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Bolsa cai ao menor nível desde início de março; dólar sobe

Postado por: TC Mover em 22/03/2019 às 11:04

Os ativos brasileiros sofrem fortes perdas e voltam aos níveis do início de março diante da combinação de incertezas sobre a tramitação da reforma da Previdência, com preocupações revigoradas a respeito a respeito da saúde da economia global.

 

Depois da frustração do mercado com a reestruturação de carreiras de militares e apreensão com o ambiente político a partir da prisão do ex-presidente Michel Temer, circula no mercado a notícia de ameaça do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de se afastar da articulação política pela reforma da Previdência – pauta crucial para o equilíbrio das contas públicas.

 

No exterior, indicadores econômicos ruins, evidenciados por medições de atividade nos setores industriais e de serviços da zona do euro, se sobrepõem ao ânimo pela postura dócil do Federal Reserve, o banco central americano, e pressionam os mercados. Em mais um sinal de fraqueza econômica, foi divulgado há pouco que o dado de atividade industrial dos Estados Unidos atingiu 52,5 em março, abaixo das estimativas de 53,5.

 

“A preocupação com o crescimento das principais economias alimenta o movimento global de venda de risco, e estamos embaixo do holofote”, diz Cleber Alessie, analista de câmbio da H.Commcor. Nesta manhã, o risco-Brasil subia 4,78%, a 171,077 pontos-base.

 

Por volta de 10h55, o índice Bovespa operava em desvalorização de 2,29% a 94.554 pontos, menor nível desde 8 de março. As desvalorizações eram disseminadas no principal índice de ações da B3, com destaque para Cyrela e Lojas Americanas, que publicaram resultados do quarto trimestre recentemente. Na outra ponta, Suzano e Vale se sustentavam em terreno positivo, evitando queda maior da bolsa.

 

“Quem tem visão de mais longo prazo, vai aproveitar este momento para comprar posição, e isso tende a trazer alívio nos próximos dias. Por aqui, pode durar um pouco mais porque é muito recente, tem que ver até onde isso impacta o Maia”, acrescenta Alessie, que vê espaço para o dólar chegar aos R$3,90 frente ao real.

 

Neste momento, o dólar futuro avançava 2,04%, cotado a R$3,870, na maior alta desde 26 de novembro. Os juros futuros subiam em bloco, com o contrato para janeiro de 2025 avançando 12 pontos-base para 8,780%, também maior alta desde 26 de novembro.

 

Segundo o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo, sem reforma da Previdência, juros e inflação subirão. A preocupação no cenário local é que a prisão de Temer e do seu aliado, o ex-ministro Wellington Moreira Franco, que aconteceu no âmbito da Operação Lava Jato, possa colocar uma pausa na discussão da agenda legislativa de Bolsonaro e atrasar a aprovação da reforma da Previdência, de acordo com Leopoldo Vieira, analista político da IdealPolitik e contribuidor TC. Segundo Josias de Souza, da Folha de S.Paulo, bancadas de Paraná, Ceará e Alagoas querem devolver ao ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, os cargos federais oferecidos pelo Planalto.

 

(Foto: Rodrigo Maia – Divulgação)

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