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Bolsa cai e dólar sobe com riscos de atraso na Previdência, expectativa com G-20

Postado por: TC Mover em 27/06/2019 às 10:57

Os mercados de renda variável, juros futuros e câmbio refletem o temor do investidor com o atraso na votação do relatório da Reforma da Previdência na comissão especial da Câmara e as sinalizações confusas quanto à reunião entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, para destravar o acordo comercial entre os dois países, na cúpula do G-20 deste fim de semana.

 

A agenda intensa desta quinta-feira, que incluiu a apresentação do Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central, pesa sobre o sentimento dos investidores, em meio a uma piora de humor nos mercados internacionais. Além da coletiva de imprensa do presidente do BC, Roberto Campos Neto, sobre o RTI, o investidor fica de olho nos dados de saldo de vagas de trabalho formais em maio, pelo Caged, e na reunião do Conselho Monetário Nacional de hoje à noite, que vai definir a meta de inflação para 2022. No quesito reforma, a Câmara cancelou a leitura do parecer ajustado na comissão especial agendada para hoje, piorando o ânimo do mercado. A inclusão dos Estados e municípios no projeto continua sendo um empecilho e, segundo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, só será resolvido na terça-feira.

 

No exterior, a terceira leitura dos dados de crescimento da economia dos EUA trouxe um resultado em linha com as expectativas, levando as bolsas a mostrar altas tímidas e quedas leves nos juros dos títulos do Tesouro americano. O noticiário quanto à reunião entre o presidente chinês Xi Jinping e o colega americano Donald Trump continua confuso, com alguns veículos sugerindo que a China pretende apresentar condições para retomar as negociações; há ceticismo sobre a possibilidade de Trump acenar positivamente aos pedidos de Xi, que se resumiriam à remoção das sobretaxas às importações chinesas e das restrições às operações das empresas de tecnologia do país asiático nos EUA.

 

BOLSA: O Ibovespa recuava 0,5% a 100.200 pontos, puxado pelas ações de varejistas, empresas de shoppings e as chamadas blue chips – as ações mais líquidas do índice. O volume projetado para o pregão de hoje é de R$11 bilhões, em linha com as médias diárias do ano. Entre os destaques na ponta dos recuos, Itaú Unibanco PN, Bradesco PN e Petrobras PN e ON contribuem com mais da metade da queda do índice, em pontos. Entre as altas, GPA PN dispara 10% após anunciar reestruturação societária que envolveria a compra de uma empresa irmã na Colômbia e a migração do papel para o Novo mercado. Analistas gostaram do anúncio. Vale ON, Suzano ON e CSN ON subiam forte, refletindo a alta do dólar e, no caso das mineradoras, os ganhos no preço do minério de ferro na China. Eletropaulo ON disparou 32% após Enel anunciar que fará oferta pública de aquisição pelos papéis remanescentes da elétrica no mercado.

 

CÂMBIO E JUROS: O mercado de juros ajusta forte para cima na esteira de maior risco envolvendo a reforma, a reunião EUA-China e a não sinalização por parte do BC de cortes iminentes na taxa básica de juros Selic. Já no câmbio, a dólar futuro se valoriza 0,4% ante o real, cotado a R$3,8580 – maior nível desde 19 de junho, – mesmo com a moeda americana mostrando fraqueza ante pares e divisas emergentes ou ligadas a commodities. De acordo com contribuidores TC como Sérgio Machado, da SF2 Investimentos, os mercados de renda fixa e câmbio devem seguir voláteis, especialmente este último, na véspera da definição da última taxa Ptax de junho e do primeiro semestre. Alguns traders detectaram falta de liquidez de moeda estrangeira entre empresas e bancos, apesar de o BC ter colocado US$2 bilhões via leilões de linha com recompra nesta semana.

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