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Bolsa ignora Nova Iorque perto das máximas e cai; câmbio oscila com demanda anormal antes do fim de mês

Postado por: TC Mover em 26/07/2019 às 12:57

Em mais um sinal de que o cenário sem direção no exterior deixa o mercado brasileiro vulnerável a surtos de volatilidade, bolsa recua e câmbio e juros mostram leves recuos – com viés de reversão ao longo da tarde, disseram operadores. Nem o relativo bom humor nas bolsas de Nova Iorque, onde as ações de tecnologia puxam os índices referência a mais um máxima, nem a leitura neutra do resultado do PIB americano, que mostrou crescimento acima do consenso na primeira prévia do segundo trimestre, empolgam o investidor na B3 – que sofre para encontrar mais catalisadores depois da aprovação, em primeiro turno, da Reforma da Previdência duas semanas atrás.

 

Tanto os dados de crescimento quanto os balanços fortes de algumas companhias na maior economia do mundo foram insuficientes para mudar o cenário em relação à “Super Quarta” da semana que vem, quando o Federal Reserve e o Banco Central do Brasil devem decidir o que fazer com suas taxas-alvo básicas de juros. Nos Estados Unidos, o mercado não parece ter mudado as apostas de que o Fed reduzirá a taxa Fed Funds – a pergunta é quanto e qual o sinal de política monetária para as próximas reuniões. Os índices S&P500 e Nasdaq voltaram a tocar níveis recorde após Twitter e Alphabet divulgarem que suas receita bateram o consenso de mercado e se mostraram otimistas quanto às perspectivas futuras.

 

Passada essa semana em que o Ibovespa está fadado a cair perto de 1%, o investidor olha para os eventos que devem marcar os últimos dias de julho e o começo de agosto – mês tradicionalmente lento nos mercados de capitais mundiais por conta das férias de verão no Hemisfério Norte. Além da decisão de juros, o investidor segue com grande atenção os desdobramentos da retomada das negociações comerciais entre os EUA e a China. Hoje, o assessor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, disse que não espera grandes anúncios na próxima semana – os emissários de ambos os países se reúnem entre segunda e quarta.

 

Os ativos brasileiros operam bastante voláteis, porém com volumes razoáveis e perto das médias diárias do ano, no início da tarde desta sexta-feira. Na bolsa, o destaque é a forte queda da Petrobras, que na madrugada de hoje cortou sua meta de produção para o ano de 2,8 milhões de barris dia para 2,7 milhões, com faixa de variação de 2,5% para mais ou para menos. No relatório de produção trimestral, a estatal disse que os resultados do ano, até agora, foram inferiores aos inicialmente previstos. O dólar opera próximo da estabilidade, com tendência de queda, com investidores aguardando o leilão de linha de US$1 bilhão do Banco Central, que teve propostas acolhidas até às 12h20.

 

Certamente, esse comportamento se deve à cautela do mercado com as decisões dos bancos centrais brasileiro e americano na próxima quarta-feira. Após passar a maior parte da manhã em queda, o Ibovespa zerava perdas e subia 0,10%, a 102.750 pontos, às 12h30. A retomada das altas na Bradesco PN e da B3 ON também davam um gás para o índice. Na ponta dos ganhos, Ambev ON subia 1,38% ainda na esteira dos resultados favoráveis do segundo trimestre. O volume projetado hoje na bolsa é de R$11,83 bilhões – levemente abaixo das médias diárias para o ano.

 

O câmbio futuro opera com forte volatilidade, atrelado ao desempenho do dólar americano e à espera do leilão de linha do Banco Central. O dólar futuro recua 0,07%, cotado a R$3,777 por volta de meio-dia. A cinco dias das decisões do Copom e do Fed, os juros futuros operam repercutindo a divulgação do PIB americano. Segundo gestores e analistas, a curva de juro a termo no Brasil – que mostra a relação entre a taxa de juros e os vencimentos – aponta para 66% de chance de corte de 50 pontos-base na taxa básica Selic e o restante para um corte de 25 pontos-base. Os DIs caem em bloco, com exceção do contrato para janeiro de 2021, que opera estável.

 

Até o fim do dia, é importante estar atento ao resultado primário do governo central de junho, que será divulgado pelo Ministério da Economia às 14h40. No exterior, os Estados Unidos divulgam a contagem de sondas Baker Hughes às 14h00. Depois do fechamento do mercado, a Hypera irá divulgar resultados do segundo trimestre. Na semana que vem, teremos divulgações de balanços da Smiles, BR Distribuidora, Movida, Taesa e – principalmente – Itaú Unibanco e Vale. Dados do resultado fiscal consolidado do governo, estados e municípios de junho serão divulgados também, e, no dia 31, haverá fixação da taxa Ptax para a liquidação dos contratos futuros no câmbio.

 

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