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Bolsa cede com temor de adiamento de votação de destaques; Trump cutuca China e exterior sente

Postado por: TC News em 11/07/2019 às 16:53

Rumores de que a votação dos destaques do texto-base da Reforma da Previdência pode ser suspensa e somente retomada na semana que vem – o que atrasaria o cronograma de aprovação da matéria, impactavam o sentimento do investidor local, que ensaiava uma realização de lucros nos mercados de câmbio, juros e renda variável. Segundo uma fonte falou à TC Mover, o empecilho está na velocidade de liberação das emendas cobradas pelos deputados favoráveis à reforma e na queda de braço entre o governo e alguns deputados por conta dos destaques – que podem diluir a economia fiscal do projeto em mais de R$240 bilhões, de acordo com os cálculos do analista político da IdealPolitik e membro experiente do TC, Leopoldo Vieira.

 

Enquanto isso, o humor dos mercados internacionais azedou com o tuíte do presidente americano Donald Trump, que cutucou a China por não estar comprando a quantidade de produtos agrícolas norte-americanos que ele desejaria. Estamos decepcionados, disse. Os comentários vêm em meio a um silêncio por parte dos dois países quanto ao calendário e ao escopo das novas negociações para pôr fim a 15 meses de guerra comercial. O rendimento dos Treasuries de dez anos, já pressionado pela leitura da inflação acima do consenso, disparou com a notícia; o dólar caiu pelo segundo dia, e as bolsas em Nova Iorque reduziram ganhos.

 

Mundo afora, a sabatina do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, ante o Senado americano não trouxe maiores novidades. Ele reiterou seu tom dócil quanto às taxas de juros e reforçou as preocupações quanto à implementação da criptomoeda Libra, do Facebook: desta vez, ele criticou o prazo “muito curto” de 12 meses para lançá-la. Há pouco, o membro da diretoria do Fed, Raphael Bostic, disse que, por ele, não aceleraria uma redução de taxas de juros nos EUA até verificar que as condições econômicas estejam se deteriorando rapidamente na maior economia do mundo.

 

O Ibovespa recuava 0,68% no começo desta tarde, e perdia os 105 mil pontos. O volume de negociação projetado é de R$7 bilhões, bem abaixo das médias diárias do ano. Para um gestor sediado em São Paulo, “é momento de embolsar ganhos depois de cinco dias de altas fortes” – maior sequência de ganhos diários desde o final de janeiro. Bradesco BBI elevou hoje a projeção do índice para o final do ano de 122 mil para 166 pontos. No mercado de câmbio, o dólar futuro se valoriza pouco mais de 0,20% ante o real, cotado a R$3,7660, em clássico movimento de procura por proteção. Já os juros futuros subiam em bloco, após um início de pregão volátil. Mesmo com o investidor ainda apostando na queda da taxa básica de juros Selic no final do mês e a confirmação da fraca atividade com os números de hoje de vendas no varejo, resta saber se a Previdência vai ir da Câmara direto para o Senado antes do recesso parlamentar, em 18 de março.

 

A aprovação nos dois turnos na Câmara é vista como uma condição do Banco Central para dar um primeiro passo na redução da Selic. Cada vez mais economistas apostam por uma redução de 50 pontos-base na Selic em 31 de julho, de acordo com estimativas da TC Mover. Mas, como aponta o gestor, isso vai depender de como o governo e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, visto como o fiador da reforma na Casa, vão desativar “os explosivos escondidos nesses destaques.Maia prometeu há pouco que os destaques serão votados a partir da tarde de hoje e a reforma será votada em segundo turno amanhã.

 

Entre as muitas quedas na B3 nesta tarde, destacam-se os bancos, mais sensíveis às notícias sobre a Previdência. Bradesco PN lidera as perdas e recua 1,43%. Ambev ON vem em seguida, caindo 1,79%, por conta do início da análise do Carf da multa aplicada à Ambev sobre apropriação de ágio, ou declaração de aumento de capital, indevidamente no processo de fusão com a InBev; a multa poderá chegar a R$5,5 bilhões e a companhia vê chance de perda. O Banco Inter também registra queda, após contratar bancos para coordenar oferta pública subsequente.

 

Na ponta oposta, ações ON e PN da Petrobras estão à frente dos ganhos, com o papel preferencial subindo 0,89%, após a Goldman Sachs retomar a cobertura dos papéis com recomendação de compra e preço-alvo de R$41,90. Sabesp e Eletrobras aparecem logo após, com altas de 4,63% e 2,67%, respectivamente. Segundo agências, o governador de São Paulo, João Dória, mencionou possível privatização da companhia de saneamento. Vale ON opera próxima da estabilidade, com alta de 0,04%, a R$52,15.

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