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Bolsa, câmbio ignoram aversão ao risco e mostram desempenho positivo, à espera de estímulos do Bolsonaro

Postado por: TC Mover em 18/07/2019 às 12:18

O clima de aversão ao risco mundo afora, que contamina as bolsas europeias e americanas e os mercados globais de divisas, não impacta de forma significativa o andamento dos negócios na B3, onde a bolsa mostra alta moderada, o câmbio recua pelo segundo dia consecutivo e os juros futuros enxugam prêmio ao longo da curva. De novo, o investidor global mantém uma postura defensiva quanto às incertezas sobre as conversas comerciais entre os Estados Unidos e a China, que pouco avançam, e à divulgação dos balanços do terceiro trimestre nas maiores economias do mundo. Os índices S&P500 e Dow Jones Industrials, que abriram em queda nesta quinta-feira, dificilmente devem se manter perto das máximas históricas atingidas na última semana sem a confirmação de uma queda nos juros americanos e uma melhora nos fundamentos alavancada por resultados trimestrais sólidos.

 

Parte da volatilidade de hoje veio por conta da divulgação de pedidos de seguro-desemprego semanais nos EUA que, totalizando 216 mil, ficou em linha com o consenso. O investidor teme que o mercado de trabalho americano, que permanece tão apertado que as empresas do país têm enfrentado dificuldades para preencher posições em aberto, façam o Federal Reserve rever o que parece ser a decisão de reduzir a taxa básica de juros em 31 de julho. As tensões comerciais e a cautela com a temporada de balanços só têm aumentado o ruído no mercado, levando diversos bancos centrais, como os da Coréia do Sul e da Indonésia fizeram hoje, a reduzir os juros básicos das suas economias.

 

Contudo, pesa positivamente no mercado brasileiro o possível anúncio de um pacote de medidas para ressuscitar o crescimento da economia – em coma há mais de um ano, desde a eclosão da greve dos caminhoneiros. É possível que o presidente Jair Bolsonaro anuncie o marco para a liberação de saques de contas ativas e inativas do FGTS hoje à tarde em evento de comemoração aos 200 dias de governo. Ontem, as ações de consumo e de shoppings reagiram bem ao vazamento do plano, enquanto os das incorporadoras, especialmente de baixa renda, sofreram. Hoje elas recuperam parte das quedas de quarta-feira, com rumores da preservação dos recursos do FGTS para a área de habitação – reduzindo o valor a ser liberado de R$ 42 bilhões para menos de R$ 30 bilhões.

 

Para analistas do Itaú BBA, o governo “ainda não determinou oficialmente as condições de retirada do FGTS ou o tempo de retirada dos recursos, sugerindo que ainda poderia haver espaço para alguma diluição” – uma coisa positiva para companhias como a MRV Engenharia, Tenda e Direcional. As medidas, no entanto, são positivas, pois a Reforma da Previdência e o pacote de estabilização fiscal, que deve incluir mais um contingenciamento do Orçamento, têm impacto negativo de curto prazo no crescimento econômico, disse Pedro Tuesta, economista-chefe para a América Latina na Continuum Economics. Para ele, o pacote ajuda a “ocupar o vazio deixado pela pausa na aprovação da Nova Previdência“, o que é bom para o governo.

 

O Ibovespa avançava 0,23% a 104.100 pontos por volta das 11h20, engatilhando a segunda alta consecutiva – após cinco dias seguidos de quedas. O volume projetado para o pregão de hoje é de R$8,5 bilhões – bem abaixo das médias diárias do ano. Entre os setores, o índice imobiliário IMOB puxa as quedas, recuo de 0,23%, por conta do quesito FGTS, enquanto o de consumo, ICON, puxa para cima o Ibovespa. Sabesp lidera as altas, após Credit Suisse dizer que planos do regulador de saneamento de São Paulo devem mudar as regras de reajuste de forma que favoreçam a companhia. Bancos e seguradoras também avançam. Petrobras ON e PN caem, enquanto Eletrobras ON – que ontem disparou por conta do plano de privatização, cai em típico movimento de realização. O dólar futuro se desvalorizava 0,4% ante o real e os juros oscilavam, com o contrato do DI para janeiro próximo estável em 5,70%.

 

Há sinais, no entanto, de indigestão no mercado – o que pode impactar o desempenho do índice referência e de companhias com planos de colocar mais dos seus papéis em ofertas públicas nos próximos dias. Uma delas, a Tecnisa, despencava 12% após concluir oferta primária subsequente de ações que, para sair, teve que conceder desconto violento, de 30%. Companhias como Banco do Brasil, IRB Brasil e Hapvida – que devem ser alvo de ofertas subsequentes antes do início das férias do hemisfério Norte, em agosto, quando os mercados secam, podem ver forte oscilação nos seus papéis até essas ofertas serem definidas, disseram à TC Mover banqueiros de investimento.

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