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Bolsa tem a maior queda desde a greve dos caminhoneiros

Postado por: TC Mover em 06/02/2019 às 18:33

O mercado apagou parte dos ganhos recentes. A bolsa desceu abaixo dos 95 mil pontos, derrocada de 3,74%, a maior desde a greve dos caminhoneiros em 28 de maio de 2018. Já o dólar voltou a subir para R$3,70. Comentários de líderes de partidos na Câmara colocaram de volta à tona os desafios da construção política a favor da reforma da Previdência, ainda mais depois de o presidente da casa Rodrigo Maia indicar que não aproveitará a proposta de Michel Temer já em tramitação, o que tende a esticar o prazo do processo em três meses. Se o cabo de guerra vai rolar na Câmara, ao menos no Senado Federal o processo pode ser mais rápido, sobretudo se vingar a criação de uma comissão paralela para acompanhar as discussões na Câmara, conforme sinalizou o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre.

 

“O Brasil tem um dos sistemas congressionais mais disfuncionais do mundo. Pensar que a reforma iria sair fácil é apenas amador. Somos positivos, mas o processo inteiro será um passo à frente, um passo para trás”, avalia James Gulbrandsen, gestor da NCH Capital no Rio. “Preocupações sobre a capacidade do governo de articular a negociação no Congresso surgem após Maia ressaltar que o governo ainda não possui adesão suficiente para aprovar o projeto com tranquilidade. O tempo de elaboração da proposta, no entanto, dependerá da recuperação de Bolsonaro”, opina José Francisco Lima Gonçalves, economista chefe do Banco Fator.

 

A desvalorização da bolsa se aprofundou depois do tombo de 4,88% de Vale diante de novos desdobramentos da tragédia em Brumadinho. Depois de anunciar “força maior” nos embarques de minério, a mineradora se deparou com a notícia de que perdeu a autorização para operar a Barragem Laranjeiras, crucial para a produção da mina de Brucutu. A licença foi cancelada pela Superintendência Regional de Meio Ambiente de Minas Gerais.

 

O desastre da barragem se alastra para outros setores, como os bancos, que predominaram na ponta negativa do índice. Para a agência de classificação de risco Fitch, a exposição de crédito das instituições à Vale, a potencial marcação a mercado das ações e dos títulos da mineradora que eles detêm e o impacto na economia das regiões afetadas surgem como risco para os bancos. As ações de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil caíram 4,21%, 4,71% e 6,09%, respectivamente.

 

Ventos contrários também vieram lá de fora, com as incertezas relacionadas à disputa comercial entre Estados Unidos e China e a possibilidade de nova paralisação do governo americano. Enquanto o risco de alta iminente no juro americano ficou para trás, com o Federal Reserve assumindo postura “paciente” na política monetária, o risco de desaceleração da economia global atormenta os mercados. Isso passa pelo desfecho da guerra tarifária EUA-China.

 

O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, se mostrou confiante na evolução das negociações com a China e confirmou que visitará o país asiático na próxima semana com a intenção de acelerar a confecção de um acordo antes do prazo final de março. Até lá, uma nova rodada de indicadores previstos para quinta-feira trarão indícios da saúde da atividade mundial, com dados de emprego nos EUA, boletim econômico do Banco Central Europeu e decisões de política monetária no Reino Unido e na Índia.

 

(Foto: B3/Divulgação)

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