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Bolsa sobe com dados de varejo, menor tensão EUA-China; dólar recua

Postado por: TC News em 11/09/2019 às 11:53

Os mercados de ativo de risco vivem um tom de bom humor nesta manhã, depois que a China aliviou as tensões da disputa comercial com os Estados Unidos. O país asiático publicou nesta quarta-feira uma lista de produtos que ficarão isentos das tarifas extras aplicadas a importações dos EUA desde o ano passado. A isenção, que entrará em vigor no próximo dia 17 e valerá por um ano, afeta 16 categorias de produtos. O anúncio acontece cerca de um mês antes da nova rodada de negociações comerciais com os EUA. O governo chinês tenta limitar as consequências da disputa comercial em sua indústria, que sofre com os custos extras provocados pelas tarifas de mercadorias fabricadas nos EUA.

 

O anúncio é um sinal de alívio na relação com os EUA, mas a China continua a aplicar tarifas retaliatórias sobre os principais produtos agrícolas americanos, como a soja. De toda forma, a notícia de hoje foi o bastante para que os índices acionários de Wall Street avançassem, assim como o rendimento dos Treasuries de dez anos, enquanto o VIX cedia mais de 2%. Também estão no radar do investidor os dados de concessão de crédito na China, que ficaram dentro das expectativas, e a decisão do presidente Xi Jinping de remover limites de investimento estrangeiro em alguns segmentos do mercado de capitais local – medidas que devem beneficiar algumas empresas chinesas e americanas.

 

No Brasil, outro ponto a favor são os dados de vendas no varejo de julho, divulgados nesta manhã pelo IBGE, que mostraram um avanço anual de 4,3%, ante consenso de 2,20%, e uma alta de 1% mensal, superior à expectativa de 0,20%. Foi o melhor desempenho para julho em seis anos. Supermercados e lojas de departamentos lideraram o avanço, sendo que sete de oito atividades pesquisadas registraram crescimento – quiçá um sinal de que a economia começa a reagir. Em Brasília, a agenda avança. Nesta manhã, a Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado aprovou a Lei das Teles, que pode ser votada ainda hoje no plenário da Casa.

 

Com isso, perto de 11h20 o índice Bovespa avançava 0,81%, a 103.868 pontos, com volume projetado de R$15,8 bilhões. Com a menor aversão ao risco e os dados positivos da economia doméstica, o dólar futuro cedida 0,38%, cotado a R$4,071. Hoje, o Banco Central vendeu US$580 milhões em leilão à vista e colocou 11.600 swaps reversos. Os juros avançavam em bloco, com a redução de apostas em um corte maior na taxa Selic diante de uma economia interna que parece avançar, mas passaram a operar mistos no final da manhã.

 

A MRV ON lidera as altas no Ibovespa ao disparar mais de 6%, com a possibilidade de o governo recorrer ao FGTS para bancar a totalidade das subvenções das faixas 1,5 e 2 do Minha Casa, Minha Vida. A medida tem potencial de destravar R$26,2 bilhões em investimentos. As ações ligadas ao varejo também se destacavam, após os bons números de julho divulgados pelo IBGE. A maior alta do setor era de Magazine Luiza ON, que avançava 4,52% perto de 11h20. A Oi ON registrava avanço de 4,03% após a aprovação da Lei das Teles na comissão do Senado. Gerdau PN lidera as quedas, com recuo de 1,78%; segundo relatório do Bradesco BBI, há superoferta de aço no mundo e o cenário de desaceleração da economia é preocupante para companhias do setor.

 

No noticiário do dia, o investidor deve se manter atento aos desdobramentos da questão da Reforma Tributária. Aparentemente, os líderes do Congresso rechaçam a possibilidade de um imposto único para transações financeiras, como quer o ministro da Economia, Paulo Guedes. O intuito do governo é cobrar uma alíquota de 0,4% sobre saques e depósitos, o que vem sendo comparado à antiga – e impopular – CPMF. Segundo alguns jornais, como O Estado de S. Paulo e O Globo, a proposta governista deve ser apresentada hoje. A ideia do governo é usar o novo imposto para substituir gradualmente a tributação sobre os salários, considerada pela equipe econômica como nociva para a geração de empregos no país. Entre os indicadores, o Banco Central divulga dados de fluxo cambial semanal às 14h30, e o Japão trará índice de preços ao produtor de agosto.

 

(Foto: Supermarket News)

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