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Bolsa sobe, apesar de cautela sobre negociação política da Previdência

Postado por: TC News em 21/02/2019 às 18:47

O otimismo no mercado, vislumbrando bolsa rumo aos 100 mil pontos, sente a iminência do debate político sobre a proposta de reforma da Previdência recém-chegada à Câmara dos Deputados.

 

Investidores ajustam posições, realizam parte dos lucros, à espreita da batalha no Congresso em prol do ajuste fiscal de pouco mais de R$1 trilhão em dez anos contra as corporações organizadas em Brasília. Pesa negativamente qualquer evidência de inexperiência do novo governo na articulação da base, enquanto que, por outro lado, parece coexistir certo consenso entre os parlamentares de que o dinheiro acabou e algo precisa ser feito – logo. Com isso, gestores já põem na conta alguma diluição no projeto ao longo das negociações, o que abre margem para incertezas. A tramitação da matéria, aliás, começa na terça-feira com a instalação da Comissão de Constituição e Justiça na Câmara.

 

Neste contexto e com cenário externo negativo, o dólar futuro subiu 1,15% frente ao real, cotado a R$3,770, maior nível em quase um mês, enquanto os juros futuros ganharam prêmios de risco ao fim de sessão volátil.

 

O índice Bovespa conseguiu driblar parte da cautela graças ao agitado noticiário corporativo. O Ibovespa encerrou em alta de 0,40% a 96.932 pontos. A pouco menos de duas horas para o fechamento do pregão, a bolsa migrou o campo positivo, na esteira dos ganhos nas ações da Petrobras. Foi uma reação à confirmação do Ministério de Minas e Energia de que o modelo de cessão onerosa será definido em 28 de fevereiro, com a divulgação em março do valor pelo qual a estatal petrolífera será ressarcida. Um montante bilionário que será bem-vindo à reorganização operacional da empresa para reduzir sua dívida.

 

Já os papéis da CSN dispararam 9,39%, maior alta desde outubro, após divulgar resultados acima do esperado no quarto trimestre e anunciar dois negócios de venda de minério de longo prazo no exterior, o que injetou o otimismo sobre uma redução mais acelerada do endividamento nos próximos meses. O Itaú BBA elevou a recomendação ao papel da siderúrgica para outperform, ou desempenho esperado acima da média do mercado, e aumentou o preço-alvo de R$12 para R$14.

 

Na outra ponta, o destaque negativo ficou com o tombo de 10,36% de Via Varejo, também o maior desde outubro, após a controladora GPA anunciar a venda de uma participação de 3,09% na companhia.

 

Lá fora, as bolsas americanas fecharam em queda: o índice Dow Jones recuou 0,40% e o S&P 500 caiu 0,35%, em reflexo de indicadores econômicos decepcionantes da Europa e dos Estados Unidos, um dia depois do Federal Reserve mencionar sinais de maiores riscos à economia. O índice de negócios do Fed da Filadélfia despencou para -4,1 em fevereiro, o menor nível desde maio de 2016, enquanto o PMI de compras da indústria retrocedeu para 53,7 pontos em fevereiro.

 

Os números ruins dos EUA reiteram o panorama de desaceleração mundial, já que o país é visto por alguns como aquele que poderia contrabalançar a fraqueza na atividade da China e da Europa. Cresce, assim, a expectativa pelo desenrolar das negociações comerciais entre Washington e Pequim. Além disso, o mercado vai monitorar com atenção as divulgações do PIB da Alemanha e de índices de inflação na zona do euro, ambos nesta sexta-feira.

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