completar, blue chips – como são chamadas as ações mais líquidas do índice Bovespa – como Ambev e Petrobras engataram forte tendência negativa em um pregão marcado também pela reação ao fraco PIB brasileiro do ano passado, com crescimento de 1,1% ante 2017.

 

As ações da Ambev sofreram derrocada de 6,15% após a divulgação dos resultados do quarto trimestre. Embora tenha mostrado um número forte para o EBITDA – lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização –, analistas viram no balanço um reflexo da economia ainda fraca e o Itaú BBA rebaixou a recomendação para as ações da empresa para underperform, equivalente a venda. Já os papéis ON da Petrobras caíram 2,64% após o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, dizer que o possível dinheiro do acordo da cessão onerosa não será usado para reduzir dívidas, e que mesmo assim pretende pagar apenas dividendos mínimos aos acionistas enquanto a companhia busca melhorar sua saúde financeira. A temporada de resultados dá uma trégua na sexta-feira, mas antes de sair para o feriado de Carnaval o investidor ficará de olho em uma bateria de indicadores relevantes na sexta-feira, com destaque para dados de renda e confiança do consumidor nos EUA, vendas no varejo na Alemanha e índices de preços e indústria na zona do euro.

 

(Foto: B3/Divulgação)

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