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Bolsa sobe 2,70% e dólar cai a R$3,90 com trégua política

Postado por: TC Mover em 28/03/2019 às 18:07

Algumas das dúvidas do mercado se dissiparam ao longo desta quinta-feira – a aparente solidão do ministro da Economia, Paulo Guedes, na articulação da reforma da Previdência e o compromisso do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, na questão –, permitindo comportamento positivo de bolsa, câmbio e juros. A recuperação dos ativos brasileiros após o pior desempenho em pelo menos dois meses, entretanto, foi parcialmente limitada pelo receio do investidor de que o Twitter de Bolsonaro, uma arma de destruição em massa, conforme definição do contribuidor TC Pedro Albuquerque, possa desviar o foco principal do governo que é aprovar o pacote fiscal para evitar que o País quebre. Declarações pacificadoras de Bolsonaro, do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e de Guedes – os dois últimos almoçaram juntos hoje – e os sinais de armistício entre Maia e o ministro da Justiça, Sergio Moro, em relação ao pacote de segurança, foram catalisadores para melhorar o ânimo do investidor. De quebra, a informação do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, de que poderia sair hoje o nome do relator da reforma na Comissão de Constituição e Justiça deu contornos concretos de avanço na tramitação da pauta. De fato, logo depois do fechamento, o presidente da CCJ, Felipe Francischini, anunciou Marcelo Freitas, do PSL, como relator.

 

 

O dólar futuro despencou 2,30% frente ao real, maior queda desde 2 de janeiro, cotado a R$3,901 – tendo chegado a R$3,898 na mínima. Após o câmbio atingir os R$4 na véspera, o Banco Central realizou um leilão de linha – aquele de venda de dólares conjugada com recompra no futuro –, aceitando propostas de US$1 bilhão e injetando dinheiro novo no mercado. Os juros futuros, por sua vez, tombaram em bloco, devolvendo prêmios de risco na curva de vencimentos: o contrato para janeiro 2020 recuou 15 pontos-base para 6,500%. Já o índice Bovespa subiu 2,70% – maior valorização em pouco mais de duas semanas – e terminou o dia em 94.388 pontos. Além da melhora de humor, verificada também no exterior, operadores notaram movimentação de gestores na ponta compradora da bolsa na reta final do trimestre, a fim de empurrar para cima o desempenho das cotas dos fundos. Dentre os papéis que engataram forte recuperação após perdas, destaque para os bancos. Bradesco, Itaú e Banco do Brasil encerraram o pregão com ganhos de 5,08%, 3,96% e 3,49%, respectivamente. Para Dan Kawa, diretor da TAG Investimentos, os “ativos no Brasil estão respeitando algumas bandas bem definidas: dólar entre R$3,65-R$3,95 e Ibovespa entre 92 mil e 100 mil pontos. Não há tendência clara, pelo menos ainda. Não vamos nos desesperar nos ‘vales’ e nem nos animarmos muito nos ‘picos’!”.

 

 

Lá fora, a retomada das negociações comerciais entre Estados Unidos e China foi bem recebida pelo mercado, enquanto persistem as preocupações quanto à saúde da economia global. O mercado digeriu a leitura final do PIB americano para o quarto trimestre, que foi revisada de crescimento de 2,6%, na última prévia, para 2,2%. Diante deste alerta do PIB da maior potência mundial, investidores ficarão de olho na sexta-feira aos dados de renda e consumo nos EUA, índices de preços na Zona do Euro, vendas do varejo na Alemanha, além do PIB do Reino Unido no quarto trimestre em meio à ameaça de um Brexit – como é chamada a saída do Reino Unido da Zona do Euro – desordenado. Por ora, ao fim do dia nesta quinta-feira, prevaleceu a expectativa por um desfecho da guerra tarifária entre Washington e Pequim, que se arrasta há 13 meses. O índice S&P500 fechou em alta de 0,36%.

 

 

(Foto: B3/Divulgação)

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