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Bolsa tem pior semana desde dezembro na expectativa por EUA-China

Postado por: TradersClub em 08/02/2019 às 18:37

As esperanças de retomada da disciplina fiscal para fortalecer a recuperação da economia brasileira começaram a tropeçar na política nessa volta aos trabalhos em Brasília. Declarações desencontradas sobre a reforma da Previdência, com vazamentos de informações e até especulações quanto à saúde do presidente deram um aperitivo sobre o que o investidor deve esperar em fevereiro.

 

Analistas veem o mercado brasileiro mais sensível à rotina parlamentar, que agora divide o holofote com o cenário externo – fonte de otimismo em janeiro que passou por forte ajuste nos últimos dias em razão das incertezas do diálogo entre China e Estados Unidos. O fato é que o processo de ajuste fiscal tende a ser longo, repleto de ruídos sobre a abrangência da proposta final para a Previdência e a margem de negociação no Congresso. Mesmo com a alta de 0,99% nesta sexta-feira, protagonizada pela Vale, a bolsa terminou a semana caindo 2,57%, primeira queda semanal desde dezembro.

 

A Vale mudou o pregão do índice Bovespa. Depois de chegar a cair 2,59% em meio a um fluxo negativo de notícias, incluindo o temor de prisões de executivos, reportagens apontando para falhas no controle das barragens da companhia, operações de evacuação de pessoas durante a madrugada e a retirada do papel do Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3, o papel da mineradora engatou expressiva valorização e fechou em alta de 3,77%.

 

A inversão de tendência começou durante a tarde. Conforme apurou o TC News, uma boleta grande de compra foi aberta na B3, elevando as cotações em um movimento que não se refletiu nos títulos de crédito da Vale no exterior. Por lá, investidores globais seguem receosos por um eventual rebaixamento da nota de crédito da empresa, na esteira dos desdobramentos da tragédia em Brumadinho, que matou mais de 150 pessoas e forçou a mineradora a reduzir sua estimativa de produção em 40 milhões de toneladas. Como pano de fundo, a volta dos mercados chineses após o feriado do Ano Novo Lunar deve ser marcada por salto da cotação do minério de ferro. Em Cingapura, os preços atingiram o maior nível em quase cinco anos.

 

As bolsas europeias e os índices de ações nos Estados Unidos viveram a pior semana desde dezembro. O mercado assimila novas evidências de que a economia global está perdendo impulso rapidamente, junto à notícia de que o presidente americano Donald Trump não deve se reunir com seu colega chinês Xi Jinping para pôr fim às divergências comerciais entre os dois países. Para economistas, o sucesso das medidas de estabilização do crescimento em ambos os países, com Federal Reserve paciente e estímulos fiscais na China, depende de algum progresso nas negociações comerciais, cujo prazo final da trégua antes da volta das sobretaxas termina em 1 de março.

 

Na próxima semana, emissários dos EUA visitarão Pequim para acelerar as conversas, o que tende a concentrar as atenções dos investidores. A agenda também destaca dados da indústria e de inflação nos EUA, evolução do PIB da zona do euro referente ao no quarto trimestre, e por aqui números de vendas do varejo, além da continuidade da temporada de resultados corporativos.

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